Pirataria e iPods decretam a morte do CD
Avanço dos formatos digitais diminui a atratividade dos discos de plástico como mídia preferencial para armazenamento de músicas
SÃO PAULO – Não faz tanto tempo assim que uma das diversões da garotada era esperar o lançamento de um grande álbum. “Quantas músicas?; como será a capa?”
Da mesma maneira, era comum acompanhar os noticiários vindo de fora em que filas de dobrar quarteirões se espalhavam pelas lojas de discos quando um novo lançamento chegava às prateleiras.
Aqui no Brasil, o proprietário da simpática Nuvem Nove (R. Clodomiro Amazonas, 128),José Damiani, 53 anos e há mais de 30 no ramo de discos, lembra dos tempos em que o CD era considerado um produto de necessidade. “Éramos referência. A loja ficava lotada em qualquer horário e os clientes queriam saber das novidades. No fim dos anos 90, eu chegava a pedir 250 cópias de um CD novo.”
O cenário atual é bem menos animador. Damiani, quando exagera, pede 40 peças de um megalançamento, como o novo de Marisa Monte. O movimento cai, a loja vende menos, o lucro tem de ser enxugado e alguns funcionários são sacrificados. “Não há mais impacto em um lançamento. O CD virou um objeto supérfluo”, diz Damiani.
De quem é a culpa? O encolhimento mundial de 30% nos últimos cinco anos da indústria fonográfica somada à falta de investimento das gravadoras nacionais em novos artistas pode ser um dos vilões.
O empresário e produtor Rick Bonadio (Charlie Brown Jr, CPM 22, Rouge) segue a tendência das grandes gravadoras de fora. Não assina um contrato apenas visando o lucro na venda de discos. Cuida dos shows, da imagem e da parte editorial das músicas.
“É impossível sobreviver nos moldes de antigamente”, revela Bonadio. Nos EUA, a banda Korn fechou um contrato com a gravadora EMI de U$ 14 milhões por dois discos e participação nos shows e outros produtos.
“Acho cruel um novo artista ter de abrir esse tipo de precedente para assinar um contrato”, diz a vocalista do Pato Fu, Fernanda Takai, 34. “Dá até vontade de aconselhar a não assinar. Mas temos 14 anos de carreira, viabilizamos a continuidade dela de formas alternativas e baseado no público que nos conhece”, completa.
A geração internet
A pirataria, tanto digital como física, talvez seja o principal vilão dos novos tempos. Aquele moleque que se descabelava à espera do novo disco do Guns N Roses, hoje baixa gratuitamente no seu computador os novos CDs do Arctic Monkeys e do Strokes, antes deles chegarem às lojas.
A troca de arquivos digitais virou uma febre – e uma realidade. As tentativas constrangedoras de proibir a distribuição de músicas pela internet, como no caso Napster X Metallica (quando a banda de metal processou os usuários do programa), fez a indústria cair na real. “Vamos começar a fazer uma campanha de conscientização contra a pirataria”, reflete Bonadio.
“Não vamos proibir nem prender ninguém. Queremos conscientizar o público de que quanto mais ele baixar música de graça na internet, menor a chance de aparecer um novo artista.” Sua gravadora, a Arsenal, acaba de lançar o novo single de Supla via telefone celular, antes de ir para rádios e lojas. “Temos que correr atrás de alternativas”, fala.
A melhor dessas alternativas talvez seja enxergar no iPod, o tocador de MP3 da Apple, um bom moço. Nos EUA, apenas em 2005, foram vendidos 32 milhões de unidades do aparelho.
As lojas digitais disparam em vendas. No Brasil, ainda não há grandes magazines para downloads de músicas. A iTunes Store, loja da Apple, está em negociações para entrar no mercado brasileiro, segundo Bonadio.
Mas a previsão é de que o CD ainda tenha uma sobrevida. “O CD vai se modificar, não acabar”, conta o produtor. Fernanda Takai tem uma visão peculiar: “Não deixaria de lançar um álbum no formato CD. Acredito que dure um tempo mais. É importante ter tudo compilado, propor uma ordem de audição, cuidar de um projeto gráfico e oferecer esse produto bem acabado”, afirma.
Já Damiani vem com outra teoria: “Não existe até loja que só vende meias hoje em dia? As lojas de CDs vão ser tratadas dessa maneira em um futuro próximo”, completa.
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Comentários (17) Visitas (5224)
Fab
Me lembro quando trabalhava com meu pai na sua loja de CDs, que era pequena, mas chegava a faturar mais de R$1000,00 por dia, e nas épocas festivas, chegava na casa dos R$10000,00 em um único dia. Tudo começou a declinar com o barateamento das gravadoras de CDs. Ninguém mais comprava um CD, quando conversava com meus amigos, recomendando a loja de meu pai para eles, os mesmos riam de mim e falavam "Pra que comprar um CD original de R$20,00, quado se pode ter as mesmas musicas por R$5,00". Meu pai não podia contra essa tecnologia, teve de fechar sua loja e ficou desempregado por 3 anos. Mas faz parte a vida...
Fab - Belem/PA - 06/06/2006 - 18:01 - Responder no fórum
jotalizza
O CD está morrendo, sim.
A competição dos arquivos de P2P certamente é o golpe mais forte, o qual sem dúvida, alimenta a pirataria.
Mas, porquê a pirataria vende tanto?
Com certeza não é pela sua qualidade ( baixa), mas pelo preço!
No dia em que um cd original( de qualidade) estiver, no máximo só 5% mais caro que um seu clone pirata, as vendas voltarão a um nível estável.
Mas, duvido que isso aconteça. O Governo e a Indústria não cedem um milímitro na sua ânsia arrecadatória e de lucros. É o cão correndo atrás do próprio rabo.
Sem contar que é muito melhor você escolher e comprar individualmente as músicas que você prefere, do que comprar o álbum inteiro deste ou daquele artista.
Em todo caso, a própria mídia (física) em CD está correndo para a obsolecência...
Aliás, o DVD vai pelo mesmo caminho, com a popularização de hardware e softwares poderosos e mais fáceis de copiar e queimar dvd's.
Eu mesmo, nem lembro mais quando comprei um CD pela última vez...
PS. Isso não significa que apoio a pirataria, mas que quando a música me interessa, compro-a on-line, pagando cerca de um real pela mesma...
jotalizza - Grande São Paulo / SP - 06/06/2006 - 18:07 - Responder no fórum
mmps
Não acredito na morte do CD, apenas na diminuição de sua venda.
Ainda existem muitos que adoram comprar CD's, ter em mãos o encarte, a qualidade muito melhor (por melhor que seja o MP3, sempre havera perdas).
Veja o DVD, vende que nem agua no deserto hoje em dia, mesmo com conexões rapidas, gravadores por menos de R$200,00 e mídias a R$2,00
mmps - 06/06/2006 - 18:53 - Responder no fórum
saulob
Mas DVD tem um diferencial....
Antigamente quando o gravador de CD chegou, era super facil copiar um CD original, eu colocava lá o CD e pronto um igual saia....
Não é todo mundo que sabe copiar um DVD (filme original), o mesmo é maior que os dvds virgens que vendem por aí) e tem proteção.
Claro, existem programas que destravam, que diminui, tudo isso, mas nao é todo mundo que sabe fazer ou corre atras para isso.
E um gravador de DVD voce encontra LG (top de linha, novo) por volta de R$ 139,00 (um amigo meu comprou recentemente um).
Imagina, tu comprando, chegando em casa colocando para copiar o desenho do rei leão para sua filha.. quando vê... não consegue... (proteção disney e tamanho) deve dar uma raiva nao ?
Mas acontece.... é um pequeno diferencial... mas faz diferenca.
Claro, o CD ja ta nos seus fins (2 ou 3 anos), DVD, já vem tecnologia nova por ai... (blu-ray, hd, etc) e os DVD9 virgens vao ser mais comuns.. muito mais comuns.. quando for. .se prepare... haaaaaaaaaaa.... como vai mudar
Imagina, um pirata com a mesma qualidade do original ai na rua
Hoje os piratas fazem como eu (você), pegam o original, usam um programa que(...)
saulob - Recife/PE - 06/06/2006 - 19:48 - Responder no fórum
ThiagoD
SauloB,
Você falou tudo pelo o motivo no qual os DVD's não entraram na mesma rota do CD.
Eu não lembro a ultima vez que fui numa loja de cd (nem quando entrei em uma, eu me lembro) pela facilidade que tenho em minha casa de escolher minhas musicas, jogar no Ipod e levar p/ qualquer lugar.
Ja o DVD ainda faço questão de ir a uma locadora ou comprar original mesmo pela qualidade de áudio e som que a mesma oferece em relação ao mercado negro. Não existe nada pior nesse mundo do que aqueles filmes que eles jogam em VCD e ainda tem gente que consegue assistir.
Mas quando virar comum o DVD de 9gb, infelizmenet aconecerá o mesmo que aconteceu com cd. Eles vão poder cvender com a mesma qualidade de som e audio, por um preço bem menor.
Infelizmente ou os estúdios abaixam o preço (impossível, mesmo porque grande parte dele é só impostos) ou o destino é a morte.
Antes um cd de sucesso vendia milhoes aqui no Brasil. Hoje o cantor vende de 500 a 800 mil cd e já diz que é um grande sucesso pela dificuldade de vender por causa da pirataria.
ThiagoD - 06/06/2006 - 19:59 - Responder no fórum
j4nus
a soluçao é baixar os preços dos cds
5 contos um cd original ou ateh 10 reais
j4nus - São Paulo/SP - 06/06/2006 - 20:25 - Responder no fórum
Hard mod
Eu não acho que o CD está morrendo. Gosto de CDs porque entre outras coisas vem o CD, o encarte, letras de músicas, e alguns até com faixas interativas. O grande problema é que não tem nada que preste sendo lançado. Quem vai comprar, por mais que role um jaba nas radios, um cd da Wanessa "Não Canto Nada" Camargo. Não dá né!!!!
O que eu acho é que o CD tem que oferecer um algo mais. Por exemplo, que tal trocar aquela horrenda caixa preta que você compra no buscape por 50 centavos em uma caixa estilizada. Garanto que pelo preço que se cobra por um CD pague este "gasto a mais".
Player de mp3 é interessante para quem: os 15 milhões de brasileiros que tem acesso a internet e que sabem o que é mp3. Os outros 165 milhões de brasileiros compram mesmo é o piratão, porque o preço do objeto novo não compensa.
Entretanto, este é um argumento que sempre me faz perguntar se as pessoas comprariam CD se o preço fosse de 10 reais, quando o piratão custa 5. Conheço muita gente que tem um certo poder aquisitivo e não compra CD original.
Hard mod - Aracaju/Sergipe - 06/06/2006 - 21:15 - Responder no fórum
Carlos Irving
Qual era a margem de lucro do seu pai naquele tempo? Quanto ele pagava por um cd lançamento estrangeiro e brasileiro, e por quanto vendia?
Carlos Irving - Interior - SP - 06/06/2006 - 22:08 - Responder no fórum
