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Elis Monteiro
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Telefonia Etc.

GSM, LTE, 3G, 4G, WiMax, HSPA... O mundo das telecomunicações

Revoluções por minuto

Postado as 16:02 - 12/09/2011 - Por Elis Monteiro. Categorias: Gadgets, Netbooks, Smartphones, Tablets, Telefonia.

1voto  

Neste louco mercado de tecnologia, nada mais nos espanta, já atingimos patamares outrora inimagináveis. Há poucos dias, “vazou” mais um vídeo do que pode vir a ser o novo iPhone da Apple, que, além de ter um design extremamente fino, usa teclado e display holográfico. Ninguém duvida que, a essa altura do campeonato, alguma coisa do gênero vem por aí. Os celulares já trazem HDMI, câmeras com mais de 12 megapixels, já usam tecnologia NFC (Near Field Communication), 3D sem uso de óculos, funcionam como cartão de débito, substituem MP3 players e câmeras de vídeo. O que mais falta acontecer? Tudo aquilo que considerávamos impossível e muito mais.

Já vivemos há muito tempo na casa dos Jetsons, convivemos com aplicações de realidade aumentada, QRCodes (códigos que podem ser lidos por celulares), videoconferência, palestras sem a presença física do palestrante, que mesmo assim está no palco – em forma de holograma. E o que se pode dizer sobre a tecnologia E-Sense, que usa “tactile pixels” ou “pixels táteis”, que permitem que o usuário sinta texturas de objetos que estão dentro da tela do celular? Quem podia imaginar um troço desses?

Pensar sobre toda essa parafernália tecnológica me faz lembrar do meu bom e velho iPaq. Sim, eu tive um “palmtop” da HP, empresa que este ano descontinuou a fabricação e venda de seus celulares e tablets. Foi a minha primeira experiência com aparelhos organizadores que, ao mesmo tempo, traziam funções de entretenimento. Ele não oferecia vídeo nem trazia aplicativos nos moldes dos disponíveis hoje, mas era o máximo. Como nunca fui ligada à Palm nem gostava de sua interface, e ainda confiava na Compaq (vocês se lembram dela, gente?), acabei me rendendo ao iPaq, mesmo que por pouco tempo. Isso era lá pros idos dos anos 2000, quando os celulares serviam só para falar, não havia GSM e a concorrência entre as operadoras ainda era incipiente.

O salto tecnológico dos últimos dez anos é impressionante, mas os últimos três anos, particularmente, foram de assustar. Usávamos desktops, agora não mais; notebooks eram exclusividade de executivos e custavam os olhos da cara; netbooks já haviam sido lançados, assim como os tablets, mas nada chamava atenção porque não havia uma utilidade para aquilo. Tanto os netbooks quanto os tablets só passaram a fazer sentido depois da chegada da internet móvel e dos aplicativos, que tornam muito mais rica a experiência do usuário com seu equipamento. A mobilidade não se dá apenas pelo tamanho do dispositivo, mas principalmente pelas aplicações que vêm a reboque.

Por que, caros amigos, os tablets lançados antigamente não “pegaram” e os de agora se tornaram sonhos de consumo? A resposta é uma só e tem a ver com a revolução por minuto lá do título: timing. Quando Steve Jobs anunciou o iPad, já havia um ecossistema montado, à espera de um aparelho que atendesse àquela demanda. A aceitação dos aplicativos já havia sido testada nos smartphones, e ficava clara a ideia de que se o usuário queria baixar tanta coisa é porque se interessava por usar aqueles programetes, jogos, aplicações em geral. Um tablet é, atualmente, a melhor ferramenta para uso de tais aplicativos – a tela é muito mais confortável, a mobilidade não fica comprometida (eles ficam cada vez mais finos e leves) e a praticidade para o download explica a obsessão por ter tanta coisa instalada na área de trabalho. Se fôssemos fazer uma pesquisa sobre a quantidade de programas baixados e o número realmente usado, é claro que chegaríamos à conclusão que baixamos coisas demais. Mas que é uma delícia descobrir novas extensões para os aparelhos, ah, isso é.

O usuário embarcou na revolução e a adesão ao mundo móvel cresce a olhos vistos. Um dado para provar: mais de 40% dos consumidores já acessam a internet pelo celular, de acordo com o estudo #Mobilize Consumidor Móvel 2011, realizado pela W/McCann e Grupo .Mobi, com pesquisa do Instituto IPSOS Mediact. Isso significa que a internet móvel tem números superiores aos que a internet ‘tradicional’ apresentava no começo de 2007. De fato, quatro anos neste mercado significaram mais de dez. Tudo aconteceu em uma velocidade vertiginosa, o que nos deixou como baratas tontas, buscando o que é melhor para o nosso consumo, nosso perfil e, claro, que atenda aos nossos anseios e desejos.

Os novos gadgets não fariam tanto sucesso sem as aplicações práticas que trazem a reboque, o que no final das contas é o que interessa. Parece simples, mas esse é o verdadeiro pulo do gato, a revolução de fato – quando a indústria passa a pensar na aplicação da tecnologia e não apenas no seu conceito. Aplicações conjugadas a simplicidade de uso e a mobilidade, eis a receita do sucesso. O que vier daqui pra frente, portanto, terá que oferecer isso aí e muito mais, por isso podemos prever que os próximos anos serão ainda mais emocionantes. Segundo a consultoria ABI Research, sistemas de localização usando tecnologia e interface de uso orientada por sensores tendem a dominar a próxima geração de celulares. Em 2013, prevê, nada menos que 85% dos celulares trarão a função incorporada.

Se voltarmos dez anos no tempo, foi em 2001/2002 que a Nokia apresentou ao mundo o Nokia 3510(i), primeiro aparelho da fabricante a usar serviços de internet móvel, em GPRS. Outro diferencial do supermodelo era o uso de… tela colorida! Em dois anos a evolução foi muito rápida e, em 2002, saía o modelo 7650, um divisor de águas para a Nokia e para o mercado – o modelo, que foi o meu primeiro “moderníssimo”, apostava na câmera e na interface (Symbian) colorida e cheia de novas funções. Também em 2002 a Sony Ericsson lançou o modelo P800, com interface sensível ao toque (usando canetinha style).

Uma outra revolução aconteceu em 2003, quando a Palm lançou o PalmOne Treo 600, que apostava na conjunção telefone + PDA + câmera. Pouco depois teve início o império da RIM (mãe do Blackberry) e seus aparelhos organizadores + comunicadores. Além da revolução do design – lembremos do Razr, da Motorola, que tinha como grande atrativo o fato de caber no bolso da calça – entre 2005 e 2007 ocorreu o casamento do celular com a internet, que teve seu ápice com o lançamento do iPhone. A partir daí, a indústria passou a correr atrás do que realmente interessa para nós, usuários. Aí sim tivemos a resposta para a pergunta mais importante: para que vou usar o meu celular? No caso dos aparelhos à disposição hoje, a resposta é: para tudo.

Daqui pra frente, muita coisa vai acontecer e nada vai nos chocar tanto – a não ser, é claro, que se lance um gadget transparente ou um que se comunique com o dono por telepatia. E o uso dos aparelhos, assim como de suas funções cada vez mais avançadas, vai se intensificar. Projeções da Nokia Siemens Networks, que começou um estudo sobre tráfego de dados em redes móveis em 2008, dão conta de que a base de assinantes de redes móveis crescerá 140% até 2015. De 2008 para cá, o ritmo de crescimento do tráfego se manteve na média de 80%,90% ao ano.

Se o comportamento do usuário já está sendo revolucionado e os aparelhos ganham tantas aplicações assombrosas, as redes que conectam pessoas e aparelhos à internet precisam acompanhar toda esta mudança. O problema é que ainda estamos sendo apresentados ao 3G ao mesmo tempo em que aparelhos criados para redes 4G pipocam nas prateleiras. É preciso conjugar a velocidade da indústria de gadgets com a rede que propiciará o uso de tanta tecnologia. Será possível colocar esta revolução em prática? Eis a pergunta que precisa ser respondida.

Comentários (2)   

cbataquim

Eu me lembro muito bem da Compaq, uma empresa maravilhosa para se trabalhar, fiquei por lá quase 3 anos.

cbataquim - Campinas - 15/09/2011 - 15:12 - Responder no fórum

jamesclock

Na minha opinião, as redes 3G estão dando conta do recado, as operadoras é que poderiam popularizar os serviços de internet 3G de alta velocidade. A maioria dos aparelhos já suportam velocidades acima de 4Mbps e ainda temos os que suportam 7.2Mbps! sendo assim, o que está limitando a conexões dos celulares é a capacidade das empresas de telefonia em fornecer taxas mais rápidas.
Mas o que realmente é um gargalo para estas novas tecnologias não são nem as operadoras de telefonia móvel, mas sim a capacidade das baterias dos aparelhos, imagina um Iphone com display e teclado holográfico, a bateria duraria apenas alguns minutos, acho q antes de uma revolução como essa, seria necessário a industria se focar em novas tecnologias de armazenamento de energia pra dai sim implementar novas idéias que tirem proveito dessas novas baterias.

falow

jamesclock - Campo Grande MS - 22/09/2011 - 12:33 - Responder no fórum

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