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Paulo Couto
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Parece ou poder ser?

Uma visão diferente do óbvio

SAP para pequenas e médias empresas

Postado as 16:39 - 01/11/2011 - Por Paulo Couto. Categorias: Cloud Computing, Eventos & Feiras, Mercado, Servidores.

1voto  

Na semana passada estive em Campos do Jordão com a SAP, para uma coletiva de imprensa e como é de praxe foram apresentadas várias informações sobre a empresa, sobre o mercado, sobre as oportunidades de crescimento no setor, e vários números (jornalista adora números…). Sem dúvida um evento muito produtivo e completo para a plateia, e muito interativo para os executivos da empresa, sempre dispostos a esclarecer qualquer informação. Não pretendo aqui fazer um resumo, mas acho importante destacar dois aspectos do “mundo SAP” que me chamaram a atenção nesse evento, mas antes uma breve introdução.

A empresa SAP foi fundada na Alemanha em 1972 por cinco ex-engenheiros da IBM, e SAP é a abreviação de Systeme, Anwendungen und Produkte in der Datenverarbeitung (“Sistemas, Aplicações e Produtos em  processamento de dados”). Como tantas outras histórias de sucesso no mundo de tecnologia, o nascimento da SAP passa pela saída da XEROX (sempre ela…) do negócio, vendendo seus softwares para a IBM que os cedeu em uma parceria com os tais ex-engenheiros naquilo que foi o primeiro negócio da SAP, em 1972, e que deu início a companhia que hoje vale cerca de US$ 70 bilhões em bolsa. Curioso como XEROX e IBM sempre aparecem no nascimento de grandes empresas do setor nos anos 70 e 80 entregando de mão beijada tecnologias transformadoras.

Alguns números da SAP: cerca de 54 mil funcionários em 120 países, mais de 170 mil clientes no mundo, mais de 3800 parceiros de negócios e soluções de gestão em mais de 24 setores da economia. Para entender o negócio da SAP é preciso entender a gestão das empresas. Cada setor, seja ele petrolífero ou bancário, ou até mesmo redes de varejo, tem um “modelo de negócio” básico onde o fluxo das transações diárias se encaixa. Não importa se a empresa usa SAP ou qualquer outro software de gestão, o fluxo dos processos tem um componente básico de funcionalidade que é adaptado à legislação vigente naquele país e dos regulamentos internacionais. E cada um desses processos pode ser otimizado, padronizado e controlado, como é o caso da folha de pagamento, ou em um espectro maior, todo o setor de RH com uma eficiente gestão de pessoas, ou todas as operações de logística, e assim por diante. Esse é o negócio da SAP, fornecer ferramentas e modelagem de processos otimizados para cada uma dessas tarefas, e interligar todas essas ferramentas em um único sistema de gestão capturando inúmeros ganhos de produtividade, transparência nas operações e maior eficiência na gestão e na tomada de decisão. Um dos dados que me chamou a atenção é que em média, o valor de mercado das empresas com ações em bolsa que adotam o SAP tem uma valorização superior a 6% só pelo anuncio de que estão adotando suas ferramentas, e essa valorização tente a superar 13% ao término da implementação, ou seja, o mercado valoriza imediatamente os ganhos de produtividade que o uso do SAP irá proporcionar a essa empresa.

Porém a SAP é uma empresa que vende licenças de software e cobra taxas de manutenção, ou seja, suas receitas estão fortemente ligadas ao crescimento de sua base de clientes, e os últimos relatórios indicam que há um amplo domínio da SAP nas grandes empresas mundiais. Tal domínio tem um lado adverso, pois restringe o potencial de crescimento nessas grandes empresas. O desafio de continuar crescendo passa, sem dúvida, pelo crescimento da SAP nos países emergentes que como o Brasil estão transformando suas indústrias para padrões mundiais de gestão, e pelas pequenas e médias empresas espalhadas pelo mundo que atingiram sua maturidade ainda usando sistemas legados (desenvolvidos internamente) ou fornecidos por desenvolvedoras locais que não contam com a especialização dos produtos SAP.

Esses são os dois aspectos que me chamaram a atenção durante a coletiva. O primeiro eu já detalhei, que é a oportunidade de crescimento da SAP junto aos países emergentes e o foco em sistemas dimensionados para negócios pequenos e médios, com preços competitivos sem comprometer o grau de especialização mundial no setor daquele cliente que a SAP pode oferecer. Muitos gestores de empresas pequenas e médias desconhecem que há soluções da SAP, como o Business One, que custam aproximadamente o mesmo que um automóvel, e que há soluções sob demanda, baseadas em nuvem (cloud computing) entre outras. Imagine a dúvida daquele dono de empresa: troco de carro ou invisto no SAP para minha empresa?

O outro aspecto que quero destacar, é o ecossistema de implementação SAP. O software em si é apenas uma ferramenta, que deve ser implementada através de uma consultoria especializada que irá realizar um detalhado estudo de processos, otimizar os fluxos, customizar a ferramenta e integrar o SAP ao que já existe na empresa. Generalizei chamando de “consultoria”, mas estamos falando de diversos fornecedores, desde o consultor propriamente dito que gerencia o projeto de implementação até a dezenas ou centenas de técnicos certificados que vão integrar a ferramenta, passando pelos fornecedores de serviços (servidores, datacenter, mobilidade, dispositivos de acesso – não só PCs ou notebooks, mas também dispositivos móveis) e toda uma rede de suporte e treinamento. Para atuar em grandes empresas, é necessário grandes parceiros, e temos uma boa infraestrutura deles no Brasil. Já no setor de pequenas e médias empresas, especialmente aquelas fora do eixo RJ-SP, vejo claramente um mar de oportunidades tanto para empresários que gostariam de explorar esse mercado com um pequeno grupo de consultores, quanto para os consultores individuais que se especializam em certas tecnologias e estão aptos a serem contratados em projetos diversos.

Não falei aqui das inovações da SAP, dos produtos que estão sendo disponibilizados pelos laboratórios SAP (há um aqui no Brasil) que estão no limite da tecnologia disponível, como o HANA, um SAP de alta performance com banco de dados baseado em memória RAM, capaz de lidar com transações 3600 vezes mais rapidamente do que o tradicional modelo de banco de dados baseado em discos magnéticos ou SSD, nem de toda a área de integração com mobilidade, como as incríveis ferramentas de business analytics que vi rodando em iPads. Inovações desse tipo mostram a direção que a SAP está indo em termos de tecnologia aplicada ao processo, e fornecem novas oportunidades de implementação em clientes que já adotam produtos SAP,mas o que me interessou mesmo é a imensa oportunidade que as empresas brasileiras (e de outros países emergentes) têm de “tirar o atraso” em relação a seus pares mundiais, aproveitando o cenário econômico mundial desfavorável para as grandes economias, e a gigantesca oportunidade para os profissionais de TI brasileiros se especializarem em soluções SAP através dos diversos modelos de certificação e consultoria para efetivamente participarem desse movimento transformacional que, como já sabemos, depende de uma carente de mão de obra especializada aqui no Brasil.

Independente de ser SAP, Oracle ou Totvs, os profissionais de TI terão grandes oportunidades de trabalho em implementação de sistemas de gestão em todos os portes de empresas. Falta mão de obra capacitada, e a despeito do alto custo dos cursos de capacitação para o individuo pessoa física arcar por conta própria, há uma notável tendência das empresas do setor investirem na capacitação de seus profissionais com maior potencial de retorno a fim de garantir sua presença nesses projetos. Ou será que o Brasil importará mão de obra estrangeira já capacitada como já está acontecendo em alguns setores?

Comentários (5)   

Tio And

Paulo, muito boa a matéria!
As tentativas de se formar profissionais SAP no Brasil realmente esbarram no custo dos treinamentos. Por outro lado, esses custos são diluidos nos primeiros anos de trabalho pois as remunerações são altíssimas. Estou neste mercado há cerca de sete meses e acho importante destacar duas coisas:

1) Existem basicamente dois pefis de consultor: O Funcional e o Técnico. O Funcional é o que está ligado a processos empresariais. Os principais (que toda empresa que compra SAP implementa) são: Finança (FI), Controladoria (CO), Comercial (SD), Produção (PP) e Administração de Materiais (MM). Os outros módulos como Recursos Humanos (HR) por exemplo não tem tanta demanda e vale a pena investir como um segundo módulo. Já o perfil técnico é formado pelo programador ABAP e pelo profissional da infra do SAP, conhecido como BASIS, mas também tem o profissional de BI (que está muito valorizado no mercado hoje) e hoje vale a pena investir pois há uma tendência das empresas que já tem SAP de implemntar o BW (ferramenta de BI da SAP).
Os salários variam de acordo com o nível de senioridade, mas geralemente começam em R$ 3 mil e não raro(...)

Tio And - 06/11/2011 - 20:59 - Responder no fórum

ccorland

Aqui na minha empresa optaram infeliz por uma consultoria de outro país (Portugal). Estamos acabando um workshop de ABAP até sexta-feira e a partir daí dá-se o início a fase de implementação.... que tem previsão de GoLive só para Agosto/12

ccorland - Araraquara - SP - 09/11/2011 - 14:13 - Responder no fórum

gmourao

onde fico sabendo desses treinamentos e certificacoes da SAP?
fiquei MUITO interessado...

gmourao - BH-MG - 22/11/2011 - 19:32 - Responder no fórum

Lantis

A empresa SAP foi fundada na Alemanha em 1972 por cinco ex-engenheiros da IBM, e SAP é a abreviação de Systeme, Anwendungen und Produkte in der Datenverarbeitung (“Sistemas, Aplicações e Produtos em processamento de dados”). Como tantas outras histórias de sucesso no mundo de tecnologia, o nascimento da SAP passa pela saída da XEROX (sempre ela…) do negócio, vendendo seus softwares para a IBM que os cedeu em uma parceria com os tais ex-engenheiros naquilo que foi o primeiro negócio da SAP, em 1972, e que deu início a companhia que hoje vale cerca de US$ 70 bilhões em bolsa. Curioso como XEROX e IBM sempre aparecem no nascimento de grandes empresas do setor nos anos 70 e 80 entregando de mão beijada tecnologias transformadoras.

Elas eram as maiores empresas do mundo em suas áreas, e faziam muito sucesso. Talvez por isso tenham se acomodado e naum deram tanta importância pra novos negócios, q acabaram criando novos mercados.

No caso da Xerox por exemplo o negocio dela é vender equipamentos ligados a impressão, principalmente cópia de papel. Pq ela investiria num negócio q envolve documento digital?

Lantis - MG - 29/11/2011 - 01:03 - Responder no fórum

Lantis

Pelo q tenho visto, conhecer o negócio tá sendo mais importante hoje do q conhecer de tecnologia. Profissionais multidisciplinares deve ser mais raro no mercado né, e como especialização é desvalorizada...

Mas oq o Paulo falou no final do artigo é importante, bancar tudo por conta própria é inviável. As empresas reclamam da falta de profissional qualificado, mas naum investem em treinamento dos funcionários, pagam salários baixos e ainda por cima obrigam a trabalhar 10h/dia nos dias mais tranquilos.

Oq o gmourao falou exemplifica isso. As empresas dos países sérios investem nos profissionais, enquanto as daki cruzam os braços e reclamam. Aí vem a gente perder mercado pra empresas estrangeiras, seja na prestação de serviços em si ou na compra de empresas locais pra botar a gente pra trabalhar e só preocupar com o lucro gerado.

Lantis - MG - 29/11/2011 - 06:24 - Responder no fórum

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