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Web: 20 anos de transformações radicais

Postado as 15:28 - 12/08/2011 - Por Elis Monteiro. Categorias: Aplicativos, Comportamento, Mercado, Redes Sociais.

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Nenhum de nós é capaz de imaginar a vida sem ela. Convivemos com tal invenção há 20 anos e, apesar das mudanças de comportamento dos usuários e do surgimento de ameaças à sua saúde, a World Wide Web – ou Web, para os íntimos – completa duas décadas ainda em forma. Cria do inglês Tim Berners-Lee (na verdade, Sir Tim Berners-Lee), pesquisador do Conselho Europeu de Pesquisas Nucleares (CERN), a Web rendeu para Lee nada menos que o Millennium Technology Prize, premiação concedida pelo governo da Finlândia, “em reconhecimento a inovações tecnológicas que contribuem para a melhoria da qualidade da vida humana e encorajadores do desenvolvimento sustentável”.

A Web é frequentemente confundida com a Internet, quando na verdade é apenas uma parte desta, assim como os aplicativos, FTP, e-mail, newsgroups etc. No linguajar cotidiano, no entanto, elas são sinônimas e, por isso mesmo, sempre que alguém fala em “morte lenta da Web”, é taxado de catastrofista, um doidivanas capaz de prever a morte da internet.

Na página oficial criada pelo CERN em ocasião do nascimento da Web, assim ela foi apresentada: “O World Wide Web (W3) é uma iniciativa de catalogação de informação hipermídia que deseja fornecer acesso universal a uma grande quantidade de documentos”, dizia a descrição do site.

Foi assim por muito tempo e, se dependesse de Berners-Lee, continuaria sendo. Ele tem demonstrado preocupação com o destino da Web, que estaria se tornando “uma coleção de imensos feudos de propriedade de algumas empresas” – um do Facebook, outro do Google, outro da Apple. O pai da WWW decidiu, assim, criar a Fundação World Wide Web (Web Foundation) para retomar o conceito inicial de sua criação – fornecer acesso universal a documentos que façam diferença no dia a dia dos usuários que deles precisam, e não apenas um campo de exploração por parte de algumas companhias. No Brasil, diga-se de passagem, a Web Foundation tem acordo com o Comitê para Democratização da Informática (CDI), ONG que trabalha há 16 anos com inclusão digital.

Há ameaças. E muitas. Em 20 anos, a Web passou por transformações impressionantes – o que foi desenvolvido para criar uma rede de hiperlinks agora é usado como ferramenta cidadã ao redor do planeta, vide o caso das redes sociais; o que era restrito a um público acadêmico agora é acessado por bilhões de pessoas. Quem diria, em 1993, quando a Web foi “liberada” para o mundo, que assistiríamos discursos políticos em tempo real; que manifestações presenciais seriam organizadas virtualmente; que empresas e organizações seriam obrigadas a rever suas políticas de comunicação; que governos teriam de estudar formas de prestar contas à sociedade; que compras seriam feitas com apenas um clique; que monstros como o Facebook seriam possíveis; que aplicativos nasceriam dentro de redes sociais?

Para os leigos, a Web nasceu quando surgiu o primeiro browser “multimídia”, o Mosaic (1993). Para a maioria, no entanto, foi com o Netscape (1995) que tudo teve início. Ele também marca o começo da guerra dos browsers: a Microsoft decidiu oferecer gratuitamente seu navegador Internet Explorer junto com o Windows 95 e, depois, “acoplou” o browser ao Windows 98, tornando tudo uma coisa só. Muito mais tarde, a Microsoft foi processada pela Comissão Europeia por “expulsar a concorrência do mercado” ao oferecer browser integrado ao sistema operacional, assim como o Windows Media Player. A multa, de mais de US$ 700 milhões, até hoje é contestada pela Microsoft. Que um dia pode até fugir da multa, mas já foi condenada, e há muito, pela opinião pública.

No Brasil, a Web tem uma trajetória de fortes emoções. Nos apaixonamos por ela e nos tornamos o povo que mais tempo passa conectado à internet no planeta, principalmente plugados às redes sociais hospedadas na WWW. A comunicação mais direta entre usuários – e aqui não estamos falando, claro, dos pioneiros das BBS´s – começou com a florzinha feliz do ICQ (1996), comunicador instantâneo criado por uma tal Mirabilis (ainda existe e o número antigo vale, para quem é capaz de se lembrar dele). Sucesso em todo o mundo, este acabou perdendo o posto de preferido da comunicação direta para o MSN Messenger, da Microsoft, ainda mais quando esta o conectou ao Hotmail e à sua família Windows Live.

Quando o ICQ fazia a alegria dos tagarelas, surge o Google (1998), a primeira grande revolução da Web – com ele foi inaugurada uma nova forma de ganhar dinheiro, que não onerava o usuário e transferia os custos, com uma boa sobra, para a publicidade. As empresas começaram a perceber que a internet poderia vir a ser um canal de comunicação com seus consumidores. Nada que se assemelhe, vale dizer, à revolução proporcionada recentemente pelo Facebook e pelo Twitter – agora, as empresas não só anunciam em sites muito visitados: elas já fazem questão de ter presença concreta nas redes, comunicando-se diretamente com o público que interessa ao seu nicho de atuação.

O Google surgiu pouco tempo antes do começo da bolha pontocom, um divisor de águas para a internet; foi ali que o mercado percebeu que não bastava uma ideia genial para a Web – era preciso um plano de negócios seguro e, sobretudo, maduro para o sucesso das empreitadas na rede mundial de computadores. Foi também em 1998 que os grandes portais começaram a nascer. No Brasil, quem não se lembra da Starmedia, que almejou ser uma espécie de Página Inicial da América Latina? E da America Online (AOL), que nos trouxe de presente a brilhante ideia dos CDs de instalação que não só facilitavam a conexão à internet via software como acabavam dominando a máquina dos incautos? Parece que foi ontem que foi promovida uma quebradeira pública de CD´s. Imaginem uma atitude como essa da AOL em plena era Twitter?

Às vésperas do ano 2000, enquanto o mundo esperava ansioso pelo Bug do Milênio, o maior mico da história da internet, os blogs sorrateiramente começavam a chamar atenção. Estávamos entrando na segunda grande revolução – aquela na qual o conteúdo passou a ser feito pelo internauta/webnauta, que passava a ser ativo e não mais apenas um mero receptor de conteúdo. Nascia uma Web colaborativa, interativa e participativa – também chamada de Web 2.0. O seu ícone máximo surge em 2001 – a Wikipedia ainda é o maior exemplo do que a Humanidade cibernética é capaz de produzir quando quer criar alguma coisa que preste.

Com a Web 2.0 passou a fazer sentido o nascimento de uma rede social que congregasse pessoas com interesses afins – o Friendster abriu caminho para todas as outras – no Brasil não pegou e fez menos sucesso que o Fotolog (uma rede de fotógrafos precursora do Flickr) e o Multiply, que deu errado porque era brasileira e a gente detesta o que nasce aqui.

A ideia do Friendster vingou e o projeto acabou inspirando a criação do que viria a ser o Facebook, esse latifúndio criado por Mark Zuckerberg, o Bill Gates dos novos tempos, um hacker de carteirinha que também tem um lado malvado. No rastro da rede de amigos viria o Orkut (2004), que só deu certo no Brasil, e o Facebook (2004), que demorou muito tempo para chegar aqui, sem nos esquecermos do Youtube, um grande repositório de vídeos e também uma rede social divertida e uma ferramenta de buscas para lá de rápida. Os tempos já eram românticos e já sonhávamos com a derrocada do Internet Explorer – foi em 2004 que a Fundação Mozilla lançou o Firefox que, juntamente com o Google Chrome (2008), tem tudo para fazer da vida do IE um mar de lágrimas.
No Brasil, o caminho que separa o Orkut do Twitter e do Facebook foi longo. Enquanto ainda nos divertíamos fuxicando o scrapbook alheio, os universitários americanos já conversavam em murais, coletivamente; e foi apenas em 2008 que o Brasil adotou o “Face” e o Twitter, outra criação voltada para conversas coletivas.

O coletivo, agora, só se fortalece – sites de compras em conjunto fazem sucesso e as conversas em grupo, também. Empresas já trabalham com fan pages de Facebook, interagindo com o público em seus murais, e o Twitter pauta a mídia tradicional. A comunicação é muito diferente da que existia em 1991, meros 20 anos atrás.

Saímos de uma sociedade de comunicação PARA massas e vimos nascer a era de comunicação feita PELAS massas. Se usarmos as ferramentas de forma inteligente, vamos fazer jus à criação de Tim Berners-Lee – um ambiente “virtual” que complementa e melhora o “real”. Mais do que isso: que torna o lado de cá um lugar melhor e mais justo para se viver. Cheers, Berners-Lee!

Comentário (1)   

Azazel38

Interessante este histórico da W3C.
Embora muitas das tecnologias que faziam parte da W3C hoje não existam ou estejam obsoletas, essas foram responsáveis pelo seu sucesso. Eu tenho um sonho de consumo com a Web, a sua possibilidade de ir além do compartilhamento de documentos e recuperação de informação, o compartilhamento e recuperação de conhecimento.
Embora também participe da fanfarra quanto a Web, tenho contra ela a sua incapacidade até o momento de nos oferecer um Paul Gauguin, um Mozart ou um Einstein e a sua democracia exacerbada que favorece demais os incautos e ignorantes em detrimento daqueles que de fato tem algo a oferecer.
Adriano
http://www.jadrianos.co.cc/

Azazel38 - Belo Horizonte - 17/08/2011 - 11:39 - Responder no fórum

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