Na coluna passada falei sobre células combustÃveis e prometi dar seqüência ao assunto abordando outra potencialmente revolucionária fonte de energia para dispositivos portáteis: as microturbinas. Pesquisando um pouco mais, porém, achei por bem mudar um pouquinho o foco para os microgeradores, o que me permitirá ampliar um pouco a discussão, sem deixar de falar das turbinas.
A principal referência e promessa que encontrei nessa área é um protótipo desenvolvido há um ano e meio pela GeorgiaTech em parceria com o MIT . Trata-se de um gerador de apenas 10mm de largura em que um Ãmã gira sobre um conjunto de bobinas metálicas a assombrosos 100 mil RPM (dez vezes mais rápido que o mais rápido dos HDs SATA), gerando 1,1 watts – o suficiente para alimentar um telefone celular.
O objetivo do projeto, sobre o qual praticamente não se encontram informações mais atuais, era aumentar a potência do gerador para 20 a 50 watts, o que lhe permitiria manter abastecido um notebook ou os eletrônicos de um soldado no campo de batalha – o exército americano é um dos financiadores da pesquisa. Para tanto, o desafio é fazer o Ãmã girar cada vez mais rápido sem se espatifar – o do protótipo teve que ser blindado com titânio para aguentar o tranco.
Também no protótipo, quem fazia o Ãmã girar era uma broca pneumática semelhante à s usadas por dentistas. Só que ela estava apenas simulando a real fonte de energia que se pretende usar: uma microturbina em desenvolvimento no MIT. Esta, equivalente aos jatos usados em aviões, queimaria um combustÃvel qualquer para fazer girar o Ãmã, também dando margem à piada do “encha o tanque do notebook”. E como o microgerador é, na verdade, um conversor de energia mecânica em elétrica, ainda terÃamos a vantagem de, no caso de o ponteiro da gasolina chegar a zero, o usuário poder soprar a turbina ou girar uma manivela para garantir um pouquinho de energia extra.
O melhor dos mundos, entretanto, seria não precisar nem de combustÃvel nem de esforço adicional. Parece sonho? Mas é justamente o que propõe a inglesa Perpetuum , inventora de um sistema que usa vibrações para gerar energia. Geradores com 5 cm de largura baseados nessa tecnologia já são usados para manter funcionando sensores e transmissores que monitoram motores e outros aparatos industriais, usando a vibração gerada pelos próprios como fonte de eletricidade.
Mas a novidade não ára por aÃ: em parceria com a Innos, a empresa inglesa está trabalhando num modelo três vezes menor baseado em silÃcio , como os chips de computador, que seria usado em equipamentos sem fio ainda menores. O presidente da Innos sonha até com a possibilidade de um marcapasso alimentado pelo movimento do corpo humano. Se já existem relógios que fazem isso, por que não?
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Comentários (11) Visitas (18467)
tabgal
50W!! Show!
Vamos torcer para que isso caia no mercado logo. Bateria é uma coisa que só enche o saco.
tabgal - Curitiba - PR - 21/07/2006 - 10:26 - Responder no fórum
Thorn Striff
Muito interessando mas se for necessário queimar um combustivel "qualquer" então qual será a grande vantagem sobre as baterias atuais? Só iria continuar poluindo a atmosfera! E se fosse usado em massa poderia acabar se tornando até mais perigoso do que as baterias atuais.
Thorn Striff - 21/07/2006 - 11:28 - Responder no fórum
Paulo Couto
Essa do marcapasso que funciona com o movimento humano é boa. só que o cara não pode dormir, senão morre !
os antigos relogios automaticos, completamente mecanicos e que funcionavam com o movimento do corpo, me parece que usavam um sistema de pendulos balanceado. e realmente eram muito funcionais, só não podiam ser guardados na gaveta.
Paulo Couto - Rio de Janeiro - 21/07/2006 - 11:53 - Responder no fórum
Duron950
achei interessante o esquema por vibraçoes.. ligados a motores que quando funcionando vibram.. fornencendo energia para os micro geradores! gostei desse esquema!
Duron950 - Campina Grande - PB - 21/07/2006 - 11:59 - Responder no fórum
fontes_marcelo
Esse esquema do pêndulo do relógio é realmente legal. Não faço idéia de como funcionar, mas minha mãe tem relógio que comprou quando eu tinha 2 anos de idade (isso a 31 anos atrás ) que funciona com os movimentos do braço, e nunca deu problema.
Perguntei então quantos tempo parado para ele deixar de funcionar. Ela me disse que demora uns 3 dias, ai é só colcar no braço que volta a funcionar!
Tecnologia de no mÃnimo 30 anos, sem poluição e de fonte inesgotável!
fontes_marcelo - 21/07/2006 - 12:48 - Responder no fórum
Thorn Striff
Esse do relógio eu vi no Discovery Channel dia desses. É muito interessante pois dentro do relógio tem tipo que uma manivela ultra sensivel que consegue girar com o mÃnimo movimento do corpo e isso carrega uma bateria.
Um marcapasso assim seria muito interessante.
Thorn Striff - 21/07/2006 - 13:07 - Responder no fórum
TANGOBRAVO
Eu voltei a usar relógios mecânicos. Cansado do quebra-quebra da caixa de fibra dos eletrônicos e por uma onda de nostalgia voltei para os mecânicos. Optei, como antes, por um modelo automático, o pêndulo balanceado gira em um eixo que comprime uma mola que armazena a energia, simples não é ???
TANGOBRAVO - Ponta Grossa-PR - 21/07/2006 - 13:24 - Responder no fórum
diego_paredes
O interessante seria o processo contrário ao do piezoelétrico, onde a vibração geraria energia.
s.
diego_paredes - 21/07/2006 - 14:32 - Responder no fórum
