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Julio Preuss
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O pixel em questão

A tecnologia por trás da imagem

5000km de estrada e alguns de rio guiados por GPS

Postado as 08:27 - 10/11/2006 - Por Julio Preuss. Categorias: Sem Categoria.

3votos  

Algumas semanas atrás, quando o Paulo relatou sua experiência com o Google Maps , tive vontade de emendar com uma coluna sobre minha viagem ao Canadá, já comentada brevemente aqui .

Passei quase um mês naquele imenso país no meio do ano e dirigi quase 5 mil quilomêtros, três deles na Costa Oeste, de Vancouver até as Montanhas Rochosas, e o resto na Leste, partindo de Toronto. Se alguém tiver curiosidade, pode conferir algumas fotos da aventura no meu 8P , o inovador serviço de fotologs da Globo.com (disclaimer: sim, agora eu trabalho lá).

Mas o objetivo desta coluna não é falar de turismo, e sim de tecnologia. Neste caso, a que me ajudou a enfrentar as estradas canadenses sem comprar um único mapa de papel. Antes da viagem, quase como o Paulo fez antes de ir para Miami, programei todas as rotas que faria no computador. Em vez do Google Maps, usei o Microsoft Streets & Trips. Não era uma versão original, mas como eu comprei a dita cuja, me declaro inocente da acusação de pirataria :-)

A escolha do software tradicional em lugar do serviço online se deveu a uma questão prática: eu queria ter tudo armazenado localmente no notebook (momento de propaganda gratuita: aquele mesmo que estou vendendo lá nos classificados ), para poder consultar no caminho, dentro do carro, sem conexão à internet. Mas não era só isso: no segundo dia da estadia em Vancouver, corri à Best Buy e comprei o Streets & Trips, na versão que vem com um receptor de GPS. Isso o Google Maps (ainda) não tem!

Esta versão me custou 150 dólares canadenses (cerca de US$ 135) – 100 a mais que a que não vem com o GPS – mas como a edição 2007 estava para sair, depois comecei a ver o pacote em oferta em outras lojas. Como o programa já estava instalado e configurado no notebook, com todos os destinos cadastrados, bastou plugar o acessório USB e aprender a usar. É tudo relativamente fácil, a não ser por alguns detalhes que demoramos a descobrir por conta própria, já que ninguém lê manuais mesmo.

O programa mostra sua posição no mapa com uma precisão espantosa e só perdeu o sinal quando passamos em alguns túneis subterrâneos, em Montreal. Tem um certo “delay”, mas logo nos acostumamos com ele e passamos a considerar as instruções com alguma antecedência. Instruções? Sim, pois o programa avisa, via sintetizador de voz, quando virar, por quantos quilômetros seguir e assim por diante. Na tela, ainda vemos a velocidade média do carro e uma bússola que indica a direção em que estamos seguindo.

O que, para mim, pareceu uma precisão absoluta, porém, está longe de ser suficiente para um outro usuário de GPS que conheci nos últimos dias da viagem. Durante um passeio de barco na região conhecida como “Mil Ilhas” (sim, o molho Thousand Islands foi inventado lá), reparei que o comandante da embarcação usava um programa semelhante ao meu para navegar no rio St. Lawrence.

Quando viu que eu estava interessado na tela de seu computador de bordo (que era um PC comum, sem nada de especial), o capitão – cujo nome eu nem me lembrei de perguntar – puxou assunto e trocamos algumas palavras sobre a tecnologia GPS. Eis que ele me mostra que, de acordo com o computador, nosso barco deveria estar em terra firme, encalhado na margem do rio. “Há um desvio de uns 20 metros”, disse.

OK, é notório que a precisão dos GPS civis não é tão grande assim, o que explicaria o erro. Surpreendente foi saber que não foi sempre assim. Segundo nosso capitão anônimo, antes dos atentados de 11 de setembro, dava para confiar quase cegamente no computador do barco. “Depois os americanos mandaram aumentar a margem de erro do sistema para evitar que terroristas o usassem para guiar bombas”. É uma bela teoria da conspiração. Mas será só uma teoria?

Comentários (20)   Visitas (21377)

samuelbarros

Julio.
Me interesso bastante por este tema, tanto que tenho o Microsoft Pocket Street 2006 instalado em meu Handheld, apesar dele não ter GPS integrado (ainda pretendo adquirir um que tenha este recurso) é possivel traçar rotas aqui dentro da cidade (Curitiba) simplesmente como se fosse um mapa de papel.
Porém a grande dificuldade que vejo é que, apesar do software ser atual, a base de dados é antiga. OU seja, várias ruas e até mesmo o bairro onde moro não estão resgistrados no mapa, sendo que em seu lugar consta apenas um espaço vazio.
Acredito que este mapa esteja desatualizado pelo menos uns 10 anos, já andei procurando alguma alternativa mais atualizada, porém até o momento, dentre os que são compatíveis com o S.O. Windows Mobile Smartphone, encontrei apenas os softwares que utilizam base de dados online, isso significa que eu teria que estar utilizando minha conexão GPRS o tempo todo a fim de consultar e traçar as rotas. Consequentemente pagaria um preço alto demais por um simples mapa.
Ou seja, apesar do bom trabalho com o software que a Microssoft desenvolveu, acredito que deixam muito a desejar no que tange à atenção com países que não(...)

samuelbarros - Curitiba-PR - 10/11/2006 - 11:48 - Responder no fórum

scussel_rs

o maior problema é que infelizmente o brasil nao desenvolveu mapas das estradas em formato digital para que os serviços de GPS possam utilizar... é incrivel como esses sistemas de carro sao uteis quando voce esta visitando uma cidade ou pais diferente...

scussel_rs - 10/11/2006 - 11:49 - Responder no fórum

Gandalf_83

A experiência mais próxima que tive foi utilizando o excelente (e brasileiro) Trackmaker em conjuntos com
os mapas do projeto Tracksource.
Os resultados foram bastante satisfatórios..
Uma pena que não seja voltado para navegação.. Não há nenhum sintetizador de voz, não gera rotas, e os mapas não possuem (pelo menos o que testei) informações sobre a direção das vias..
Um sistema desses como o apresentado pelo Júlio viria muito a calhar em nosso país (que é muito grande e muitas vezes complexo..)
Uma pena que o custo para desenvolvimento a princípio seja proibitivo..
Mas quem sabe a longo prazo não tenhamos algo similar..
's

Gandalf_83 - São Carlos - SP - 10/11/2006 - 12:53 - Responder no fórum

Paulo Couto

Essa historia da precisão do GPS não é teoria da conspiração não, Julio. É assim mesmo, e digo mais...
em 1991 eu dava aulas de mergulho e sempre utilizei barcos com GPS, inclusive para marcar pontos "bons" de mergulho, como naufragios não catalogados, recifes submersos, etc, e justamente no periodo da primeira guerra do golfo foi uma euforia no setor porque a precisão do GPS (na época só existia uma unica versão, para uso militar e civil) veio dos tradicionais 30 metros para apenas 3 centimetros.
isso mesmo, 3 centimetros, porque os americanos precisavam dela para direcionar suas bombas no iraque.
ao fim da guerra a precisão voltou aos 30 metros mas houve pressão da sociedade para um valor melhor, e atribuiu-se 3 metros como padrão. isso lá nos primeiros anos 90.
eu creio que com a popularização do GPS houve a necessidade de se aproximar ainda mais a precisão, talvez 1 metro, mas depois do 11 de setembro os EUA entraram em estado de alerta e como é padrão nesses periodos, a precisão caiu.
há o risco dela permanecer ruim, se a sociedade não pressionar. até porque, pelo que li, há dois sistemas GPS funcionando em paralelo. um(...)

Paulo Couto - Rio de Janeiro - 10/11/2006 - 17:02 - Responder no fórum

Robvicz

Existe um projeto europeu chamado Galileo que é justamente uma alternativa ao sistema GPS americano. O problema é que o sistema americano é custeado com fundos públicos e o sistema europeu é privado, logo será necessário pagar uma taxa para ser utilizado.
E os americanos não gostaram muito do galileo -> http://www.inovacaotecnologica.com.br/noticias/noticia.php?artigo=010150060710

Robvicz - Curitiba/Pr - 10/11/2006 - 19:10 - Responder no fórum

andregurgel

Sobre precisão eu tenho a comentar duas coisas bem cri-cri: o que se está falando não é precisão, e sim exatidão, ou acuracidade; e que antes de maio/2000 o sinal do GPS era intencionalmente degradado para qua a confiabilidade fosse de cerca de 100 metros e depois desta data a tal da 'selective availability' foi removida. A acuracidade atual do GPS civil depende mais de condições ionosféricas do que da boa vontade dos militares americanos.
Já o GPS militar sempre teve acuracidade sub-métrica. Não dá para a plebe usar porque o sinal é criptografado e é anti-spoofing. Por outro lado o Pentágono tem tecnologia para embaralhar o sinal civil, a partir da terra, em uma região de interesse.
Essa história do mundo todo depender da política dos EUA para manter o GPS (que custa meio bi por ano aos taxpayers) é bem delicada. Existe um compromisso formal do presidente, mas... e daí? Uma ameaça maior e eles cortam o sinal sem aviso prévio. War times. Daí a importância estratégica essencial do GPS euporeu, o Galileo, que já mandou um satélite pro espaço; só faltam 29.
Quanto aos mapas, a coisa está melhorando bastante aqui no país. Já existem GPS com(...)

andregurgel - 10/11/2006 - 19:31 - Responder no fórum

scussel_rs

excelente andré.

scussel_rs - 10/11/2006 - 21:49 - Responder no fórum

Detønatør

já que ninguém lê manuais mesmo.

a primeira coisa que eu faço quando compro algo novo é ler o manual
será que só um E.T.


"Depois os americanos mandaram aumentar a margem de erro do sistema para evitar que terroristas o usassem para guiar bombas". É uma bela teoria da conspiração. Mas será só uma teoria?
não duvido.
ainda bem que a U.E. está preparando um sistema concorrente

Detønatør - Cachoeirinha RS - 11/11/2006 - 10:50 - Responder no fórum

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