Já escrevi aqui sobre a grande preocupação do Google com o consumo elétrico de seus datacenters e sobre os carros elétricos da empresa . Só que, em tempos de consciência tecnoecológica, quando até o consumo dos avatares do Second Life (quase igual ao do brasileiro médio) vira objeto de preocupação, é natural que outras gigantes de tecnologia se juntem à causa da economia de energia em seus datacenters
Um bom exemplo é a IBM, que anunciou , há três meses, o “Projeto Big Green” – uma referência ao apelido Big Blue. Com investimento anual de US$ 1 bilhão, a iniciativa tem como objetivo a otimização energértica dos datacenters da empresa e de seus clientes. Na própria IBM, que tem quase 750 mil metros quadrados de datacentes em seis continentes, a meta é dobrar a capacidade de processamento em três anos, sem aumentar o consumo elétrico.
Já para os clientes, a IBM afirma que, num datacenter típico, com cerca de 2,3 mil metros quadrados, é possível economizar 42% da energia – o equivalente a 7,4 toneladas de emissões de carbono por ano – com a simples adoção de equipamentos mais eficientes. E cita dados do IDC para mostrar que a economia também pesa no bolso: segundo o instituto de pesquisa, para cada dólar gasto em hardware, 50 centavos serão gastos em eletricidade – valor que tende a atingir os 71 centavos nos próximos quatro anos.
Segundo Tom Raftery , o blogueiro mais famoso da Irlanda e responsável pelo Cork Internet Exchange (CIX) , o primeiro datacenter profissional fora da capital de seu país, o consumo de um rack típico vem crescendo rapidamente: de 1,5 KW, há sete anos, para 4,5 KW, há quatro, e 15 KW, no ano passado. Seu objetivo, conforme apresentado na conferência Reboot , é um datacenter neutro em carbono – toda a energia consumida seria gerada pelo vento ou pela queima de biodiesel comprado dos fazendeiros locais. E o excedente seria vendido para a companhia elétrica.
Para tanto, o primeiro passo de Tom foi projetar um datacenter altamente eficiente. E, a julgar pela apresentação feita em maio e pelo blog que acompanha a montagem das instalações, a principal medida neste sentido é otimizar o sistema de refrigeração das máquinas. Uma das técnicas empregadas, aproveitar as baixas temperaturas da região, não se aplicaria a um datacenter no Brasil, mas as demais soluções descritas por ele podem ajudar.
A IBM, por sinal, também está prestando bastante atenção na questão da refrigeração em sua iniciativa Big Green. Vide as imagens abaixo, que retratam a distribuição de calor em um servidor e a ferramenta de simulação de datacenter que a empresa pretende usar para otimizar os projetos. Os freqüentadores assíduos do Fórum sabem como uma boa estratégia de refrigeração é fundamental para tirar o máximo de desempenho de um computador. O desafio agora é fazê-lo gastando o mínimo de energia.
Já se você não é responsável por nenhum datacenter, pode dar sua contribuição pessoal apoiando a iniciativa Climate Savers Smart Computing , que já foi assunto de uma outra coluna , ou simplesmente pensando um pouco no assunto na hora de montar seu próximo PC. A Corsair, por exemplo, anunciou recentemente um par de fontes de alimentação com eficiência de, no mínimo, 80%:
Update: entre começar a escrever esta coluna e terminá-la, dei de cara com uma notícia sobre o mesmo tema no site da revista Magnet, sob a batuta do ilustre C@T. A novidade é o relatório que a EPA, agência ambiental responsável pelo programa Energy Star, preparou, a pedido do Congresso Americano. Divulgado no fim da semana passada , o estudo aborda justamente o aumento do consumo dos datacenters e analisa formas de evitá-lo. Quem trabalha na área não pode deixar de ler.
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Comentários (13) Visitas (15145)
Zerstörer
S!
Pois é, os fabricantes estão buscando obter mais com menos, basta analizar os consumos dos novos processadores.
Pena que a indústria de GPU's esteja indo na contramão da história, criando placas que necessitam cada vez mais energia
Zerstörer - Santos/Caxias do Sul - 09/08/2007 - 11:42 - Responder no fórum
xicojueio
já estou fazendo minha parte, retirei o overclock do meu pc. Pelo menos é um começo, retomo o over só quando quero jogar.
xicojueio - Santa Maria/RS - 09/08/2007 - 12:13 - Responder no fórum
chantinon
Esse projeto do CIX é bem interessante... Mas sou pessimista.
O ser humano só reage quando a situação já crítica.
Só será realmente gasto esses bilhões que todos falam quando começar a faltar água no mundo todo. Quando só existir luz elétrica 12 horas por dia... Até lá, vamos continuar com nosso conforto e comodidade.
chantinon - 09/08/2007 - 12:53 - Responder no fórum
phsm
Eu acredito que para aumentar a eficiência de um datacenter é necessário fazer uso de processadores energeticamente mais eficientes e técnicas de virtualização.
Muitos servidores não têm todo seu potencial explorado ficando com a carga do sistema em 2%...3%, e hoje com instruções de virtualização dentro dos processadores o overhead é mínimo e a complexidade da implementação é menor.
phsm - Litoral Paulista - 09/08/2007 - 13:30 - Responder no fórum
perubira
Me interesso bastante pela eficiência também. Recentemente aposentei a Seventeam ST350-BKV que é pouco eficiente e instalei uma Zalman 460W (fabricada pela FSP) com o certificado 80 plus. É brutal a diferença de temperatura entre as fontes sob mesma carga, a Zalman esquenta muito menos!
s
perubira - Campinas - 09/08/2007 - 16:31 - Responder no fórum
Demogorge
Essas fontes da corsair são na verdade fabricadas pela seasonic e remarcadas com o seu próprio nome. Eu nunca entendi por que a seasonic não possui algum interessado em representa-la no Brasil. Suas fontes em comparativos no exterior sempre ganham no quesito eficiência, confiabilidade e principalmente no de silêncio proporcionado.
Eu estou montando um novo pc agora, e aproveitando que vou este pc por longas horas a fio, comprei uma seasonic com 88% de eficiência e você não acreditaria que preciso ficar a 10 centimetros da fonte para ter certeza que está funcionando de tão silenciosa!
Demogorge - belo horizonte - 09/08/2007 - 18:23 - Responder no fórum
prescot-san
América, Europa, África, Ásia, Oceania e... Antártida? rsrs
Eu não entendo esse negócio de "nos vamos aumentar a eficiência em 3 vezes, aumentamos nosso poder em 3 vezes com a mesma quantidade de energia". Putz, que paradoxo! Até onde eu sei, pra que algo realmente mude nesse aspecto é necessário que se diminua o consumo de eletricidade e emissão de carbono. Esse negócio de aumentar eficiência, mas continuar gerando a mesma coisa (eletricidade e poluição) não muda nada.
prescot-san - 10/08/2007 - 01:02 - Responder no fórum
Undeon
América, Europa, África, Ásia, Oceania e... Antártida? rsrs
Eu não entendo esse negócio de "nos vamos aumentar a eficiência em 3 vezes, aumentamos nosso poder em 3 vezes com a mesma quantidade de energia". Putz, que paradoxo! Até onde eu sei, pra que algo realmente mude nesse aspecto é necessário que se diminua o consumo de eletricidade e emissão de carbono. Esse negócio de aumentar eficiência, mas continuar gerando a mesma coisa (eletricidade e poluição) não muda nada.
Muda sim... Veja por outro angulo... à alguns anos um data center consumia 4,5kw... agora são 15... Se à alguns anos eles tivessem o poder atual consumindo 4,5... teriamos uma tremenda economia...
Se mantiver a média... daki a alguns anos, são 45kw... E eles não querem isso... capit?
Undeon - 10/08/2007 - 08:59 - Responder no fórum





