Ainda há uma certa resistência, principalmente por parte daqueles que ainda veem no Orkut sua segunda casa – durante nada menos que 7 anos foi assim – mas o fato é que o Facebook veio para ficar. E não estou falando da rede social em si, haja vista que a história dos “produtos Web” mostra que estes vêm e vão. Não dá para negar, no entanto, que o Facebook inaugurou uma nova onda, que vai deixar rescaldos e está mudando a forma como as coisas funcionam na internet.
Em primeiro lugar, Zuckerberg conseguiu o “inconseguível”: passar à frente do Império Google. Agora, ele já é o site mais visitado dos Estados Unidos, um feito e tanto, ainda mais para quem é da época – não muito remota – na qual o Google lançava dez produtos diferentes no prazo de uma semana. Os melhores cérebros do segmento estavam trabalhando em Mountain View e muitos foram abduzidos pelo mais jovem bilionário do planeta.
Mas a grande mudança está na forma como o Facebook trabalha: antes de mais nada, ele inaugura uma fase de publicidade personalizada e marca a criação de um relacionamento estreito entre marcas e pessoas. As fan pages são uma sacada e tanto e estranha é o fato de ninguém ter pensando nisso até agora. Se Maomé não pode ir até à montanha, a montanha vai a Maomé. Melhor: todo artista deve ir aonde o povo está! E o povo está é nas redes sociais. No Facebook, nada menos que 700 milhões de serezinhos interagem uns com os outros e com empresas, organizações e causas.
Trata-se de uma revolução na forma como se faz comunicação e marketing e principalmente em como entidades até então distantes convivem e interagem com os consumidores. Antes, a imprensa era o filtro e, os sites, a principal forma de comunicação das empresas com os clientes. Mas quem é que acorda curioso para saber o que uma empresa está “aprontando”? Os sites envelheceram, embora ainda exerçam um papel corporativo importante.
A tendência é a migração das URLs para os aglomerados populacionais da rede. E o principal deles é o Facebook, ainda mais pelo fato de ele aglutinar várias outras redes dentro de si (Slideshare, Flickr, Twitter, etc). Para manter esse patamar de população, ele precisa se reinventar o tempo todo e oferecer iscas dia a dia, como forma de fidelização. Assim nascem novas políticas, aplicativos e funções que antes se encontravam pulverizadas pela rede. Mais do que criar uma rede social, Zuckerberg sacou que as pessoas querem simplicidade para acessar as suas coisas – seja e-mails, contatos, músicas, vídeos ou seus egos.
Dentro de pouco tempo, os usuários brasileiros do Facebook poderão unir velhos e novos recursos, dentre eles reconhecimento facial (ainda controverso); ligações por voz direto da rede (através do Skype, parceria já estabelecida); e-mail @facebook.com; seus amigos disponíveis para bate-papo; ferramenta de perguntas e respostas (quem aí se lembrou do Yahoo! Respostas?); fotos (direto no álbum ou via parceria com o Flickr); vídeos; diversão (seja Farmville ou outro aplicativo famigerado qualquer); rede profissional que explora o networking (BranchOut, lançado no Brasil esta semana); apresentações (Slideshare interno); grupos de conversação (em vez de comunidades, o que alivia um bocado o lado do administrador central da rede); calendário de eventos, lembretes e etc e tal.
É tanta coisa junta que, sim, é possível responder à pergunta do título:o Facebook quer ser a página inicial de todo mundo. E na verdade já o é para aqueles que descobriram o poder que tem uma rede que congrega relacionamento + networking + consumo + personalização + contato com empresas e produtos + ferramentas rápidas de comunicação. Neste ponto, o Google Wave foi um fracasso – era preciso primeiro criar a rede e as bases, conquistando o usuário e, aos poucos, ir treinando-o para que nada parecesse complicado quando chegasse. O Facebook fez o Google de otário no momento em que ofereceu aquilo que o Google queria (ser a página inicial, e cá entre nós, a única) dos internautas.
Enquanto isso, Tim Berners-lee, o gênio-pai da Web, tenta alertar o mundo para o perigo que representa a internet – e não só a Web – estar nas mãos de grupos empresariais (Google/Apple/Facebook principalmente, pelo menos no que diz respeito ao usuário “final”). A preocupação de Berners-Lee faz todo sentido – se você tem uma página inicial que te oferece atalhos, para que navegar a esmo no mundão da Web?
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Comentários (2)
Ashdrubal
Ouviram o Mark Zuckerberg dizer: "Ah, eu ouvi dizer que você gosta da internet. Então coloquei a internet dentro da internet para que você possa surfar enquanto surfa".
Ashdrubal - Rio de Janeiro/RJ - 21/06/2011 - 16:35 - Responder no fórum
Ti_petroi
Os grupos de conversação não substituem nem de longe as comunidades. Um fórum para discussões como este, onde temos ferramentas como quote e outras, aí sim.
Ti_petroi - 24/06/2011 - 13:46 - Responder no fórum
