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Julio Preuss
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O pixel em questão

A tecnologia por trás da imagem

Nova geração de games portáteis será uma batalha sem perdedores

Postado as 00:04 - 31/01/2011 - Por Julio Preuss. Categorias: Consoles & Acessórios, Gadgets.

5votos  

Uma semana depois do anúncio do sucessor do PSP e a menos de um mês da estréia do 3DS, é hora de olhar com mais atenção o mercado de videogames portáteis e já ir pensando em qual deles apostar nossas tão disputadas economias. Me arrisco a dizer que será uma batalha sem vencedores. Ou, melhor, sem perdedores, pois cada um deve encontrar seu espaço e divertir milhões de gamers por horas e horas a fio. Inclusive um terceiro competidor que, correndo por fora, provavelmente já é o líder da jogatina móvel.

Nintendo 3DS

A quinta versão do Nintendo DS, herdeiro do inesquecível GameBoy, chega ao mercado japonês em menos de um mês e, na Europa e América do Norte, até o fim de março, com preço sugerido de US$ 250. Com quase 150 milhões de unidades vendidas desde 2004 e o título de portátil mais popular da história, a família DS detém uma liderança confortável no mercado de portáteis, mesmo sem a tecnologia mais avançada.  Não por acaso, a mesma estratégia que a Nintendo adotou com o Wii, outro líder de vendas graças à diversão que proporciona para o público em geral, apesar das especificações modestas.

A principal novidade do 3Ds, presente até no nome do produto, é a capacidade de exibir imagens tridimensionais na maior de suas duas telas (3,5 e 3 polegadas). Só que, ao contrário do que já nos acostumamos a ver no cinema e começamos a encontrar nas TVs de quem tem dinheiro sobrando, no console da Nintendo não é necessário usar óculos especiais para desfrutar o efeito. Isso é possível porque, no caso do portátil, a posição da tela em relação aos olhos do jogador não varia muito, permitindo que ela seja desenhada para mostrar uma imagem diferente para cada olho – daí o fato de a resolução de 800 x 240 pixels funcionar, na prática, como 400 x 240. A Nintendo já tinha tentado tridimensionalizar seus jogos mais de uma vez no passado, mas talvez agora tenha acertado o formato. Saberemos nos próximos meses.

De resto, o 3DS ganhou uma terceira câmera (agora tem uma virada para frente e duas para trás, para capturar imagens em 3D), um stick analógico e um conjunto de giroscópios e acelerômetros. A idéia é usá-los em joguinhos de realidade aumentada, mas sabe-se lá o que mais vão desenvolver para fazer uso desses recursos. Por fim, embora isso não seja exatamente um atrativo para o consumidor, o 3DS também terá um novo sistema de proteção contra pirataria baseado em atualizações automáticas de firmware, mas deve ser só uma questão de tempo até alguém dar um jeito de contorná-la.

Nintendo 3DS: três dimensões a olho nu

Nintendo 3DS: três dimensões a olho nu

Sony NGP

Conforme relatado pelo Wesley, na semana passada, a Sony anunciou oficialmente o sucessor do PSP, de nome-código NGP (abreviatura de Next Generation Portable). Embora muitos viessem se referindo a ele como o PSP2, aparentemente a empresa pretende adotar uma nova marca, para reforçar a idéia de que o portátil será a base de uma nova geração de produtos. Faz sentido. Depois de ter batizado variantes do PSP original como PSP2000 e PSP3000, sem falar no ainda mais portátil PSP Go, chamar um novo produto de PSP2 poderia causar uma certa confusão.

O que importa é que o NGP, com previsão de lançamento para o fim de 2011, promete repetir a receita do PSP, apostando pesado no hardware para garantir pelo menos a liderança tecnológica do segmento. A começar pela tela OLED de 5 polegadas, ligeiramente maior que as 4,3 polegadas do PSP, mas com resolução quatro vezes maior, cores teoricamente bem mais vivas e, como não poderia deixar de ser, sensibilidade ao toque com multitouch. Em relação aos controles, o NGP terá praticamente os mesmos botões do PSP, com o acréscimo de um segundo stick analógico e, o mais interessante, um touchpad traseiro com dimensões idênticas às da tela – imagine só o que os criadores de jogos não vão inventar com essa nova interface…

Assim como o 3DS, mas provavelmente inspirada em smartphones como o iPhone, cuja variedade de sensores abriu caminho para aplicações no mínimo inovadoras, a nova geração do portátil da Sony também virá equipada com acelerômetros, bússola e um par de câmeras, para joguinhos de realidade aumentada e coisas do tipo.  Por fim, o NGP terá tudo o que se pode esperar em termos de conectividade: WiFi 802.11n, Bluetooth e até 3G, para transferir dados via rede celular. Os jogos serão distribuídos via rede ou em cartões de memória proprietários, o que significa o fim do formato UMD (Universal Media Disk), os disquinhos usados no PSP.

Sony NGO: o PSP2 aposta na conectividade

Sony NGO: o PSP2 aposta na conectividade

iPod Touch

Calma. Antes que eu seja apedrejado por incluir um MP3 player com crise de identidade numa lista de consoles portáteis, tratemos de lembrar que aqui no Fórum mesmo já se falou da vocação para jogos da plataforma iOS. Mais que isso: em novembro do ano passado, o Unofficial Apple Weblog publicou um levantamento mostrando que o número de jogos para iOS já era quase três vezes maior que a soma de todos os títulos para todos os modelos de consoles fabricados desde o primeiro Nintendo, em 1986. Descontadas as versões de demonstração, o total ficava sendo “apenas” o dobro. Os games para iOS ainda perdem para os joguinhos em Flash e para a soma dos jogos para computadores pessoais dos anos 1980 e 1990, mas não dá para desconsiderar o fato de que a plataforma da Apple tem só três anos de vida, contra as décadas de existência das demais. E para quem acha que quantidade de títulos não significa nada, é bom lembrar também que, dois meses antes, uma pesquisa da Newzoo revelou que os dispositivos da Apple já tinham um público de jogadores virtualmente igual ao do Nintendo DS e mais que o dobro dos adeptos do PSP.

Feita esta ressalva, voltemos ao iPod Touch. Decidi incluí-lo aqui porque, dentre todos os atuais gadgets da Apple, é o que mais se assemelha a um videogame portátil. Claro que o iPhone faz tudo o que o Touch faz e mais um pouco e que o iPad tem ainda mais opções de jogos, mas um requer um plano de telefonia para atingir todo o seu potencial, o outro não é tão portátil assim e ambos são bem mais caros que os concorrentes da Nintendo e da Sony. Já o iPod Touch, com preço a partir de US$ 230 (na versão de 8 GB), é uma alternativa perfeitamente viável para quem estiver pensando em comprar um 3DS ou um NGP. E, acreditem, nos Estados Unidos eles já estão se popularizando entre crianças e adolescentes que não fazem a menor questão de um iPhone.

Em sua quarta geração, o Touch ganhou uma tela “Retina” de 3,5 polegadas e 960 x 640 pixels igual à do iPhone 4, assim como o par de câmeras, o giroscópio e o processador A4 do primo telefônico – além, é claro, do sistema operacional iOS com o recém-lançado GameCenter. No site da Apple, o serviço de jogos é listado como um dos principais recursos do iPod Touch, com destaque para a possibilidade de disputar partidas com (e contra) seus amigos do mundo real. Sony e Nintendo também tem suas redes multiplayer, mas talvez a Apple consiga se valer da experiência em outros mercados (ou de uma aproximação com o Facebook) para virar referência na área.

iPod Touch: carona no sucesso do iPhone

iPod Touch: carona no sucesso do iPhone

Qual a sua aposta?

Em minha humilde opinião, a família iOS vai continuar conquistando adeptos e atraindo os desenvolvedores, tornando-se a maior plataforma de games portáteis de todos os tempos. Mas isso não vai ameaçar a hegemonia da Nintendo entre segmentos específicos da população (principalmente as crianças) nem fazer com que os maníacos por gadgets deixemos de comprar o NGP, só pelo prazer de experimentá-lo. E você, já sabe se vai comprar algum desses portáteis? E, independente da sua preferência pessoal, o que acha que vai acontecer nesse mercado?

Comentários (6)   

«Maverick»

Eu acredito que o lançamento desses novos portáteis mantenha as coisas como estão, o 3DS será mais para as "crianças" e o NGP será para os entusiastas.

Acho vale uma ressalva em seu artigo: logo no começo tem a frase: "Ou, melhor, sem perdedores, pois cada um deve encontrar seu espaço e divertir milhões de gamers por horas e horas a fio."

Como se trata de portáteis, o mais correto seria, "por horas sem fio".

«Maverick» - Guarulhos/SP - 31/01/2011 - 19:16 - Responder no fórum

Phiron

Pessoalmente eu acredito no 3DS liderando simplesmente pelo fato de ser 3D, pessoalmente fiquei muito interessando no dispositivo, no entanto de uma forma geral não acredito que o segmento portátil irá continuar com o mesmo fôlego devido à nova leva de celulares, é muito mais simples ter os jogos em um aparelho celular e transportar apenas um dispositivo do que ter que transportar diversos, com o iOS e Android a briga está grande, eu tenho um symbian S60 v5 e tenho diversos jogos bacanas e emuladores e estou muito contente...
Sem dúvida se fosse pra apostar eu apostaria nos celulares modernos como principal plataforma de jogos portáteis.

Phiron - Montes Claros- MG - 01/02/2011 - 16:00 - Responder no fórum

Clint

Comprei um Ipod Touch de quarta geração pensando especialmente nos jogos, mas o fato de a AppStore brasileira ser limitada é extremamente frustrante.

Phiron;
Antes do seu lançamento eu até estava empolgado com o Android, mas com a fragmentação do mesmo e com a exigência de hardware das novas versões vi que não seria uma boa opção para jogos.

Clint - 02/02/2011 - 12:25 - Responder no fórum

Nelson-

eu acho que um netbook 3g está na medida , o ipad é falho pois não tem teclado , notebook é grande demais e esses portáteis sem comentários , só servem pra jogo

Nelson- - 02/02/2011 - 13:58 - Responder no fórum

Phiron

Isso é Verdade, no entanto, a nova versão do SDK do android permite o desenvolvimento de programas nativos o que diminui a exigência de performance, quanto à fragmentação não tem muito problema quanto o pessoal fala devido ao Dalvik, vamos ver o que o futuro nos reserva, mas já existem bons jogos disponíveis para a plataforma.
Mas nada como o iOS ainda.

Phiron - Montes Claros- MG - 02/02/2011 - 14:12 - Responder no fórum

SKuLL_DeviLL

Julio, recentemente (essa é uma news que está em notícias pendentes) Reggie Fils-Aime, presidente da Nintendo América, disse que o preço baixo dos jogos para smartphones representam uma ameaça para a indústria de jogos. Lendo o seu artigo, vi que você não concorda muito com essa visão, estou certo? Qual sua opinião sobre isso? Realmente existe uma guerra silenciosa entre smartphones e consoles portáteis?

SKuLL_DeviLL - Niterói-RJ - 06/02/2011 - 13:41 - Responder no fórum

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