A internet, tantas vezes descrita como uma rede mundial de computadores, é um território sem fronteiras geográficas, certo? Não necessariamente. Quase dez anos atrás, quando os internautas brasileiros começaram a invadir o bom e velho Fotolog.net, isso ficou claro: a administração do site, sem recursos para bancar o rápido crescimento, tratou de impor um limite diário para novos usuários de cada paÃs. O do Brasil, naturalmente, vivia esgotado. E a gente não tardou a dar um jeitinho de se cadastrar como se estivesse em outro paÃs, geralmente por meio de um servidor proxy em terras estrangeiras.
Quando trabalhava na Globo.com, vivenciei o outro lado desta equação: a empresa é obrigada a bloquear o acesso de fora do Brasil a uma parcela de seu acervo de vÃdeos. Não é por maldade, mas por obrigação contratual com os detentores dos direitos sobre aquelas imagens. Se você mora fora do Brasil, pode prestar atenção: os vÃdeos que se recusam a rodar são quase sempre de eventos internacionais, como corridas de Formula 1 e outras competições além das fronteiras brasileiras. A idéia é que os promotores desses eventos possam negociá-los separadamente com as redes de TV e sites de diferentes paÃses.
Hoje, morando no Canadá, sofro pelos dois lados: não posso ver parte da programação brasileira, mas também não deveria ter acesso ao vasto conteúdo oferecido gratuitamente por serviços dos Estados Unidos. Aqui, como no Brasil, não temos Hulu, Vudu e afins e o acervo da Netflix fica muito aquém da sua versão estadunidense. Tenho amigos mais nerds do que eu que sempre contornaram essas limitações com VPNs que fazem com os streams de vÃdeo o mesmo que os proxies faziam com o cadastro do Fotolog, mas nunca tive paciência de configurar uma.
Até que, recentemente, ouvi falar de um tal de UnblockUs, um serviço que promete contornar essas limitações geográficas de uma forma bem mais simples: basta alterar a sequência de 12 algarismos que compõem o endereço IP do seu servidor de nomes de domÃnio – DNS, para os Ãntimos. O método é tão simples que já vi muita gente duvidar que funcione (eu, inclusive). Mas, na dúvida, não custa nada experimentar. Literalmente, já que o primeiro mês do serviço é gratuito.
Depois de se cadastrar pelo site, você só precisa configurar o novo DNS no equipamento usado para acessar a internet. Tanto pode ser no computador, como na televisão, videogame, smartphone ou seja lá onde for que você quer assisitir aos vÃdeos “importados”. Para quem tem um monte desses gadgets, o jeito mais fácil é trocar logo o DNS do roteador e poupar o trabalho de configurar cada aparelho. Foi exatamente o que eu fiz, em apenas alguns segundos. E, acreditem se quiser, funcionou!
Pesquisando sobre o UnblockUs, encontrei gente preocupada com a (in)segurança de usar um DNS alternativo sem uma conexão segura, o que permitiria que alguém redirecionasse também os seus acessos a sites de bancos, lojas virtuais e coisas do gênero. Há quem sugira usar uma rede sem fio só para isso ou voltar para o DNS padrão do provedor quando não estiver usando nenhum serviço americano. Outros rebatem com o argumento de que uma rápida conferida no roteamento das conexões mostra que o UnblockUs só “sequestra” (no bom sentido) os acessos aos sites de conteúdo restrito mais famosos.
Esta, por sinal, é a maior limitação do serviço: ele só funciona para os sinais bloqueados mais populares, pois estes precisam ser configurados um-a-um pela equipe do Unblock-Us. Ainda não serve para ver conteúdo restrito do Brasil aqui do Canadá, por exemplo. Na verdade, fiquei até na dúvida se daria certo no Brasil, já que a empresa é sediada aqui em Toronto e claramente focada no mercado canadense, mas já li relatos brasileiros de que funciona sim. Se você já usou, que tal dividir a experiência lá na área de comentários?
No meu caso, a prova de fogo foi assinar a Netflix americana e assistir aos filmes no XBox. Para isso, ainda tive que usar um outro truque sugerido no site do UnblockUs para conseguir usar meu cartão de crédito canadense: como os códigos postais (o equivalente ao CEP) daqui têm letras e números, é preciso achar um ZIP code americano válido que contenha os mesmos algarismos do seu código. No Brasil não deve ser diferente: procure seu CEP ou uma outra combinação dos mesmos algarismos no site do correio americano até encontrar uma sequência que corresponda a um ZIP code existente e experimente colocá-la no cadastro do Netflix. E depois me conte se funcionou
Por falar em cadastros e pagamentos, uma outra dúvida em relação ao UnblockUs é como eles fazem para verificar se você realmente assinou o serviço depois do primeiro mês de experiência se o DNS não tem qualquer autenticação? Não deve ser pelo endereço IP, pois quase todo usuário residencial tem IP dinâmico, que muda frequentemente. Andaram especulando que poderia ser por meio de um cookie, mas também não há nada que nos impeça de apagá-lo periodicamente e começar a “testar” o serviço de graça por mais um mês. Honestamente, não faço a menor idéia. Alguém sabe?
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Comentários (6)
agnaldomax
No Brasil, para assinar o Netflix é necessário número do catão de crédito ou conta do Paypal (acredito que nos Estados Unidos e Canadá seja igual aqui), o que vincula ao nome do assinante e impede outro mês de assinatura grátis...
agnaldomax - 08/02/2012 - 08:20 - Responder no fórum
angelico
Ao invés de burlar as leis deverÃamos respeitá-las ou lutar para a sua mudança.
Pagar para ter liberdade ilegal é o fim da picada...
Pisou na bola Julio.
angelico - Brasil - 09/02/2012 - 17:28 - Responder no fórum
Burn/Omegafire
Talvez o rastreamento seja feito atraves do mac adress da placa de rede ou do modem do usuario. De qualquer maneira, bom saber sobre o serviço.
Burn/Omegafire - 10/02/2012 - 13:59 - Responder no fórum
Emerson_RJ
Bacana essa dica.
Concordo que essas restrições são muito chatas e tiram o propósito da internet.
Esse macete do CEP eu usava quando não havia playstation store para o Brasil. Funciona mesmo: é só colocar um cartão de credito internacional e os 5 primeiros números do seu cep (tem que ser o mesmo cep do cadastro do cartão de crédito). Veja qual é a cidade americana que corresponde a esses 5 números (a minha fica no estado de Washington, por exemplo) e marque essa cidade e estado.
Mas, para nós brasileiros, tem tb o "tunnel bear", que é mais simples, pois basta instalar o software.
Porém existem dois problemas:
1 - a conexão fica mais lenta - quando eu tinha 10 Mb/s, caÃa pra 1Mb/s. Agora que tenho conexão de 35Mb/s cai para 6Mb/s (suficiente pra ver videos tranquilamente)
2 - o segundo problema é que só disponibiliza 1GB de dados por mês. Acima disso tem que pagar um plano. Na verdade são 500MB + 500MB se vc "tuitar" uma mensagem (não precisa seguir o tunnel bear no twitter, só "tuitar")
O tunnel bear libera para USA e U.K. http://www.tunnelbear.com
Emerson_RJ - Rio de Janeiro - RJ - 12/02/2012 - 19:44 - Responder no fórum
EduLima
Não entendi a definição de "12 algarismos que compõem o endereço IP". Afinal de contas o serviço citado ainda é IPv4 e o endereço IP é formado por 4 octetos (4 números de 8 bits).
Seriam 12 algarismos se, por coincidência, fosse algo tipo 200.201.202.203. Mas se fosse 200.201.202.99 seriam 11 algarismos. E por aà vai. Levei um tempo para entender o número 12.
Quanto ao UnlockUs, provavelmente os servidores de DNS alternativos resolvem os IPs dos servidores do Netflix de forma diferente. Ou seja, ao invés de informarem o IP do servidor do Netflix,
informam o endereço IP de um proxy. Esse proxy deve ser localizado nos EUA e é ele quem estabelece a conexão com os servidores do Netflix, repassando todo o tráfego para o seu computador.
Assim, para o Netflix, a conexão de origem está dentro dos EUA e não há restrições.
Se esses servidores de DNS alternativos estiverem atuando como proxy apenas do Netflix, a única preocupação seria com esse tráfego especÃfico.
Mas uma vez que você troca o servidor de DNS no seu roteador, todos os sites que você acessa serão resolvidos através desses servidores alternativos.
Quem garante que amanhã não(...)
EduLima - 13/02/2012 - 13:28 - Responder no fórum
Edmir
Não há nenhuma lei especÃfica quanto a isso, se não há lei, não há nada de ilegal.
Como o próprio Júlio explicou, é apenas uma artimanha de algumas empresas para maximar seus lucros.
Eu já fiquei chateado várias vezes por querer ver um vÃdeo no youtube e não conseguir ver por essas restrições.
Parabéns pela iniciativa Júlio.
Edmir - Fortaleza - 23/02/2012 - 11:35 - Responder no fórum

