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O pixel em questão

A tecnologia por trás da imagem

DLink DCS-932L: uma câmera IP que enxerga até no escuro, mas ouve muito mal

Postado as 17:44 - 31/12/2011 - Por Julio Preuss. Categorias: Fotografia Digital, Segurança, Vídeo Digital.

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Como todos os que me acompanham nas redes sociais devem estar cansados de saber, virei papai há pouco mais de uma semana. E como optamos por fazer o parto em casa, encontrei a desculpa perfeita para comprar mais um gadget que tinha vontade de experimentar faz tempo: uma câmera IP wireless. A idéia era transmitir o parto para os parentes mais próximos, no Brasil, e depois deixar o brinquedo apontado para o berço, para podermos bisbilhotar o bebê de qualquer lugar do mundo.

A DCS-932L se destaca pelos leds infravermelhos ao redor da lente

A DCS-932L se destaca pelos leds infravermelhos ao redor da lente

A escolhida foi a DCS-932L, da DLink, simplesmente por ser a única com o recurso de visão no escuro que estava em oferta na ocasião. O preço normal dela é $ 120, aqui no Canadá, mas dá para encontrar por US$ 100, nos Estados Unidos, apesar de o preço de tabela ser US$ 150. Algumas alternativas seriam a TV-IP312W, da TrendNet, um pouco mais cara, ou alguns modelos da Foscam, com direito até a pan e tilt motorizados. Cheguei a dar uma olhada também nas opções da Linksys/Cisco, mas não achei nenhuma com o recurso “dia e noite”.

Na prática, a tal visão noturna nada mais é do que uma coleção de leds de luz infravermelha, invisível ao olho humano, ao redor da lente. Quando a câmera percebe que a iluminação do ambiente se tornou insuficiente, ela acende esses leds e remove mecânicamente o filtro IR da lente, com um barulhinho claramente perceptível se estivermos prestando atenção. Para quem está acompanhando à distância, a principal diferença é que a imagem fica preto-e-branca – além, é claro, de se beneficiar da iluminação invisível dos leds.

Comparativo entre as imagens normais e com infravermelho

Comparativo entre as imagens normais e com infravermelho

Todas as câmeras digitais são capazes de captar luz infravermelha, mas os fabricantes colocam esses filtros para evitar distorções na faixa de luz visível. Tanto que tem gente que tira o filtro na marra, pra captar imagens infravermelhas pra lá de interessantes – dê só uma olhada no grupo Digital Infrared, do Flickr. O que as câmeras com visão noturna fazem é remover o filtro automaticamente, quando necessário, e iluminar a cena com os tais leds de luz invisível a olho nu. No exemplo acima, repare como o reflexo nos olhos da Milly entrega a existência de uma nova fonte de luz.

Para quem está acostumado às novas webcams de alta definição, a qualidade da imagem da DCS-932L deixa a desejar. Sua resolução máxima é um humilde VGA, de 640 x 480 pixels, mas isso ainda faz a taxa de atualização cair para 20 quadros por segundo. Em 320 x 240 ou 160 x 120, dá para filmar em 30 fps – o que não quer dizer que a transmissão será totalmente fluida, pois isso depende da qualidade da conexão. A câmera suporta 802.11b, g, e n, mas se a sua banda de internet estiver comprometida com um monte de torrents ou a latência até o servidor da DLink estiver alta, o vídeo ficará picotado e com um atraso enorme.

O maior problema da DCS-932L, no entanto, não é o vídeo. É o áudio. Ou melhor, a ausência dele. Não que a câmera não conte com um microfone embutido – ele está lá sim, mas funciona muito mal. O problema é que esse microfone ora capta um som tão baixo que é como se não existisse, ora sofre tanto com a interferência da transmissão sem fio que seria melhor que não existisse. Algumas avaliações chegam a recomendar o uso da câmera sem fio plugada num cabo ethernet, para minimizar a interferência, mas aí qual a graça dela ser wireless? Na boa? É melhor desligar o áudio e pronto.

E já que falamos no servidor da DLink, este é um dos pontos essenciais para se transmitir vídeo para a internet. Como a maioria de nós usa endereços IP dinâmicos, atribuídos pelo provedor a cada nova conexão, não é lá muito simples deixar uma câmera (ou qualquer servidor web) acessível via internet, pelo simples fato de seu endereço mudar constantemente. Sim, existem N formas de contornar essa limitação, mas se você só quer ligar sua câmera IP e não ter que se preocupar com isso, a melhor saída é comprar uma que já venha com um serviço como o MyDLink, que cuida de tudo para você.

Aplicativo MyDLink Lite no iPhone

Aplicativo MyDLink Lite no iPhone

Outra coisa legal desse serviço é que ele permite acessar o vídeo das suas câmeras via aplicativos para Android e iOS. Experimentei no iPhone, iPad e HTC Desire Z e todos funcionaram perfeitamente, com uma única ressalva: o MyDLink Lite, para os celulares, restringe o vídeo a um minuto de vídeo de cada vez. Passados os 60 segundos, é preciso reconectar. A DLink explica que isso acontece devido a uma limitação do seu roteador, mas isso não passa de uma bela lorota – o MyDlink+, para iPad, não tem a tal restrição. Mas custa US$ 4.99 (está em promoção até hoje, por US$ 0,99).

Seria legal que o MyDlink oferecesse alguma forma de compartilhar o vídeo das suas câmeras com amigos e parentes que não lhe obrigasse a dar seu login e senha para eles e que permitisse remover o acesso de determinados usuários, sem afetar os demais. Aqui em casa, por exemplo, volta e meia ficamos meio paranóicos de alguma das pessoas que têm a senha estar nos observando (ou pior, ouvindo nossas conversas, ainda que com o áudio ruim) e acabamos tirando a câmera da tomada, já que ela não tem botão liga/desliga.

O último senão da câmera IP da Dlink já é algo até esperado deste tipo de produto e garante a diversão dos usuários mais técnicos, como a comunidade aqui do Fórum: seu processo de instalação e configuração está longe de ser “à prova de idiotas”. Comigo, a dificuldade começou antes mesmo de iniciar a instalação: o CD que vem com a câmera não tem versão para Mac. E o PC da minha esposa não tem unidade ótica. Acabamos os dois baixando os programas do site da DLink, pra ver quem conseguia fazer a câmera funcionar primeiro.

Enfrentamos todo o tipo de obstáculo: programa de instalação travando, Java do navegador sendo reinstalado ao infinito, atualização obrigatória de firmware, versão incompatível do instalador e, finalmente, câmera funcionando conectada via ethernet, mas desaparecendo a cada tentativa de acessá-la via WiFi. No final das contas, nem sei direito o que resolveu esta última parte, mas pelo menos a câmera passou a funcionar sem a necessidade do cabo. Tudo bem… se fosse tudo plug and play, não teria graça :-)

Comentários (2)   

hond_x

Eu tbm tava a procura de uma desculpa pra comprar/testar essas cameras IPs... Tava curiosíssimo pra saber se presta ou não... No meu caso acabei comprando sem desculpas mesmo nesses sites chineses que tem aos montes like de/dh/ali (peguei um modelo da wanscam -pan/tilt/IR/audio/mic-, pois era o mais barato com WPA2 -U$60 com frete-, tem mais baratos, mas eram WEP, e aí teria que baixar a segurança do wifi e isso não queria)

Primeira impressão: ao configurar, nenhum susto, isso conectado ao PC via cabo lan. Fiquei empolgado pois foi fácil, sem precisar usar os cds deles já aparecia a imagem e conseguia controlar a IPCAM no navegador...

Depois veio a complicação: deixei tudo "acertado" pra poder retirar o cabo de lan e conectar no router diretamente... aí complicou.
Penei até descobrir que o canal q usava no wifi -13- fixo/upper (largura de 40Mhz que chegava até a faixa do canal 14) era incompativel, tive que baixar até o canal 11. E também que a senha WPA2 q usava era muito complexa, tinha caracteres especiais como ~¥, que tive que retirar.. Depois disso conectou ao router, mas isso depois de até ter instalado o CD dele a contragosto tentando resolver(...)

hond_x - Tokyo - Japão - 03/01/2012 - 17:46 - Responder no fórum

EduLima

Caracteres "complexos" numa senha não deveriam tornar nenhum sistema mais lento. O caractere é apenas uma representação de um código binário.
E um teclado apenas associa esses códigos à cada tecla. Se você usa um caractere não mapeado no seu teclado, a única lentidão será a SUA ao ter que digitar usando a tecla ALT e o código numérico,
por exemplo. E provavelmente terá mais risco de esquecê-lo.

EduLima - 09/01/2012 - 14:25 - Responder no fórum

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