Existe uma máxima de que as lojas fÃsicas estão perdendo muitas vendas para a internet mas, ao mesmo tempo, fazem parte do processo de compra dos consumidores online. A idéia é que as pessoas vão à s lojas reais para ver e experimentar os produtos mas depois os encomendam de uma loja virtual que tenha preço menor e, no caso dos Estados Unidos, não cobre impostos sobre a venda por estar fisicamente localizada em outro estado.
Pois uma pesquisa realizada pelo Yahoo! e pela ChannelForce acaba de comprovar que a internet também colabora com as vendas das lojas do mundo real – pelo menos quando o assunto são eletrônicos. A conclusão do estudo é que os consumidores que pesquisam o produto na web antes de ir a uma loja fÃsica gastam mais do que os que vão direto à loja. Em números, esses consumidores melhor informados gastam US$ 31 a mais em câmeras digitais e US$ 139 a mais em televisões, por exemplo.
Dos consumidores que disseram ter pesquisado o produto em mente antes de ir à s compras, 75% usaram a internet – sendo que a maioria deles recorreu a sites de e-commerce (73%) e dos próprios fabricantes (68%). Quase a metade (49%) declaram ter usado ferramentas de busca. Mais de 80% dos consumidores acabaram comprando um produto da marca considerada inicialmente – os outros 20% se deixaram influenciar pelo vendedor. Por outro lado, 75% dos compradores não sabia o modelo que queria ao entrar na loja.
Resta saber se o consumidor gasta mais por estar melhor informado – como alegam os realizadores da pesquisa – ou se já estava mesmo mais inclinado a gastar mais e, por isso, pesquisou antes. Alguém precisa de pesquisa para saber que quem compra um carro provavelmente se informa mais sobre ele antes do que quem compra um pneu? Assim como na pesquisa que mostrou que donos de MP3 players compram mais eletrônicos , se olharmos desta forma, a conclusão nos parece meio óbvia.
O impacto da população sem-fixo nas pesquisas
Já que o tema é pesquisa de mercado, um estudo da Pew Research divulgado ontem revela uma preocupação interessante no segmento: o crescimento do número de residências americanas que não têm telefone fixo. Explica-se: como 12,8% dos domÃcilios dos Estados Unidos só têm celulares (e o percentual só faz crescer: em 2003 eram só 3,2% e até o fim de 2008 devem ser quase 25%), por volta de um oitavo da população não é mais levado em conta nas pesquisas realizadas por telefone.
Se o perfil das pessoas que só têm celular fosse igual ao dos usuários de fixos, isso não faria muita diferença no resultado das pesquisas. Mas a Pew descobriu que faz. A Pesquisa Nacional de Saúde indicou que os sem-fixo são muito mais jovens e têm maior probabilidade de serem negros ou hispânicos, solteiros e morarem em residências alugadas – o que implica em padrões de comportamento bem diferentes.
Uma comparação de respostas sobre 46tópicos que vão do uso da tecnologia a posições polÃcas revelou uma diferença média de 7,8% entre os dois grupos – o que levaria a uma distorção de até 2% no resultado final das pesquisas. O efeito final parece pequeno, mas pode ser representativo em pesquisas focadas em segmentos onde a existência de residências sem telefone fixo é maior. Uma análise de comportamento jovem mostrou uma aprovação muito menor ao consumo de álcool e maconha quando foram excluidas as respostas dos que só têm celular.
Excluir esse grupo também tende a reduzir a percepção de adoção de novas tecnologias. Segundo o estudo, quando considerado apenas o grupo dos que têm telefone fixo, 50% dos jovens entre 18 e 25 anos dizem usar redes sociais. Ao incluir as residências sem-fixo, a participação sobe para 57% (e a penetração do MySpace deve aumentar ainda mais, já que ele é mais popular entre os latinos ). Eu seria um bom exemplo disso: só tenho telefone fixo em casa porque não dá para ter Velox sem ele (e ainda dizem que venda casada é proibida).
Tirando conclusões pela falta de dados
Um último pensamento sobre pesquisas, roubado de um post do Fabio Seixas , sobre outro do BusinessPundit :
Durante a II Guerra Mundial, o estatÃstico Abraham Wald tentou determinar onde reforçar a blindagem dos aviões. Baseado no padrão de buracos de bala nos aviões que voltavam das batalhas, ele sugeriu que as áreas não-atingidas tivessem a proteção reforçada.
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Comentários (24) Visitas (22011)
filipecav
Os que não voltaram tinham sido atingidos nesses locais, se tivessem sido atingidos em outros locais teriam voltado como os demais.
filipecav - 12/07/2007 - 08:59 - Responder no fórum
DuoLEd
Júlio, muito bom o texto.
Realmente as coisas mudaram. Hoje em dia as pessoas estão optando obter o máximo de informações antes da compra, e até de possÃveis defeitos. Infelizmente no Brasil as pessoas mais desavisadas terminam caindo na conversa de vendedores despreparados.
Para mim o grande ajudante para escolha de um produto é o Google. É um santo vendedor.
Aqui no Brasil eu não acho que teremos tão rapidamente a migração de fixo para móvel.
DuoLEd - Recife/PE - 12/07/2007 - 09:14 - Responder no fórum
Julio Preuss
Aqui nós já tivemos, mas por outro motivo e em outro segmento: a população de baixa renda, que não podia pagar a assinatura do fixo e comprou celular pré-pago. Não tenho os números à mão, mas já temos mais celulares do que fixos no paÃs (até porque, na parcela de maior poder aquisitivo, cada pessoa da famÃlia tem um celular) e desconfio que a parcela de casas que só tem celular pode ser até maior do que nos EUA.
Abç,
Julio
Julio Preuss - Rio de Janeiro - 12/07/2007 - 10:30 - Responder no fórum
T-Rodman
Tem outro dado que reforça no Brasil o aumento de residências sem telefonia fixa: há diferença de cobertura entre 15 a 20% entre a telefonia fixa e a celular, ou seja, temos essa quantia de população que não tem telefone fixo, mas que pode ter celular.
Também uma coisa que reforçaria a telefonia fixa, de outro lado, seria a necessidade de linha fixa para internet banda-larga, nas regiões que não possuem outro tipo de serviço.
T-Rodman - Jau/SP - 12/07/2007 - 10:38 - Responder no fórum
sydpiper
Eu só fixo por causa do Velox. Nada mais. Minha mãe que usa só porque existe, pois antes estava com celular.
Net a cabo ainda é casadinha com TV e não preciso disso, logo não me interessa.
Qual o principal meio da internet nos EUA? Deve ser a cabo né?
sydpiper - BAHIA - 12/07/2007 - 10:49 - Responder no fórum
filipecav
Eu me encaixo nessa faixa que não tem telefone fixo, somente celular. No inÃcio ou meio de 2005 tinha a assinatura básica e adsl da Brasil Telecom, mas como não usava o fixo cancelei e fiquei somente com a linha de dados, para o adsl, agora tenho a linha só para adsl, não pago a assinatura básica, mas sei que a BrTelecom não disponibiliza mais esta modalidade de assinatura. Quem quiser adsl tem que ficar com a assinatura básica também (venda casada descarada que o Procon não toma atitude).
filipecav - 12/07/2007 - 11:08 - Responder no fórum
CK
Porque se os aviões voltavam, era porque as áreas analisadas não eram vitais o suficientes para derruba-lo, logo as áreas que não eram atingidas correspondiam aos aviões que cairam e não estavam lá.
Então protegendo essas partes os aviões conseguiriam voltar.
CK - Aracruz-ES - 12/07/2007 - 11:12 - Responder no fórum
StealthyGuy
Nos EUA, pelo pouco tempo que passei lá, me parece que a internet à cabo é a mais popular e, diferentemente do Brasil, não há venda casada com a TV. Eu utilizei internet a cabo sem ter TV, pagando 33 dólares por mês para ter uma conexão de 6MB. E pensar que pago aproximadamente o mesmo aqui no Brasil para ter uma Velox de 300K...
StealthyGuy - 12/07/2007 - 11:55 - Responder no fórum
