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Elis Monteiro
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GSM, LTE, 3G, 4G, WiMax, HSPA... O mundo das telecomunicações

Geração Coca Cola x Geração Rivotril

Postado as 18:37 - 13/07/2011 - Por Elis Monteiro. Categorias: Aplicativos, Redes Sociais.

4votos  

Sabem quando alguém escreve aquilo que você gostaria de ter escrito? Estou me sentindo meio assim depois de ter lido o excelente artigo publicado no site da Revista Época. O texto, da jornalista Eliane Brum (link aqui http://glo.bo/mUsr4a), fala sobre o relacionamento dos pais com os filhos. Intitulado “Meu filho, você não merece nada”, o texto traz o incentivo para uma reflexão que todos deveríamos nos obrigar a seguir, ainda mais quando pais (e eu sou mamãe). Protegemos tanto nossos filhos dos males do mundo que estamos criando pessoas que não sabem o que é viver e que a cada tapa da vida – e depois de mais velhos descobrimos que levamos muitos tabefes – desmoronam. Afinal, ensinamos a eles que tudo é fácil, resolvemos tudo por eles e damos a eles a falsa sensação de que a vida será uma eterna felicidade, quando na verdade as alegrias e as tristezas sempre andarão juntas.

Tenho andado muito por universidades, discutindo com jovens sobre as novas gerações, o avanço das tecnologias e, principalmente, a respeito das mudanças na sociedade. E o que tenho visto é uma geração ansiosa e, ao mesmo tempo, muito perspicaz. Não à toa eu batizei as gerações Y e Z (a que chega agora, depois da internet) de Geração Rivotril. Para quem não conhece, o Rivotril é um dos remédios mais vendidos do país e é prescrito principalmente para pessoas ansiosas/deprimidas. Pois os nossos jovens andam ansiosos, talvez pelo excesso de informação + alternativas de comunicação talvez pelo despreparo para encarar o mundo multitarefas.

Isso não é necessariamente ruim. Estamos lidando com uma geração de pessoas mais preparadas – mais rápidas, com maior capacidade de realizar múltiplas ações e com um conhecimento mais amplo (não necessariamente mais profundo). Eles não leem menos, leem mais coisas, só que menores. Dia desses, o grande Fábio Gandour, querido amigo de muitos anos que tem a tarefa (grata) de ser cientista-chefe da IBM Brasil, afirmou que essa geração lê apenas as manchetes (os tweets) e não se aprofunda no corpo dos textos. Eu ligeiramente discordei dele: o usuário de Twitter é, antes de qualquer coisa, um clicador. Não à toa os blogs e sites ganham mais movimento quando criam contas na rede de microposts.

Também não acho que as novas gerações se comportam de forma retraída, como muitos tendem a rotular. Eles são mais sociais, mas usam novas ferramentas para se comunicar – o que antes era a pracinha perto de casa ou o shopping center agora pode ser o mural do Facebook ou o Gtalk. A comunicação deles não é pior do que foi a nossa (de gerações anteriores, como a minha, X) – é apenas diferente.

O que me lembra uma conversa que tive com um taxista (adoro conversar com taxistas, povo que sabe das coisas). O senhor, uma simpatia só, era todo sorrisos porque descobriu que o filho era um “pegador”. E emendou, com orgulho: “ele fica no computador e do nada aparece com uma menina lá em casa para nos apresentar”. Disse a ele que a menina pode ser coleguinha de turma e ele, imediatamente me corrigiu: “não, moça, ele conhece as moças na internet e é muito mais seguro, a senhora sabe”.

O que o taxista queria dizer é que seu filho, de 17 anos, é um ser sociável em ambiente virtual, e que a timidez da dita vida real era compensada pela capacidade incrível de sedução que o rapaz demonstrava ter. Fiquei sorrindo: essa é nossa nova realidade, na qual o ambiente antes tido como alternativo (virtual) agora faz parte do cotidiano das famílias. E se bem usado e monitorado, como qualquer ambiente real, ele pode trazer boas compensações.

Meu filhote Gui, de três anos e três meses, segundo os especialistas faz parte da chamada Geração Z (da era Google, aquela que nasceu depois da popularização da internet e não apenas da comunicação digital, caso da Geração Y), mas eu costumo chamar esta geração de pequeninos de Geração Touchscreen. O nome é auto-explicativo – essa leva de crianças não consegue entender coisas como mouse ou desktops. Afinal, para que ter um empecilho entre homem e máquina se o dedo está ali à disposição para interagir?
Provavelmente, o Gui fará parte de uma geração que não terá paciência para responder e-mails e que vai entender que a comunicação direta (via SMS, Twitter, mural do Facebook mensagem no Facebook ou, quiçá, a telepatia) faz todo sentido, em vez do rebuscamento do “correio eletrônico”. Comunicar-se-á menos? Ora, claro que não! A comunicação continuará existindo, mas com a pressa e a instantaneidade que as novas gerações demandam. Eles não estão errados, nós é que temos de nos adaptar!

As novas gerações também têm uma noção diferente de hierarquia – como em terreno virtual as gerações, classes sociais e faixas etárias se misturam, eles não conseguirão se ajustar com perfeição à imagem do chefe tradicional, aquele que não conversa com subalternos e que com eles não se mistura. Para as novas gerações, só as funções são diferentes, não as pessoas. Ou seja, o sujeito é chefe ou porque tem mais idade ou porque tem um cargo diferente – não porque é melhor que ninguém. Num mundo perfeito deveria ser assim, não é? Na verdade, com a experiência a gente aprende a, como mãe dizia, “colocar o rabinho entre as pernas” e respeitar mais a maturidade alheia.

Essa nova geração é folgada mesmo, não dá para contestar. E aqui me lembro de um papo que tive com um especialista em Recursos Humanos. Disse ele que até a Geração X (quem tem mais de 33 anos), os candidatos a empregos perguntavam, durante uma entrevista, “o que eu posso fazer por essa empresa”? Agora, a pergunta é sempre “o que essa empresa tem a me oferecer”? Uma vez que domina as novas formas de comunicação, a Geração Rivotril acha que pode mais do que na verdade pode. São os novos rebeldes, assim como já fomos um dia…

A Geração Rivotril também é descuidada com sua própria segurança, ainda mais porque considera a internet como sua “segunda casa”. Diz o consagrado autor Don Tapscott (autor de “A hora da geração digital”) que essa geração não sabe o que está plantando para o seu futuro ao dividir tudo com todos – de um simples porre com os amigos a seus pensamentos mais íntimos, em um ambiente que está aberto à visitação pública. Dividem até telefone de casa e celular no mural do Facebook – aliás, entrem agora em seus perfis, cliquem em Editar amigos, depois em Contatos e vejam a quantidade de malucos que divulgam seus celulares. Por que essa maluquice, uma vez que ninguém anda com uma camiseta bordada com o celular no meio da rua? Insisto: a internet não é uma vida paralela nem assim deve ser tratada…

E vocês, amigos, o que acham dessas novas gerações? E vocês que são das novas gerações, conseguiram chegar até o final desse texto? Se sim, talvez o Rivotril ainda tenha de esperar um pouco ;-)

Aliás, um teste simplezinho mas divertido para quem quer saber a que geração pertence (espiritualmente, não fisicamente), segue o link http://bit.ly/dLyOrf

Comentários (8)   

Arrã

no teste apareceu " Geração SERIAL KILLER PADRÃO: sempre disposto a estragar artigos com sátiras má desenvolvidas."

Não acho que isso tenha haver comigo, deve ter algo errado ainda mais eu que costumo falar coisas que fazem sentido.

Arrã - Campinas - 14/07/2011 - 00:17 - Responder no fórum

eshiohara

Sempre gostei desse tipo de estudo, psicologia no meio virtual.
tenho 25 anos e posso me considerar atrasado talvez em relação à minha faixa etária. Não estou trabalhando e ainda me faltam um ano e meio para me formar (redes de computadores). Já fui atrás de psiquiatra por já estar desconfiado e acabei sendo diagnosticado como TDA. Fui sim criado como foi dito, muita folga e superproteção. Me considero inteligente e capaz, talvez seja menos do que eu pense realmente (se não talvez estaria numa 'melhor situação').
Agora são 5 da manhã e eu estava até agora jogando, talvez eu pare depois de postar e vá dormir. O que vejo em comum entre os brasileiros gamers dessa hora é: todos tem problema em casa. Considerando esse meio, não poderia ter sido falta de uma mão de ferro para ter nos encaminhado? Mas este é outro assunto.

Faço da mesma forma que o tal filho do taxista. Minhas meninas vêm da internet também, inclusive minha atual namorada. E sobre rivotril.. tenho várias amigas que vão de 15 a 25 anos que sofrem de ansiedade. No minimo roem unhas, reclamam ou comem o tempo todo; quando é mais grave tomam remédios e choram o tempo todo. Tenho até uma certa(...)

eshiohara - 14/07/2011 - 05:13 - Responder no fórum

Wesley Moraes

Fiz o teste Elis, fui considerado da Geração X... penso que para todos os aspectos que foram abordados, nessa onda de pouco tempo para tanto conhecimento (ou seria o contrário?), é o equilíbrio.

Quero evitar completamente o Rivotril e qualquer similar ou genérico. O dicionário define ansiedade como "comoção aflitiva do espírito que receia que uma coisa suceda ou não." Ora, se eu não sei se vai suceder ou não, porque me preocupar antecipadamente?

Wesley Moraes - Itabuna-Bahia - 14/07/2011 - 08:57 - Responder no fórum

PCLOCK

35 anos, avaliado como Geração Y (Não concordo! Acho que algo híbrido fosse mais apropriado. Não creio em fórmulas genéricas em se tratando de estilo comportamental! Tenho profundidade de análise e abstração). E ainda acho muito simplista cada uma das explicações sobre as gerações. Quase não se falou dos pontos fracos. Talvez até se justifique, pois as pessoas, de um modo geral, não tem paciencia de responder a questionários mais longos.

eshiohara, entendo perfeitamente sua colocação em relação à empregabilidade. Profissionais de RH erram tanto quanto quaisquer outros e muitas vezes não sabem mesmo escolher: exigem demais para pouco oferecer. Resultado: ninguém quer e/ou ninguém fica na empresa. Querem um empregado com o dom da Oratória... mas esse passará suas jornadas de trabalho completamente mudo e trancafiado numa salinha/cubículo. Até que se prove o contrário, os enroladores bons de conversa costumam se sairem bem em entrevistas. Entrevistadores também não se contém ao terem seus egos inflados e ouvirem os jargões de suas preferencias. Escutam sinônimos de conhecidos clichês e literalmente deliram. Valores verdadeiramente humanos não(...)

PCLOCK - BH - Minas Gerais - 14/07/2011 - 10:34 - Responder no fórum

Forest Guardian

Pra mim saiu geração Y, e concordo totalmente.

Mas eu e meus amigos de infância (faixa etária entre 26-30 anos) sempre nos denominamos "geração Atari", !

Forest Guardian - São Bernardo do Campo - SP - Brasil - 14/07/2011 - 15:41 - Responder no fórum

ags10ags

Fiz o teste sou da geração "Baby Boomer", com meus 34 anos fiquei surpreso mas feliz! Excelente texto!! Fiquei refletindo um bocado sobre...

ags10ags - joinville - SC - 14/07/2011 - 16:59 - Responder no fórum

NightDemon

21 anos e resultado geração X
interessante seu texto, eu trabalho hoje com RH e me interesso muito no assunto, tenho muito receio do que virá daqui pra frente
gestão de pessoas nunca foi fácil e cada vez mais com gerações menos comprometidas com a organização aonde trabalham, é algo a se estudar

NightDemon - 17/07/2011 - 01:24 - Responder no fórum

Chris_2012

Eu tinha ouvido uma reportagem assim há mais de 1 ano pelo SBT. Considero-me já a Geração Y, embora ainda tenha características da X. Lembro do tempo em que ser
motoboy era o perigo máximo para um adolescente. Hoje diria que é a internet. Você pode ser o personagem que desejar, sem nenhum constrangimento. Você também nunca sabe quem está do outro lado. Sinto um profundo estresse nessa época, verdade, mas sinto também a liberdade aprisionante de ter tantas opções num mundo em que parece reduzir seu tamanho a cada dia.

Chris_2012 - 25/01/2012 - 09:21 - Responder no fórum

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