Em minha primeira coluna aqui para o Fórum, datada de janeiro de 2005, eu falava sobre os diversos produtos apresentados no Consumer Electronics Show daquele ano para alimentar de energia os eletrônicos portáteis. De carregadores solares e baterias descartáveis para celulares, não faltavam acessórios para saciar a sede de watts de nossos gadgets.
Na ocasião, apenas citei as células combustÃveis e microturbinas e prometi que seriam assunto de uma próxima coluna, mas só me lembrei da história recentemente, quando falei dos capacitores nanotecnológicos que podem funcionar como superbaterias . A coluna não foi tão próxima quanto eu imaginava, mas hoje estou, finalmente pagando a promessa!
Comecemos, então, pelas tais fuel cells. Esses dispositivos, tais quais as baterias, são conversores eletroquÃmicos de energia. Transformam energia quÃmica em elétrica numa reação envolvendo anodos, catodos e eletrólitos, quase como aquilo que aprendemos sobre pilhas nas aulas de FÃsicado colégio. A diferença é que, numa célula combustÃvel, os reagentes não ficam armazenados no sistema – eles chegam de uma fonte externa, são consumidos pela reação e expelidos sob outra forma.
Por conta disso, as células combustÃveis não podem ser recarregadas ligando-as na tomada – precisam ser abastecidas com o combustÃvel da reação. Mas não são um desperdÃcio como as pilhas descartáveis, pois o abastecimento regular permite que gerem energia por tempo indeterminado, como o motor de um carro. Também precisam pôr pra fora o que sobra da reação – coisa que só não é mais grave por que esses restos normalmente são apenas vapor d’água.
Explica-se: a célula combustÃvel mais comum combina hidrogênio no anodo com oxigênio do ar, no catodo. As móleculas de hidrogênio (H2) se transformam em dois prótons (H+) e dois elétrons (e-). Os prótons atravessam a membrana eletrolÃtica feita de polÃmeros e se combinam com átomos de oxigênio do outro lado. Para cada quatro móleculas de hidrogênio é consumido uma de oxigênio (O2), formando duas moléculas de H2O (também conhecida, exceto pelo ex-governador do Rio, como água). E os elétrons? Estes, impossibilitados de atravessar a membrana, precisam seguir por outro caminho: um circuito elétrico.
O problema é que ainda não é possÃvel produzir hidrogênio em casa e armazená-lo sob a forma de gás pode ser muito perigoso – que o digam os passageiros do dirigÃvel Hindenburg, que virou pó em menos de um minuto quando os 200 mil metros cúbicos de hidrogênio que o faziam voar pegaram fogo, em 1937.Há quem diga, também, que a eletricidade necessária para fabricar hidrogênio a partir de eletrólise e tanta que o uso dessas células combustÃveis em automóveis, por exemplo, apenas deslocaria o problema de um lugar para o outro, já que essa energia normalmente seria produzida pela queima de combustÃveis fósseis – não renováveis e muito poluentes.
A alternativa, por enquanto, tem sido usar metanol – o primo do álcool usado como combustÃvel em algumas categorias do automobilismo. Rico em hidrogênio, ele alimenta um tipo ligeiramente diferente de célula combustÃvel que consome um pouco menos de água do que produz e expele também moléculas de dióxido de carbono. Não são tão limpas quanto as células movidas a hidrogênio puro, mas o dióxido é bem menos nocivo que o monóxido produzido pelos motores a combustão. E o metanol, apesar de tóxico, é bem mais seguro de armazenar e ocupa muito menos espaço que o hidrogênio.
Se até agora esta coluna está parecendo coisa de ecologista high-tech ou cientista maluco sem maiores relações com computadores e afins, sugiro a leitura da notÃcia publicada pelo spider_wise em agosto do ano passado, sobre a apresentação de uma célula combustÃvel movida a metanol capaz de fornece 25W a um notebook, por exemplo. Ou da que o LU.IZ pescou da Folha em meados de 2004, sobre a célula criada pela Toshiba para alimentar MP3-players e afins. E recomendo que leiam os comentários também, pois muito já foi esclarecido sobre os prós e os contras da tecnologia e do metanol.
E as microturbinas? Ficam para a próxima (espero) coluna.
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Comentários (15) Visitas (16192)
Wagner Felix
falta investimento público na área de energias alternativas
A propaganda d aPetrobrás que diz que somos auto-suficientes em petróleo e em energia em geral e blablabla: mas pagamos muito mais caro na gasolina que os estado-unidenses, por exemplo
E quem diria, outro dia vi uma noticia(desculpem, nao tenho o link agora) que o Irã desenvolveu um carro movido a energia solar + célula de combustivel...
Ou seja, falta é VONTADE de deixar essas "fontes de energia" acessÃveis.
Wagner Felix - Sampa City - 17/07/2006 - 08:50 - Responder no fórum
Rodatam
Energia Nuclear parece ser uma boa solução para a produção em massa de hidrogênio
afinal, um reator de última tecnologia produz muito pouco lixo nuclear, além de ser praticamente impossÃvel um acidente
e urânio tem e sobra
Rodatam - Ctba- Pr - 17/07/2006 - 10:02 - Responder no fórum
Intruder_A6
Vai no site da Petrobras ( www.petrobras.com.br ), veja o quanto ela recebe pelo litro de gasolina, e veja o quanto fica com os atravessadores e impostos em geral.
Intruder_A6 - Salvador-BA - 17/07/2006 - 10:52 - Responder no fórum
Karaskis
Ótima coluna Júlio, me lembrei na hora das aulas de eletroquimica! rs
Essa célula combustÃvel de hidrogênio é a forma de combustÃvel utilizada pelos ônibus espaciais?
Karaskis - 17/07/2006 - 11:52 - Responder no fórum
Rafael Smith
A célula a combustivel que usa metanol na verdade não usa metanol, ela gera gás hidrogenio a partir do metanol, e esse sim, é usado na célula a combustÃvel. O gás carbonico produzido que está citado no texto vem da decomposição do metanol para a formação do gás hidrogenio, porém o gá carbonico é um "veneno" para a célula, pois ele pode inutilizar a célula se a quantidade de gás carbonico produzida pela decomposição for alta.
Rafael Smith - Campinas/Matão - 17/07/2006 - 13:55 - Responder no fórum
magog
É... vamos engatinhando mas aos poucos vamos chegando lá.
Se não fosse pelo cartel do petróleo nós já terÃamos coisas muito boas por aà no quesito energia.
Magog................
magog - São Domingos - SC - 17/07/2006 - 14:00 - Responder no fórum
FaithLess
Olá...
Sou da velha turma aqui do FPCS.
Li seu artigo sobre o note Compaq V2000 o que me motivou a comprar um, especificamente o V2570NR, muito semelhante ao seu.
Logo que recebi, formatei e reinstalei tudo, corrigi o problema do cool & quiet, mas...
Ficou no ar a situação do Wi-FI que comentou no seu artigo.
Aqui comigo, se habilitado, devora as baterias.
E com você, a mesma coisa???
Estou curioso, me antecipa o assunto.
Obrigado.
FaithLess - BLUMENAU (Timbó) - SC - 17/07/2006 - 19:19 - Responder no fórum
thiagolckurovski
O problema é que ainda não é possÃvel produzir hidrogênio em casa e armazená-lo sob a forma de gás pode ser muito perigoso - que o digam os passageiros do dirigÃvel Hindenburg, que virou pó em menos de um minuto quando os 200 mil metros cúbicos de hidrogênio que o faziam voar pegaram fogo, em 1937.
O Hindeburg não explodiu por causa da camada de proteção? Foi o que eu ouvi falar num documentário há uns 100 anos atrás...
Voltando ao assunto do artigo...
Metanol é produzido como? Porque se for através de algum grão ou de cana-de-açúcar, esse movimento vai ser uma mão na roda para o Brasil.
Brasil, o paÃs do hidrogênio!
thiagolckurovski - 17/07/2006 - 21:47 - Responder no fórum
