Não, eu não me enganei no tÃtulo nem você leu errado. Memória RAM é, sim, cem vezes mais barata que disco rÃgido – pelo menos pela brilhante lógica do Google. As contas estão na mesma matéria da revista Wired que citei na coluna da semana passada, sobre as necessidades energéticas do gigante da busca , e fazem todo o sentido.
Duvida? Segundo o texto, o preço por megabyte da memória RAM é cem vezes mais alto que o do HD (por isso você achou que eu tinha me enganado no tÃtulo). Por outro lado, a memória é 10 mil vezes mais rápida que o disco. Logo, se levarmos em consideração o fator “tempo de acesso”, a RAM é mesmo cem vezes mais barata.
Entender qual o recurso mais valioso num dado momento é uma capacidade estratégica importantÃssima. O tempo, ou, melhor dizendo, o tempo de atenção do usuário, é um recurso que, como eu já havia estudado na minha monografia da faculdade, é o mais escasso da nossa era econômica.
O psicólogo Herbert Simon já dizia, em 1971: “O que a informação consome é bastante óbvio: ela consome a atenção do receptor. Portanto, uma riqueza de informação cria uma pobreza de atenção e uma necessidade de alocar essa atenção eficientemente diante da superabundância de de fontes de informação que poderiam consumi-la.” (Computers, Communications and the Public Interest, pp 40-41, Martin Greenberger, ed., The Johns Hopkins Press, 1971.)
Dizer que vivemos na Era da Informação não é economicamente correto. As eras econômicas sempre foram definidas pelos recursos escassos, já que é neles que está o valor. Primeiro foram as terras, depois o dinheiro, agora a atenção. Vivemos, portanto, na Era da Atenção, e não da Informação. É por isso que as ferramentas de busca valem tanto: elas economizam nossa atenção, direcionando-nos diretamente à informação que procuramos. Metade do sucesso do Google deve-se a isso.
O restante do mérito do Google teria sido, então, perceber o valor da agilidade para seus serviços e investir em muita, mas muita memória RAM para agilizar o acesso aos dados de seus gigantescos Ãndices. Em um cenário de dinheiro farto (a empresa tem bilhões de dólares em caixa), faz sentido gastar fortunas em RAM para economizar tempo.
As estimativas da Wired dizem que o Google teria cerca de 450 mil servidores em uma dúzia de datacenters espalhados pelo mundo. No total, essas máquinas usariam inimagináveis 4 petabytes (milhares de terabytes, ou 10 elevado à décima-quinta potência) de RAM. Isso mesmo:4.000.000.000.000.000 bytes de memória! E olha que nem é tanto assim, já que a capacidade em disco do Golias das Buscas seria de 200 petabytes. E o Paulo achava que os 2,6 terabytes que tem em casa eram muito …
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Comentários (18) Visitas (17516)
CarLN
Não sei porquê... mas eu sou tão fanático por espaço que ao ouvir petabyte, me soa como uma coisa totalmente normal.
Eu encho facinho 5 terabytes... bem, só falta ter grana mesmo para comprar storages .
E bem que PODERIAM mudar logo essa palhaçada toda de disco hÃbridos... deus me livre. O sistema em armazenamento parece que não evolui :S.
CarLN - Bauru - SP - 04/12/2006 - 21:28 - Responder no fórum
Rômulo Carvalho
E o Paulo achava que os 2,6 terabytes que tem em casa eram muito...
hahahahahahaha...
Rômulo Carvalho - 04/12/2006 - 22:17 - Responder no fórum
thiagolckurovski
Se você considerar o consumo elétrico durante alguns anos, a RAM (Memória RAM não existe, pois RAM já significa Memória de Acesso Aleatório) fica ainda mais barata...
thiagolckurovski - 04/12/2006 - 22:34 - Responder no fórum
Fritz
Interessante esse assunto da sua monografia sobre o tempo de acesso do usuário.
Não poderia disponibilizá-la para darmos um lida?
s
Fritz - Porto Alegre - RS - 04/12/2006 - 22:37 - Responder no fórum
ACCEL
UahUahUahauaha
dei risada no fim da coluna.. muito boa.. muito engraçada ...
ACCEL - Maringá - PR - 04/12/2006 - 22:42 - Responder no fórum
valdisnei
UahUahUahauaha
dei risada no fim da coluna.. muito boa.. muito engraçada ...
Hzhazhahzahzh...
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Off: Legal, vou chegar na loja para comprar um computador: "Ah, eu quero 512MB de memória de memória de acesso aleatório."
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Também acho interessante o assunto sobre a sua monografia.
valdisnei - Rio Grande do Sul/BR - 04/12/2006 - 23:28 - Responder no fórum
Julio Preuss
Tens toda razão. Acho que é vÃcio de escrever em publicações menos especializadas, onde usamos este tipo de artifÃcio para os leitores pouco experientes no assunto entenderem do que estamos falando. Aqui parece besteira, mas tem gente que não sabe que RAM é memória ou confunde com o HD.
Abç,
Julio
Julio Preuss - Rio de Janeiro - 04/12/2006 - 23:40 - Responder no fórum
Thorn Striff
Se tem pessoas que chamam o computador ou o gabinete de CPU e se acham as super-conhecedoras-tecnicas-em-hardware por isso é perfeitamente normal confundirem RAM com HD hehehehe... tenho dezenas de colegas, amigos e conhecidos que cometem esses erros e por mais que eu tentasse explicar o erro bobo que estavam fazendo continuavam, conclui que é melhor chamar o computador de CPU e o HD de "memória" do que perder tempo discutindo
De qualquer forma, já houve um tempo que ao ouvir "giga" nós ficavamos estaticos pensando "ohhh... um HD de 10gb", hoje até "peta" não é tão dificil de imaginar hehehe...
Já contei em um outro tópico sobre isso, a pouco mais de 4 ou 5 anos atrás comprei um HD de 60gb. O que eu utilizava até então tinha 2gb e tinha sido meu pai que havia comprado alguns anos antes. Eu estava simplesmente perdido! Não tinha idéia do que um usuário comum, como eu, poderia fazer com 60gb!!! É muita coisa!
Hoje tenho 400gb e acho pouco
Thorn Striff - 05/12/2006 - 01:27 - Responder no fórum
