Menos de uma semana depois do anúncio da renúncia de Steve Jobs do comando da Apple, já recebemos todo tipo de informação sobre a carreira e a vida dele – gráficos, linha do tempo, grandes frases, feitos inesquecíveis, decisões que revolucionaram o mercado, até entrevista com o pai biológico, com quem Jobs nunca falou. Movimento como este nunca tinha visto até então: um verdadeiro obituário de gente viva! Sem entrar no mérito de “isso é bom ou é ruim”, tanta informação só mostra a importância do executivo visionário para vários mercados, não só o de gadgets e de computadores.
Steve Jobs é o cara! Conduziu e reconduziu a Apple, mostrou-se indispensável a ponto de as ações da empresa caírem toda vez que aparecia um boato sobre sua saúde – na maior parte das vezes, boatos verdadeiros. Não se sabe como Jobs aguentou até agora, vítima que foi de câncer no pâncreas e no fígado. No primeiro diagnóstico, em 2005, um baque: o câncer no pâncreas era agressivo demais e ele chegou a rever algumas decisões de vida. Chegou, por exemplo, a reconhecer uma filha diante da temeridade da morte. Tratando-se de um déspota (adjetivo utilizado por todos os biógrafos, assim como “intratável”, “perfeccionista”, “difícil”, “temperamental e, pasmem, “perverso”) a proximidade da morte parecia o momento certo para uma revisão de conceitos. Que veio, mas nada que o tenha transformado num ser mais maleável.
Tive o prazer de entrevistar, certa feita, Leander Kahney, autor de “A cabeça de Steve Jobs”, espécie de biografia não autorizada que vendeu como água em dia quente. Simplesmente porque todo mundo quer saber como Jobs realizou tanta coisa, como teve tantas ideias incríveis, como pegou uma empresa que andava mal das pernas – depois da saída dele, diga-se – e a transformou na empresa mais valiosa do planeta. Mesmo com tantas obras variando sobre o mesmo tempo, a cabeça de Steve Jobs continua sendo um grande enigma, e talvez nenhum mortal venha a descobrir o que acontece naquela mente que sabe fazer o que ninguém sabe: criar produtos simples, naturais, cobiçáveis, a ponto de se tornaram prolongamentos do corpo humano.
http://www.youtube.com/watch?v=JdmJEwO5qiE
Falar sobre o que Steve Jobs fez é descrever tanta coisa que talvez fosse mais simples escrever sobre o que Jobs não fez. E ele deixou de fazer muita coisa, seja por teimosia ou por vidência. A questão é que algumas decisões controversas, por mais absurdas que parecessem, só fizeram aumentar o prestígio da empresa que liderava com mão de ferro. Exemplinhos bobos: Steve NÃO voltou atrás de sua decisão de incompatibilizar seus gadgets com o Flash, por mais que se tenha esperneado; Steve não incluiu saída USB nos iPads; não fez de seu sistema uma caixa aberta; não vendeu produtos mais baratos que os da concorrência; não desvirtuou sua ideia original de manter tudo dentro de uma caixa preta; não quis competir com Nokia, Motorola, Sony Ericsson, Samsung e outras, simplesmente porque sabia que seus produtos eram bichos diferentes. Jobs não se misturou, manteve uma posição firme sobre a comercialização direta da empresa em países como o Brasil, onde a pirataria é brava; não trouxe o iTunes pra gente, não do jeito que é lá fora, porque sua empresa não concordou com as condições impostas pela legislação nacional; não esmoreceu e continuou acreditando que as pessoas estavam dispostas a pagar, mesmo que pouquinho, para baixar uma música, um aplicativo, um joguinho qualquer; Jobs não se vendeu para o Google; não achou que a gigante de Mountain View podia vir a tirá-lo do páreo; Steve não tirou o Mac de um nicho e, querem saber? Fez ele muito bem. Falem o que quiserem, mas ter um iPhone ou um iPad ou um MacBook continua sendo ter um produto diferenciado, mesmo com as limitações, que não são poucas.
Talvez também valesse à pena falar sobre o que Jobs não fará – pelo menos não mais como presidente da empresa mais visionária do planeta (não, não acho que o Google seja concorrente para a Apple, pelo menos não no quesito entretenimento e produtos high end). E é claro que aqui não estou adiantando o óbito do gênio, só tentando prever o que virá nos próximos anos, mesmo sem a participação direta do cara.
Steve até participará do lançamento do iPhone 5, pelo menos não mais com aquela presença magnética que hipnotiza as plateias e faz o planeta tremer – pelo menos a parte dele que se importa com gadgets e maravilhas tecnológicas. Jobs não mais exigirá que o relógio dos iPhones em todas as fotos/folders/divulgações esteja marcando 9h41 (já notaram isso?). Trata-se de um pequeno capricho por parte de um homem que pensava na caixa, no manuseio, na simplicidade, no toque. Afinal, quem criaria um mouse branco que é vendido dentro de uma caixa de acrílico, tão perfeito que parece uma joia?
Jobs não aparecerá mais com aquela calça jeans e a gola rolet preta (segundo Leander, até nos momentos em família ele estava com a mesma roupa, um mistério que talvez nunca venha a ser solucionado). Jobs não lançará um iPhone da espessura de uma folha de papel; não lançará um telefone que entenda o piscar de olhos do usuário como comando de execução; não participará da revolução do lançamento do celular que funciona através da telepatia; não criará um iPad invisível; não bolará um celular que projete as teclas nas mãos dos usuários; não criará um MacBook Air dobrável; não lançará um MacBook com quatro núcleos; não lançará uma versão incrivelmente simples do iTunes; não verá o Brasil adotar a compra das músicas e dos filmes pela loja iTunes nem através da App Store. Não verá o Brasil ter uma conexão tão sensacional que filmes passarão a ser lançados no cinema e na App Store ao mesmo tempo; não verá as filas se formarem para o lançamento do iPhone 10, maravilha que dispensará o toque e aceitará comandos via pensamento; não estará aqui quando chegarmos enfim à singularidade, aquele momento em que máquinas e homens vão se fundir. Pelo menos aquela que faz parte dos planos de Ray Kurzweil, o papa da Singularidade.
Jobs não estará por perto quando a junção Google-Motorola começar a pegar fogo; assim como o casório Nokia-Microsoft. A Apple estará vivinha da Silva ou alguém aí duvida da capacidade que a empresa tem de se manter de pé? Talvez ela nunca mais vá recuperar aquele charme e talvez nunca seja escrito um livro sobre a cabeça de Tim Cook. Talvez nunca venhamos mesmo a nos interessar pelo que pensa o novo presidente da Apple. Mas os iPhones, MacBooks, iPads e outros produtos revolucionários vão continuar aparecendo.
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Comentários (7)
joedevola
***** MODERAÇÃO *****
FAVOR NÃO FAZER COMENTÁRIO SOBRE RELIGIÃO
Você tem muitas mensagens com argumentos copiados e colados de um lado e de outro deste fórum.
joedevola - 02/09/2011 - 06:34 - Responder no fórum
KuerganMc
Não da pra falar mal de uma marca que fatura o que fatura mesmo não tendo "o melhor produto" como muitos sites dizem. Nem o mesmo volume que outros produtos.
O cara é bom mesmo, se preocupou em fazer produtos bons que não necessitam que as pessoas tenham background tecnologico e tem foco no "customer experience". Se for pra funcionar capenga então nem entrega... (basta ver que os ipods mais antigos não receberam os últimos iOS)
Por exemplo eu tenho um galaxy s2 e um iphone. Se um dia eu tiver um ataque do coração e cair na rua e depender de alguem pegar meu telefone e fazer uma ligação para meus parentes eu rezo para que esteja carregando meu iphone pois conheço inúmeras pessoas que não dao conta de fazer uma chamada no galaxy S2 ou visualizar a agenda dele.
Por outro lado... nem chego perto de um iMAC para trabalhar... quase todas minhas ferramentas só funcionam no windows e não quero me unir a galera que gasta moh grana pra comprar um mac book pro e trabalha nele usando uma virtualização do windows.
KuerganMc - 05/09/2011 - 17:16 - Responder no fórum
Sivirino
Por que as pessoas não se limitam ao assunto de nossa colunista: O que Steve Jobs não fez - e não fará? Por que tem que misturar sempre o assunto com religião? Mas, já que você tocou no assunto e é um estudante da matéria, você já parou para estudar a vida desse amigo imaginário? O que de fato ele disse? Veja que Ele nunca pregou ou ensinou de que era melhor do que os outros. É d'Ele as seguintes frases: Os sãos não precisam de médicos, mas os doentes. Amai aos vossos inimigos. Perdoai aos que vos odeiam. Ninguém te condenou, também, não te condeno. Vai em paz, a tua fé de Salvou. Dou a minha vida em favor de muitos. Etc. Veja que Ele nunca fundou uma religião.
Votando ao assunto da matéria.
O sucesso de Steve deve está no fato de que ele nunca perdeu o foco. Ele não é levado pelo vento, ele fixa num objetivo e vai até ao fim.
Abs,
Sivirino - 08/09/2011 - 07:45 - Responder no fórum
AndreTJ
Quando eu li o seguinte não pude deixar de pensar na pergunta: Quem é esse cara, o Dr. Emmet Brown?
Aí eu me dei conta que o texto fala lançar e não inventar ou criar. Acho que o problema é esse dão crédito demais pra uma cabeça só, quando na verdade é o P&D quem trabalha. Se fosse no futebol o Jobs seria o José Mourinho. Baita técnico, mas tem um time estrelar que na verdade é quem entra em campo e ganha o jogo. Mas o foco está mais nele do que nos jogadores. Isso aqui no Rio tem um nome: malandragem.
Me falaram para eu não usar o mouse ou outras inovações para PC só pq eu não admiro o Steve Jobs. Por um momento pensei: "pô, foi ele que inventou o mouse?"
AndreTJ - Rio de Janeiro - 08/09/2011 - 13:43 - Responder no fórum
Sivirino
Favor ler Lucas 19.10.
Leia o contesto.
Abs
Sivirino - 10/09/2011 - 09:37 - Responder no fórum
joedevola
***** MODERAÇÃO *****
FAVOR NÃO FAZER COMENTÁRIO SOBRE RELIGIÃO
Você tem muitas mensagens com argumentos copiados e colados de um lado e de outro deste fórum.
Você já tem certo tempo de fórum mas não é ativo.
Expresse suas idéias com mais originalidade...Não com CONTROL C / CONTROL V
Caso continuei, será banido.
joedevola - 10/09/2011 - 14:00 - Responder no fórum
fabiojspereira
Senhores, vamos dar continuidade com foco no assunto.
Abraços.
fabiojspereira - Brasil - 10/09/2011 - 17:48 - Responder no fórum
