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Julio Preuss
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O pixel em questão

A tecnologia por trás da imagem

LEDs: a revolução de uma invenção brilhante

Postado as 18:12 - 28/11/2005 - Por Julio Preuss. Categorias: Sem Categoria.

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Quando eu morava com a minha mãe e o computador ficava no quarto, junto com televisão e outros apetrechos eletrônicos, às vezes era preciso desligar tudo da tomada ou colocar uma barreira na frente para conseguir dormir, tamanha era a quantidade de luzinhas coloridas indicando os aparelhos ligados. Da última vez que contei, eram mais de 20 leds azuis, vermelhos, verdes e amarelos – e olha que eu ainda nem tinha coolers iluminados e outros acessórios supérfluos.

Quem convive há muito tempo com leds – abreviatura de light-emitting diodes, ou diodos emissores de luz – pode não se dar conta de sua onipresença, da evolução pela qual os pontinhos iluminados vêm passando ou de sua importância econômica. Segundo o site especializado LEDs Magazine , o encapsulamento de leds é um mercado que movimentará US$ 8 bilhões em 2005, com previsão de crescimento para os próximos anos. Capacidade para isso não falta: só em Taiwan é possível produzir mais de um bilhão dos relativamente novos leds azuis por mês!

Naturalmente, não estamos falando apenas das luzinhas coloridas que atrapalhavam nosso sono. O boom dos leds é resultado de sua aplicação em telefones celulares, onde são responsáveis pela iluminação da tela e pelo pseudo-flash dos modelos com câmeras – metade da produção da indústria vai para os fabricantes de telefones. Aos poucos, começam a ser usados também no backlight de LCDs maiores – primeiro os de 7 polegadas usados em subnotebooks e aparelhos de DVD portáteis, mas logo em telas maiores, para notebooks e desktops, substituindo a iluminação baseada em tubos de raios catódicos frios.

Os leds também vêm se popularizando na iluminação pura e simples – em lanternas, faróis de carros e luzes domésticas. Durante a apuração desta coluna, o que mais encontramos foram anúncios de leds superpoderosos para seus projetos amadores e de lanternas capazes de desorientar pessoas devido à intensidade de sua luz. Na Amazon, encomendamos um led ” Diamond Luxeon ” para substituir a lâmpada Krypton de uma lanterna Maglite depois de ler avaliações confirmando que a nova “lâmpada” é muito mais brilhante que a original e, segundo o fabricante, consome dez vezes menos bateria! Faremos um review assim que ela chegar…

O que o anúncio da Amazon promete aos donos de Maglites é exatamente o que torna os leds alternativas tão interessantes. Seu consumo de energia é várias vezes menor que o das lâmpadas comuns ou fluorescentes. A durabilidade, então, nem se fala: sua vida útil estimada é medida em dezenas de milhares de horas, com a vantagem de, diferente das alternativas tradicionais, os leds serem imunes a queimas acidentais, já que não possuem filamentos para romper. Para completar, praticamente não dissipam calor (o que explica sua eficiência energética, já que quase não há perda).

Toda essa popularidade dos leds, há que se destacar, não começou de repente, por capricho do destino. Quando o engenheiro Nick Holonyak Jr ., da General Electric, produziu o primeiro led da história, em 1962, eles só eram capazes de emitir luz vermelha – assim como os diodos-laser, inventados por Holonyak no mesmo ano e fundamentais para os aparelhos de CD e DVD, impressoras a laser, copiadoras e afins. Leds verdes e amarelos não demoraram muito a aparecer, mas a tecnologia ficou limitada a esses três tons durante décadas – vide a cor dos leds dos eletrônicos mais antigos e daqueles jurássicos relógios de mostrador vermelho.

Sem tirar o mérito de Holonyak, um dos inventores mais iluminados de todos os tempos, com o perdão do trocadilho, a revolução dos leds só começaria mesmo em 1993, quando o pesquisador japonêsShuji Nakamura conseguiu produzir o primeiro led azul comercialmente viável. Mais do que invadirem os gabinetes de toda sorte de eletrônicos, esses componentes – combinados às cores previamente existentes – permitiram a obtenção de luz branca a partir de leds coloridos. Foi então que surgiram aqueles telões que cegam motoristas com “pixels” compostos por um led vermelho, um verde e um azul (padrão RGB, não é mesmo?). Quem nunca se impressionou com um desses depois de anos acostumado às telas que misturavam apenas o verde, vermelho e amarelo?

A tecnologia dos leds azuis resultou ainda nos leds brancos das lanternas que mencionamos acima, graças a combinações químicas que misturam luz amarela à azul. Componentes cor de rosa e roxos também começaram a aparecer, mas nada se compara ao impacto dos leds azuis e da luz branca. Exceto, talvez, a chegada dos leds orgânicos – os muito falados OLEDs usados nos monitores de algumas câmeras digitais e outros gadgets – mas isso é assunto para uma outra coluna.

Foto de Andreas Frank

Comentários (5)   Visitas (18386)

Jonas Paulo Negreiros

Caro Júlio,
Muito legal a sua matéria sobre os LEDS.
Vi essas lampadinhas à primeira vez num sistema monitor/ leitor de cartões de um mainframe IBM/370.
No início da década de 1970 os LEDs já estavam presentes nas calculadoras, embora embutidos em lentes para ampliação do campo de visão.
Essas calculadoras eram energeticamente vorazes. Uma carga de bateria durava pouco tempo e às vezes ficávamos "na mão" durante uma prova escolar. Ainda bem que veio o LCD...
Acretido que o LED trará novas formas de exibição de imagens. Já é possivel ver painéis com esta tecnologia em esquinas das cidades.
Recentemente, os japoneses apresentaram um sistema de projeção de imagens para "home theaters" baseados em matrizes de LEDs.
Dizem que o resultado é muito bom.
Sds,
Jonas

Jonas Paulo Negreiros - Jundiaí - SP - 06/12/2005 - 20:12 - Responder no fórum

kmax

BEm interresante este topico, me lembro com ontem uma tela de 24 metros com leds vermelhos numa principal. Pena que ano passa trocaram a tela por um trelaõ de plasma.

Muito muito bom mesmo.

kmax - Joao Pessoa - PB - 06/12/2005 - 20:20 - Responder no fórum

bobiii

eu tenho uma dúvida
por acaso os LEDs e OLEDs tem alguma haver ?
OLED é aquela telinha que tem em alguns mp3 players , que acho devem ser microleds

bobiii - Santos - SP - 06/12/2005 - 21:27 - Responder no fórum

Julio Preuss

Tem sim. OLEDs são leds em que o material usado é orgânico. Segundo a Wikipedia, são mais leves que os leds normais, podem ser flexíveis e "impressos" em painéis usados nas telas dos dispositivos que você mencionou. São fontes de luz distribuída, enquanto os leds comuns são pontuais. Em relação às telas de LCD tradicionais, têm a vantagem de consumir muiot menos energia por não precisarem de backlight, já que são sua própria iluminação.

Julio Preuss - Rio de Janeiro - 06/12/2005 - 23:36 - Responder no fórum

Luiz Sérgio

outro link interessante sobre os leds é o Led Museum.
adoro essas coisinhas luminosas...
são dois desses brancos que fazem minha iluminação do teclado
http://www.ledmuseum.org

aproveitando, uma singela propaganda do meu tutorial de iluminação para teclado:
http://www.forumpcs.com.br/viewtopic.php?p=1180800
abraço
t+

Luiz Sérgio - Araruama - RJ - 12/12/2005 - 20:35 - Responder no fórum

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