A Web mudou a forma de se fazer comunicação. Nenhuma novidade, mas o que poucos sabem é que mudaram apenas as ferramentas, pois na realidade o organograma ainda é o mesmo do tempo do meu bisavô. A figura do assessor de comunicação mudou para uma palavra ou gíria que não existe ’acessor’ (com ‘c’ mesmo) para comunicação. Antes que vocês digam que eu pirei, eu explico.
Assessor de comunicação é o cara que assessora e segundo o dicionário significa “Exercer função de assessor junto de; Fornecer assistência ou auxílio, geralmente a nível profissional, a alguém. = auxiliar”. A palavra ACESSOR não existe e talvez nunca exista. É uma gíria ou uma ‘forçada de barra’ para incluir a palavra ‘acessível’ a nova interpretação, e que significa “A que se pode chegar; dado, tratável.” Ou aquele que dá acesso no mesmo sentido de conectar.
Antes é importante entender o que chamam de Web 3.0. Segundo o Wikipédia o termo Web 3.0 foi empregado pela primeira vez pelo jornalista John Markoff, num artigo do New York Times e logo incorporado e rejeitado com igual fervor pela comunidade virtual. Os que eram contra baseavam suas críticas na afirmação de que a Web 3.0 nada mais é do que a tentativa de incutir nos internautas um termo de fácil assimilação para definir algo que ainda nem existe. A mesma crítica também foi feita à Web 2.0.
A Web 3.0 propõe-se a ser, num período de cinco a dez anos, a terceira geração da Internet. A primeira, Web 1.0, foi a implantação e popularização da rede em si; a Web 2.0 é a que o mundo vive hoje, centrada nos mecanismos de busca como Google e nos sites de colaboração do internauta, como Wikipedia, YouTube e os sites de relacionamento social, como o Facebook. A Web 3.0 seria uma nova forma de organização e uso de todo o conhecimento já disponível na Internet, só que de maneira mais inteligente.
Esta inovação está focada mais nas estruturas dos sites e menos no usuário. O foco da pesquisa está na convergência de várias tecnologias que já existem e que serão usadas ao mesmo tempo, num grande salto de sinergia permitindo o acesso de forma mais inteligente. Banda larga, acesso móvel à internet e a tecnologia de rede semântica, serão todos utilizados juntos e ao mesmo tempo, de maneira inteligente e na medida em que são usados ficam ainda mais espertos.
Pela teoria morreria a World Wide Web (rede mundial) para World Wide Database (base de dados mundial). O passo seguinte, que se acredita ocorra em poucos anos, será o desenvolvimento de programas que entendam como fazer o melhor uso desses dados. Funcionaria assim: Ao se pesquisar algo, o resultado seria mais preciso, pois o usuário poderá fazer perguntas ao buscador e ele será capaz de ajudá-lo de forma mais eficiente exatamente por entender melhor a sua necessidade, mesmo que ele não saiba direito o que ele deseja na realidade. O conceito de ”rede semântica”, proposto pelo inglês Tim Berners-Lee, tem entre seus defensores Daniel Gruhl, um Ph.D. em engenharia eletrônica do MIT, especializado em “compreensão das máquinas”, e o anônimo Nova Spivack, que não revela seu nome verdadeiro, mas se apresenta como empresário da alta tecnologia.
Atualmente, um mecanismo de busca como o Google já permite que o usuário pesquise o conteúdo de cada página: se indicar o nome de um ator ou de um filme, todos os dados sobre este ator ou este filme aparecerão na tela. O máximo que permite é utilizar a “busca avançada” para restringir um pouco mais os resultados. Mas se o internauta não se lembrar do nome do ator ou do filme, dificilmente encontrará meios de localizá-los. A Web 3.0 organizará e agrupará essas páginas, por temas, assuntos e interesses previamente expressos pelo internauta. Por exemplo: todos os filmes policiais, que tenham cenas de perseguição de carros, produzidos nos últimos cinco anos etc. Ou seja: dar acesso ao que poderia interessar.
Algumas empresas do Vale do Silício, na Califórnia, Estados Unidos, já desenvolvem trabalhos nesse sentido, destacando-se o Almaden IBM Research Center, a Metaweb e a Radar Networks (de Nova Spivack). No Brasil, a PUC-Rio está desenvolvendo trabalhos pioneiros para a Web 3.0 com ênfase na língua portuguesa. Paralelamente, estão em curso inúmeros projetos acadêmicos. Mas a Web 3.0 ainda engatinha e, porém, mesmo sendo uma novidade a aplicação de ferramentas inteligentes o processo já começa a interferir na forma como fazemos comunicação.
O comunicador antes da Web
O comunicador (leia-se publicitários, jornalistas e designers) antes da internet e ainda durante um bom tempo depois dela era o assessor de comunicação. Este profissional, migrado da mídia convencional, assessorava o cliente (pessoas física ou jurídica) sobre a melhor forma de comunicar uma mensagem e quais ferramentas ou tipo de texto e abordagem usar, que o conduzisse ao objetivo desejado. Ou seja: era quase uma forma de manipular a informação a favor do seu cliente. No novo modelo a figura (me permitam escrever assim para facilitar a compreensão) do ‘acessor’ veio para ligar compradores, leitores etc ao cliente dando a ambos o acesso correto à informação desejada. Este profissional descobriria as necessidades do público e até as necessidades que este público não sabe que tem e linka isso ao que o cliente deseja comunicar ou precisa comunicar. O conteúdo é gerado sob medida e adaptado tanto as características do cliente como a realidade e o perfil do emissor.
Um exemplo do que o internauta deseja pode ser inspirado no comportamento adotado pelos SACs. Quanto mais se mente e manipula, mais se perde e mais se irrita o cliente. Quando a política muda e ela passa a dar acesso do comprador a quem resolve a coisa muda totalmente de figura. A diferença entre o assessor e o ‘acessor’, é que o primeiro pode cair na tentação de tentar manipular o público que por ventura esteja pouco ou mal informado. No segundo joga-se com a verdade, sempre e esconder uma informação importante para não perder vantagem acaba por afastar em vez de manipular. Tempos atrás a Rhodia desenvolveu um case que ficou mundialmente conhecido chamado de Portas Abertas. O plano nada mais era do que abrir a empresa para comunicadores, fornecedores etc. Mas grande parte dos comunicadores esqueceu-se disso.
Estas eleições mostraram que esta forma de comunicação mudou radicalmente. Publicava-se algo na mídia convencional e em menos de 10 minutos já apareciam fatos, dados, fotos, documentos, vídeos mostrando exatamente o contrário. Um caso clássico foi o case da bolinha de papel e outro objeto que teria atingido um candidato à presidência. Em menos de 10 minutos a versão já estava desmontada na web utilizando-se de todas as formas e opiniões. Tal fato mostrou que a comunicação precisa ser repensada e que a figura do assessor começa a perder espaço para o ‘acessor’. É mais ou menos a diferença entre o “coloque as mãos na cabeça” para “Aconteceu algo estranho. Estamos com dúvidas em relação ao ocorrido. Vejam o material colhido: O que vocês acham que foi?”.
Dar acesso é primordial.
Na minha família existem vários jornalistas ou comunicadores. Começa pelo meu avô, depois pela minha mãe, uma tia e três primos. Uma delas é atriz global. A família respira comunicação há décadas, para não dizer há séculos. Meu saudoso avô me contava que na época do seu pai a forma como a comunicação acontecia era muito interessante e o que acontecia na comunidade era o que era a notícia. Do mundo afora só se sabia quando alguém vinha de viagem (aqui a grande vantagem do conceito de Aldeia Global) e assim eles tinham que acreditar em tudo que se falava. Isso fazia com que muitas lendas fossem geradas e outro tanto de mentiras também. Meu avô detestava televisão. Segundo ele a TV desinformava mais do que informava e permitia a manipulação através da imagem e do som mais facilmente do que um texto impresso.
O mundo na quela época era a comunidade e o que acontecia nela ou muito próximo dela, pois as cidades eram muito pequenas. No organograma dessa estrutura de comunicação existiam a fofoqueira, a olheira, o homem de fé pública, o jornalista e o jornaleiro. Cada um tinha um importante papel a desempenhar na circulação da informação.
“Sabe da última?”
A olheira era aquela pessoa que funcionava como um motor de busca colhendo todo sinal de qualquer coisa que poderá vir a ser motivo de notícia ou fofoca. A olheira não espalhava a informação, apenas juntava suas impressões e as repassava a quem circulava na comunidade. A fofoqueira tinha força por que tinha várias olheiras ao seu redor. Assim a fofoqueira passava na casa da olheira, que sempre estava à janela, para colher o resultado da busca. No caminho para a feira ou para a praça a fofoqueira ia montando a história e, ao chegar, já soltava a famosa frase: ”Sabe da última?” E assim se formava a rede social da época do meu bisavô. A fofoqueira tinha seus amigos e cada uma formava a sua comunidade e disputavam membros e como agora, também dava muita confusão.
Se a fofoca tinha algum fundamento ela acabava chegando aos ouvidos do homem de fé pública (aqui uma alegoria aos formadores de opinião). Esta é aquela pessoa a quem ninguém ousa contar uma mentira e por isso mesmo sempre que emitia opinião era respeitada pela alta credibilidade que possuía. Esta pessoa era o que chamamos hoje de formador de opinião e cuja credibilidade fazia que fosse respeitado pela fofoqueira (que o odiava, pois ele geralmente limpava a mentira até encontrar a verdade) e pelo jornalista. O jornalista sempre o escutava antes de fechar uma matéria.
Naquele tempo um jornal circulava, quando muito, diariamente em poucas folhas e vinha com ilustrações e muito texto. Fotos? Esqueçam. Eram rodados em tipografias. Segundo a Wikipédia, a tipografia clássica baseia-se em pequenas peças de madeira ou metal com relevos de letras e símbolos — os tipos móveis. Tipos rudimentares foram inventados inicialmente pelos chineses. A diferença entre os tipos chineses e os inventados por Gutenberg é que os primeiros não eram reutilizáveis. A reutilização dos mesmos tipos foi utilizada até bem pouco tempo atrás, constituindo a base da imprensa durante muitos séculos. Essa revolução que deu início à comunicação em massa foi cunhada pelo teórico Marshall McLuhan como o início do “homem tipográfico”. Mesmo depois da edição eletrônica de texto, a tipografia ainda permanece viva nas formatações, estilos e grafias.
Montar um jornal era uma tarefa complicadíssima. Primeiro se pegava o texto. Em seguida, o tipógrafo pegava o texto e arrumava de trás para frente. Para saber como era isso, imprima uma página de texto e a coloque de frente para um espelho. E assim letra por letra, dentro de uma caixa, era montada a página do jornal. As ilustrações eram feitas por máscaras vazadas através de corte manual e até mesmo através de xilogravura. Tudo isso tinha que estar pronto e revisado para ser rodado à noite para que pela manhã um outro personagem entrasse na história: o jornaleiro.
Ainda hoje um jornal precisa sobreviver vendendo notícias e espaços publicitários e as manchetes eram e ainda são o que faziam um jornal vender. Eram divulgadas duas por vez. Uma destinada ao imaginário popular (sensacionalismo, fofoca etc.) e a outra era um fato de utilidade pública. Para que se vendesse bastante jornal era necessário logo cedo que os jornaleiros recebessem a informação. Saber ler e entender o texto era fundamental para ser um bom jornaleiro. Este personagem era geralmente um jovem de boa imaginação e boa voz, pois precisava gritar as manchetes nas esquinas para vender o jornal e ao mesmo tempo receber o dinheiro e dar o troco. O jornaleiro seria o nosso Twitter de hoje, pois ele tinha que chamar a atenção das pessoas no mesmo tempo que se leva para ler os 140 caracteres de um twitter.
Voltando ao modelo antigo?
A velocidade e a interligação do mundo na rede fez com que o planeta todo virasse uma comunidade semelhante a que se relacionava e trocava informações na praça e nas padarias da época do meu avô. Hoje algo que acontece no Japão ou no Chifre da África vira notícia mundial em segundos e a reação é imediata e em cadeia. Exatamente como era antigamente.
Não se bebe mais da mesma fonte.
O que tem em comum entre essas pessoas e a web 3.0 é que todas dão acesso à informação cabendo ao internauta analisar quanto ao conteúdo e a inscreverem-se nos grupos que melhor atendem as suas necessidades. Acesso e interatividade é a palavra de ordem.
Não se bebe apenas da mesma fonte, mas de várias fontes. Na época do meu bisavô bastava andar algumas quadras para falar com todas as fontes de uma determinada informação. Desde a olheira até o jornaleiro. Hoje também é assim, só que muito mais rápido. Com poucos cliques e em alguns minutos uma informação pode ser checada, comparada, comentada, guardada, descartada confirma e desmentida.
Os comunicadores precisam entender que torcer o nariz para redes sociais, twitter, sites, blogs ou afins e semelhantes é o mesmo que permitir expor-se ao risco de ser manipulado, pois nem sempre inteligência está relacionada a conhecimento. No primeiro temos a capacidade de resolver problemas, na segunda tem-se a experiência adquirida pelo uso da primeira.
A web 3.0, em relação à comunicação, está cada vez mais semelhante a praça pública de antigamente onde em um mesmo lugar estavam a fofoqueira, a olheira, o homem de fé pública, o jornalista, o jornaleiro e o povo para ver, ler, escutar e debater na mesma hora – resumindo, a comunidade inteira. A diferença é que isso tinha dia e hora. Geralmente na missa dominical ou nos cafés matutinos hospedados das padarias. Tempos idos que vez ou outra voltam para nos lembrar de que mudam-se e criam-se novas ferramentas, mas o espírito humano é praticamente o mesmo quando se fala de comunicação.
Na época do meu bisavô se dizia que segredo entre duas pessoas existia se uma delas havia morrido. Atualmente, com a web, o segredo já nasce morto.
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Comentários (7)
Carlos Irving
Luis Sucupira, mudou sim mas os jornaleiros, dono de bancas, não ganham mais dinheiro como antigamente, a sorte deles é que vendem produtos que não eram da competência deles como: cartão telefônico, sorvete, livros, DVDs etc.
Não sei não , se não estão falindo bancas por aí. Em minha cidade de 110 mil hab., não há mais banquinhas em praças como haviam antigamente. Na internet vc acha muita revista e livro pirateados, não só revistas playboy, mas a INFO, Veja e muitas outras. Não duvido nada quando soubermos de alguma editora famosa falir.
Carlos Irving - Araras-SP - 20/11/2010 - 16:13 - Responder no fórum
Samuel_Pessorrusso
Atualmente assino a revista Veja, mas não irei renovar a assinatura novamente. Leio mais a versão da internet do que a revista impressa, não fico levando a revista onde vou e não tenho tempo para sentar e ler a revista inteira. Não vejo motivos para se ter algo deste tipo impresso já que você pode ler pela internet e de quebra não reduz a demanda por papel e derrubada de árvores.
Samuel_Pessorrusso - São Paulo - 01/12/2010 - 10:38 - Responder no fórum
Carlos Irving
Meu pai assinou a Revista Veja por uns 2 ou 3 anos, mas isso faz anos atrás. Agora, o que me indigna é que vc paga a assinatura de uma revista, mas 1/3 dela é propaganda. Ou seja, vc está pagando a propaganda deles, o que pra vc leitor, não interessa. Pode perceber, a cada 3 folhas da revista, tem uma propaganda...tô fora!
Carlos Irving - Araras-SP - 01/12/2010 - 21:41 - Responder no fórum
Samuel_Pessorrusso
Este é outro fator, mas isto é um detalhe específico desta revista. De qualquer forma o que me motivou a não assinar é que realmente não me interesso por ter a revista na forma impressa.
Samuel_Pessorrusso - São Paulo - 01/12/2010 - 22:12 - Responder no fórum
thiago_pc
Ô Sucupira, cadê você?
3 meses sem uma coluninha!
thiago_pc - 17/02/2011 - 21:30 - Responder no fórum
Lantis
Poisé, bullshit. Mesmo kem usa esses termos naum sabem oq significa. Vi muito falar q web 2.0 era AJAX, pior ainda qd empregada pra falar de yorkut, então forum tb devia ser 2.0. Marcketing puro.
Então essa tal de web 3.0 seria data mining combinado com Semantic Web sendo acessado pelo celular na rua? Bullshit 2.0. Se bem q muito espertinho fica rico com isso.
Anyway, esse forum há anos é chato com gramática da norma culta portenha, e esse artigo tá cheio de erros gramaticais. Pq ele naum fica todo vermelho?
Lantis - MG - 15/12/2011 - 21:38 - Responder no fórum
Lantis
Na época de escola eu assinava akele lixo. Professora bruaca obrigava, toda semana fazia trabalho com alguma matéria tendenciosa na tentativa de alienar os alunos. Eu pelo menos tinha inteligência e o feitiço ia contra o feiticeiro. Depois da bruaca rodar a assinatura rodou junto, e por anos recebi carta implorando pra assinar de volta.
Se hoje só 1/3 da revista é propaganda isso é sinal q ela perdeu prestígio, na minha época era metade ou mais. Mas kem compra a revista naum paga por isso, os anunciantes q pagam os custos do anúncio. Pelo q eu lembro, na época a quantidade de paginas com conteúdo era +- fixa, aí eles colocavam comercial on demand. Talvez pela demanda ser alta acabava tendo a mesma quantidade de páginas do q as de conteúdo, apenas significa q havia muitos anunciantes. Por isso digo q se hoje tem menos é pq a revista perdeu prestígio, a demanda por anúncios caiu.
Mas aki foi dito algo interessante q eu ainda naum tinha pensado. Hoje é inviável ficar carregando jornal e revista e muito menos ficar parado pra ler. Melhor acessar por celular ou tablet e ler qd der. Naum é a toa q alguns jornais fazem comercial mostrando o site deles em tablet.(...)
Lantis - MG - 15/12/2011 - 21:48 - Responder no fórum






