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Elis Monteiro
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GSM, LTE, 3G, 4G, WiMax, HSPA... O mundo das telecomunicações

Criança com celular: é realmente necessário?

Postado as 15:53 - 21/11/2011 - Por Elis Monteiro. Categorias: Comportamento.

5votos  

Tenho uma sobrinha, Júlia, que acabou de completar oito anos de idade. No momento, ela está travando uma batalha com os pais porque estes ainda não aceitaram seus argumentos para ganhar um celular. Diz ela que todos os coleguinhas da escola já têm; que ela precisa de um para emergências; que os pais só têm a ganhar se derem a ela o sonhado aparelho, etc e etc. Vale citar que Júlia estuda a dois quarteirões de casa – mora em uma cidade do interior – e, a princípio, já que os pais ou a avó a levam e buscam na escola, não fica sozinha em momento algum. Se vai a uma festinha, o responsável leva e busca; se vai à casa da vizinha, fica sob a supervisão da mãe da amiguinha; nunca viaja sozinha, ou seja, ainda não precisa ser “encontrada”. Trocando em miúdos: o celular, caso ela venha a conquistar, será um “brinquedinho”, como muitos aparelhos eletroeletrônicos foram durante muito tempo, seja tocador de fita-cassete (na nossa época), MP3 player (um pouco mais recente) e iPod. O que então diferencia um celular de um equipamento qualquer? Por que ainda há tanta dúvida quanto ao seu uso por crianças?

Tirando o fato de os estudos já realizados a respeito dos efeitos nocivos dos celulares na saúde – de adultos e crianças – não estarem maduros o suficiente para serem levados em consideração, o bom senso mostra que as crianças têm a perder, sim, usando o celular. E aqui entro num terreno pantanoso que pode inclusive me levar a ser chamada de louca, já que amo tanto o mundo móvel e a tecnologia como um todo. A questão é que quando se trata da relação de crianças com os celulares, tenho uma opinião bastante conservadora.

Por que acho que elas não estão preparadas para o celular? Primeiro porque podem perder um contato mais estreito com os amigos, os irmãos e com os próprios pais (e aqui recomendo este sensacional vídeo que me fez rever até o meu comportamento com o meu iPhone).

O “olhar no olho” tem ficado cada vez mais distante e nós mesmos, adultos, estamos perdendo uma das melhores coisas da vida, que é o contato humano. E aqui nada contra a tecnologia em si, mas o uso excessivo e/ou equivocado que temos feito dela.
Mais: considero MESMO que os joguinhos de celular podem desviar a atenção dos estudos e, pior, das brincadeiras “sociais” necessárias para o desenvolvimento saudável dos pequenos.

Não estou dando uma de retrógrada e tentando convencer a todos de que ainda é preciso jogar bola ou baleba ou brincar de pique – esconde como condição sine qua non para uma infância saudável. Os tempos mudam, as brincadeiras e as formas de interação mudam também. A “amarelinha” de ontem pode ser a corrida de plasma car de hoje; o campinho atual pode muito bem ser o playground, ou a sala de casa, caso este não exista. Mas criança nasceu pra conviver com criança de verdade, e esse contato molda, com certeza, os passinhos que nossos filhos darão em suas vidas sociais.

O game do celular não substitui nenhum brinquedinho, muito menos o Max Payne do PC. O mundo virtual – seja no computador ou no celular – é um complemento à educação e ao entretenimento “reais”. E a gente sabe que joguinho no celular vicia, até mesmo a nós, velhos barbados. Eu mesma, se deixar, passo horas no iPad jogando Paciência. Caso tivesse tempo, seria destino certo. A sorte é que a quantidade de tarefas e a responsabilidade me impedem de levar o vício adiante, mas será que uma criança tem o discernimento necessário para entender que não é por estar tão disponível e à mão que um celular pode ser usado como game boy ou Nintendo DS nos momentos em que ela poderia estar lendo, conversando, estudando ou simplesmente contemplado o nada, o que também tem o seu valor?

Só falamos, até aqui, sobre a função “jogo”, mas o celular também é um aparelho para falar. E mandar torpedos. É uma nova forma de comunicação e, como todas, oferece seus prós e contras. Pode facilitar o contato dos pais com as crianças, mas também pode desviar a atenção em sala de aula, criar um novo formato de “bilhetinho” entre coleguinhas e, cá entre nós, há muita professora por aí sofrendo HORRORES com os aparelhos tocando e com a intromissão dos pais em momentos preciosos de ensino.

Ao mesmo tempo, se bem usado pelos educadores o celular pode promover uma revolução na educação – vide o caso do projeto “Million”, criado pela agência Droga5, tendo como capitão o publicitário americano Andrew Essex, que tive o prazer de conhecer pessoalmente – conheça o projeto explicadinho aqui.

Mas é preciso orientação, uma vez que o celular é uma conexão permanente com o “de fora” e, se o pequenino está na escola, seu foco deveria estar lá, e não na ligação dos pais. Estes, por sua vez, ficam cada vez mais estressados e controladores. E muitas vezes se esquecem de que dentro da sala de aula quem manda é a (o) professora (r). É preciso dividir as tarefas de educação com esse personagem que continua fazendo muita diferença nas nossas vidas e nas vidas dos nossos filhotes. Tem mais: estar disponível o tempo todo não é tão divertido quanto pode parecer para uma criança: isso gera ansiedade, e muita.

Qual é a idade ideal para uma criança ganhar um celular? Conheço pais que dão o “presente” quando os filhos completam cinco anos de idade. Por que uma criança nessa idade precisa de um celular? Não pode simplesmente passar algumas horas socializando-se com os amigos, os colegas, num universo controlado (a escola deveria ser isso, certo?) sem a intervenção de um objeto intruso? Mais: caso receba a ligação de um estranho, como procederão? Mesmo orientados pelos pais, há situações que nem nós adultos podemos controlar (vide o caso dos “sequestros” realizados por presidiários; dia desses minha madrinha de mais de 50 anos passou por isso, e deu todos os dados bancários, etc).

Sobre esse assunto, fiz uma pesquisa relâmpago no Facebook – a maior parte dos pais/parentes que responderam (e foram quase 30) confessa que deu o aparelho, mas que não se sente muito confiante quanto à decisão. Muitas mães decidiram não dar e ponto. O argumento de que os todos os amiguinhos têm é recorrente, assim como a necessidade de encontrar a criança mais facilmente. Mas aí vem aquela pergunta chatinha que vou me obrigar a fazer: você não confia na escola em que seu filho estuda? Não confia nos pais dos coleguinhas? Porque deixar o filho sozinho ninguém deixa, é claro!

Uma mãe de uma criança de nove anos definiu muito bem quando fiz a pergunta “seu filho, sobrinho, neto, etc, tem celular? Ganhou com quantos anos?

- Minha filhota está com nove anos e ainda não tem. Fico temerosa por conta de roubos e também acho nova demais para sair ligando ou receber ligações do mundo sem controle… Tem muita gente do mal por aí… melhor prevenir – disse ela, e com inteira razão.

Tem mais outro ponto importante: um celular estimula nosso lado consumidor mais voraz. Pensem com seus botões: de quanto em quanto tempo você pensa em trocar seu aparelho? No meu caso, tecnóloga apaixonada, sempre que a Apple decide lançar um novo modelo é a resposta. Mas isso não devia ser assim. Se meu aparelho está perfeito, correspondendo às minhas expectativas, funcionando direito, me trazendo acesso à internet, aos joguinhos dos quais gosto e uso nas filas de banco e de médicos, ficar trocando de modelo é nada mais nada menos que… consumismo exagerado! Por que quero tanto um iPhone 4S se o 4 usa até o mesmo sistema? É a indústria criando necessidades que não existiam e, quando não satisfeitas, dá-lhe frustração! Mas será que preciso mesmo de um iPhone novo para ser feliz? E se não tiver como adquiri-lo, como me sentirei? Agora, apliquem isso na realidade de uma criança de oito anos, que ainda não faz análise, não sabe o valor do dinheiro nem da falta dele?

Nós, como pais conscientes e cautelosos que somos, precisamos reavaliar nossas decisões quanto a muita coisa o tempo todo, o que é deveras chato. “Ah, mas qual é o problema de dar um celular para uma criança se eu tenho o dinheiro e ela quer?”, muitos podem indagar. E acho compreensível que questionem. A pergunta é simples e pode ter uma resposta simples: não há mal algum, amigos, desde que, antes, vocês sejam capazes de responder a algumas perguntinhas também por sua vez bem simples: 1) para que você está dando um telefone para o seu filho? 2) você vai saber controlar, uma vez que um telefone é um meio de comunicação e, como todos, está exposto a todo tipo de interação? 3) você vê o celular como “babá eletrônica”, assim como a TV? 4) você está dando o celular porque os amiguinhos de seu filho têm e você não deseja vê-lo frustrado (embora a frustração seja necessária?); 5) você vê o celular como um brinquedinho? 6) você sabe se controlar e não ser intruso na vida de seu filho? 7) você gostaria de ser professora de uma criança que usa celular em sala de aula sem orientação? 8)você está competindo com os seus amigos/amigas? 9) você acha mesmo que seu filho é maduro o suficiente para se sair bem em caso de ligações indevidas? 10) você não vê mal algum e acha que seu filho precisa se adaptar à nossa “vida digital”?

Todas as respostas são válidas. Mas queria mesmo que essa coluna servisse pra uma reflexão. Recomendei à minha cunhada que dessa vez desagrade à pequena Júlia. Ela ouviu, fez um muxoxo e foi brincar de boneca. Que inveja fiquei da bichinha, cheguei a pensar em trocar meu iPhone pela Barbie…

Comentários (9)   

cristianoportela

bem, existem celulares com função de lista negra e celulares com função de lista branca, que só recebem chamadas de determinados números. existem celulares bem baratos que permitem a instalação desse tipo de aplicativo, isso quando eles já não tem. não tenho filhos, mas pessoalmente eu daria um pré-pago, e já configurado com discagem rápida a cobrar para o meu celular e o de quem mais achasse necessário. e te digo a razão: tem pedófilo esperando na saída das escolas e algumas vezes os pais atrasam ao buscar os filhos. por isso, o risco de eles receberem alguma ligação indevida é menor do que o de poder avisar que possa atrasar ao buscar eles. alguns celulares bem baratos também tem opção de ativar um perfil por horário e basta configurar um perfil mudo no horário normal da escola para que não perturbe a professora. quando não tem, tem como configurar o perfil para desaparecer com o som quando recebe torpedo, que é o mais comum de crianças usarem. também, educação se dá em casa, não na escola. pais que não sabem educar seus próprios filhos não são capazes de ensinar a eles que tem horário para tudo, inclusive para usar o telefone

também,(...)

cristianoportela - Santa Maria - RS - 21/11/2011 - 17:00 - Responder no fórum

vagnerrondon

Os pais hoje em dia, com a "desculpa" de os dois trabalharem fora, terem compromissos de todas as naturezas resolvem "terceirizar" a educação de seus filhos, e quando algo não dá certo colocam a culpa nos outros.
Criança bem educada, com valores familiares bem formados raramente vão ter problemas.
Colocar a culpa nos celulares e outros gadgets é uma desculpa para a falha como pais.
Gosto muito da fala de um filme que diz que para dirigir tem que ter licença, para portar uma arma tem que ter licença mas qualquer imbecil pode ser pai.

vagnerrondon - 22/11/2011 - 12:59 - Responder no fórum

ags10ags

Não sou pai, mas fui criado da seguinte forma, eu tinha o que meus pais podiam me pagar e SE achassem necessário portanto:

Eu nunca escolhi nada para ter, até podia desejar, mas sabia de antemão que só ganharia SE eles PUDESSEM comprar e se CONSIDERASSEM necessário.
No caso desta criança acima não existe NECESSIDADE de ter, portanto jamais compraria apenas para agradar a ela....

Criança não pode ter tudo que quer, quando crescem acham que tudo podem ter e conquistar, no primeiro revés que a vida ensina ficam frustradas e desistem logo. Este é o mal da geração Y.

ags10ags - joinville - SC - 25/11/2011 - 14:08 - Responder no fórum

cristianoportela

veja bem que não é só uma simples questão de "criança querer ter" envolvida, pois há uma questão de segurança envolvida. veja que na maioria das vezes as pessoas não tem a menor ideia se seus amigos ou conhecidos são ou não pedófilos e muitas vezes esses sujos (para não usar uma palavra bem mais pesada e que eles merecem) o são. crianças pequenas tem uma tendência a confiarem em todo mundo, especialmente se a pessoa que veio buscá-las é seu conhecido. muitas vezes, professores liberam crianças para conhecidos dos pais delas, sob a alegação de que "eles pediram para buscar" e nem sempre isso é verdade. todo pai ou mãe que se preocupa um mínimo com seus filhos sabe que isso é uma possibilidade concreta de acontecer. imagine a situação em que você já foi buscar seu filho com algum amigo da família e a pessoa era um pedófilo. um belo dia, você se atrasa para buscar seu filho e o pedófilo vê uma oportunidade. se seu filho tivesse um celular, era só você telefonar para ele e avisar que iria se atrasar e que ele teria que esperar com a professora. se ele não tem, facilita e fica na frente da escola até todo mundo sair de perto, pq(...)

cristianoportela - Santa Maria - RS - 25/11/2011 - 14:24 - Responder no fórum

Diego_iron

Não acho que pedófilos são realmente um problema tão grande quanto pintam. Graças a Deus (eu espero), são uma minoria anormal da nossa sociedade. E para um tomar a iniciativa de abordar, aliciar e atacar, é mais raro ainda. Ouvimos vários casos pois eles se tornam conhecidos, mas isso não os torna em grande número.

Mas voltando a pauta, não daria para um filho pequeno um celular e questiono até mesmo dar um PC exclusivo para ele. Motivo: não há a necessidade. Só fui ganhar computador quando este se tornou praticamente obrigatório devido aos estudos. Celular só com 14 anos, pré-pago e olhe lá. Dar esses equipamentos só porque os coleguinhas têm, ou por um pseudo medo de que algo aconteça com a criança é só arranjar desculpas para incentivar a competição entre as crianças. Vejam os pré-adolescentes e adolescentes de hoje, totalmente bitolados com relação ao mundo, não sabendo nada sobre seu lugar no mundo e ainda por cima se achando os mais inteligentes da terra. Só que a vida não é assim. Quando tomarem as primeiras bordoadas da vida vão ver que não funciona como o mundo mágico que eles acreditavam. Criança saudável, inteligente e capaz é(...)

Diego_iron - 27/11/2011 - 13:24 - Responder no fórum

cristianoportela

bem, pedófilos não são exatamente o único problema. também tem os infelizes que se prestam a sequestrar crianças para tirar dinheiro de pais endinheirados, para "ensinar aos pais alguma lição", além de gente que se presta a fazer algo só de pura maldade mesmo. mas esse não é bem o único problema. imagine, por exemplo, que você tenha atrasado ao buscar seus filhos e ele resolva ir a pé sozinho ou com os colegas. você não sabe disso e vai buscar ele da mesma forma e não encontra, pq ele não está mais lá e você não tem nenhuma forma de contato com ele até que finalmente chegue em casa. imagino o desespero dos pais numa situação dessas. detalhe: mesmo que não tenha nenhum pedófilo envolvido neste caso, o estado de nervos a que qualquer pai ou mãe com um pingo de responsabilidade deva ser algo. fora situações ainda mais ridículas, tipo pais que vão ao mercado e "esquecem" seus filhos trancados no carro, em pleno sol. se ninguém ver eles, sem uma forma de comunicação, você vai chegar no carro só a tempo de chorar e lamentar não ter dado alguma forma de comunicação para os seus filhos

já o celular que pode ser dado a(...)

cristianoportela - Santa Maria - RS - 27/11/2011 - 13:48 - Responder no fórum

Lantis

Sei lá. Na época dos nossos pais eles falavam mal da TV, ela tem sim problemas, mas nós fomos criados mais pelo Bozo q por nossos pais e naum somos serial killers ou coisa do tipo. Hoje naum é raro donas de casa passarem horas falando com as mais, e seus filhos reclamarem do abuso.

O único problema q vejo no celular é o custo absurdo das ligações. As crianças devem ser protegidas sim do consumismo, pq o marcketing é cruel e elas naum tem vivência pra entender o custo das coisas. Se os pais pagam, elas vão ficar falando e mandando SMS sem dó, e a telemar já tem há tempos o comercial do ligador como garanhão pegador...

Se hoje o brinquedo da moda é o celular, paciência, dexa eles viverem po!

Lantis - MG - 29/11/2011 - 06:32 - Responder no fórum

Flavio Xandó

Elis que delícia de discussão! Tem inúmeras arestas este assunto. Como te falei na pesquisa no Facebook, meu mais velho ganhou o dele aos 14 anos. E mesmo assim só para quando ele sai com amigos. Celular na escola nem pensar. Acho que como você disse algumas mães acham que o celular é o "preço de sua liberdade" (da mãe) por sentir uma (falsa) sensação de onipresença, como se estivesse estendendo sua influência remotamente só pelo fato da criança carregar consigo o celular. A boa educação e a confiança na criança, onde fica?? Claro que na minha tenra juventude não tinha celular porque não havia, mas não por isso não deixei de frequentar os locais que gostava e por vezes chegando de madrugada em casa, sempre são e salvo.

Assunto polêmico. Acho que a discussão vai longe. Só você mesmo para agitar um tópico como nos velhos tempos!!! Bj

Flavio Xandó - 02/12/2011 - 20:08 - Responder no fórum

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