Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), a cada oito segundos morre uma criança no planeta vítima de doenças relacionadas ao consumo de água contaminada. O relatório, divulgado no Dia Mundial da Água, foi taxativo: mais pessoas morrem devido ao consumo de água contaminada do que por violência no mundo. Tratamos, aqui, do lado crônico da “doença”, mas as últimas tragédias que o mundo tem enfrentado – tsunami na Ásia, terremoto no Haiti e no Chile, enchentes no Nordeste do Brasil e no Paquistão, dentre outras – demonstraram que a questão da água é urgente e demanda soluções rápidas.
Disposto a fazer sua parte para ajudar a curar a doença crônica da água suja no planeta, o cientista inglês Michael Pritchard criou um produto portátil capaz de filtrar a água – mesmo a mais imunda – e, em questão de segundos, torná-la potável. Assim nasceu a Lifesaver, garrafinha mágica que tira partido da Nanotecnologia através de um sistema de ultrafiltragem altamente avançado projetado para ajudar a salvar vidas oferecendo às pessoas água potável limpa livre de contaminação.
A Lifesaver, que conta com a chancela da Organização Mundial da Saúde (OMS), já chegou ao Brasil ecomeçará a ser levada a regiões como Alagoas e Pernambuco, dois dos estados assolados recentemente por enchentes.
“A ideia de trazer o Lifesaver para o Brasil foi uma maneira de prover um benefício imensurável, auxiliando a redução da mortalidade infantil por doenças contraídas a partir do consumo de água contaminada – principalmente nas regiões do Nordeste, Amazônia, Pantanal e comunidades não providas de saneamento e fornecimento de água potável – para pessoas que há anos buscam condições de vida mais dignas”, diz Leonardo Eloi, sócio da Ecotrends Group, empresa carioca que trabalha com produtos sustentáveis e está levando o Lifesaver para o interior do país, através de parcerias com governos estaduais e prefeituras e ONGs que trabalham com ações humanitárias.
A nanotecnologia permite que poros de aproximadamente 15 nanômetros de diâmetro, usados pelo filtro da tecnologia Lifesaver, sejam capazes de reter qualquer tipo de micro-organismo. Assim, a água que passa ali não só sai inodora e insípida como livre de qualquer organismo vivo já encontrado no planeta. Só para se ter uma ideia, a menor bactéria conhecida pela ciência, a da Tuberculose, tem cerca de 200 nanômetros. O menor vírus, o da Pólio, tem cerca de 25 nanômetros de diâmetro. Como os poros do Lifesaver têm 15 nanômetros de espessura, eles retêm qualquer organismo, deixando a água não só potável como extremamente segura para consumo humano.
A Lifesaver usa também a tecnologia FailSafe – quando o cartucho atinge capacidade máxima de filtragem, ele se bloqueia automaticamente, evitando que o usuário beba água contaminada. Neste momento, é preciso trocar o filtro, o que pode levar anos para acontecer, dependendo da quantidade de água filtrada pela unidade de Lifesaver.
“Por ser portátil e de fácil utilização, qualquer criança ou pessoa com menos instrução pode utilizar a garrafa Lifesaver sem problemas. Basta enchê-la (de água suja, inclusive com dejetos humanos e de animais), bombear e beber”, conta Leonardo Eloi.
Foi durante o furacão que assolou Nova Orleans, em 2005, que Michael Pritchard teve a ideia de criar a Lifesaver. Em palestra realizada no TEDGlobal, um dos principais eventos de inovação do planeta (palestra com legenda está disponível em www.ted.com) o inglês contou que estava sentado, depois do Natal de 2004, enquanto assistia às notícias devastadoras sobre o tsunami na Ásia.
Disse ele: “Nos dias e semanas que se seguiram, pessoas fugiam para os morros e eram obrigadas a beber água contaminada ou encarar a morte. Isso realmente me impressionou. Alguns meses depois, o furacão Katrina arrebentou parte da América. Pensei: ‘Ok, esse é um país de primeiro mundo, vamos ver o que eles vão fazer’. Dia um: nada; dia dois, nada; foram necessários cinco dias para levar água ao estádio Superdome! As pessoas estavam atirando umas nas outras nas ruas por TV e…água! Foi quando decidi que tinha que fazer algo”, conta Pritchard.
Pritchard fez. E o produto que criou já salvou milhares de vida durante o terremoto do Haiti, em janeiro deste ano, e até hoje o Lifesaver é responsável pelo acesso a água limpa a milhares de haitianos. Naquele país, a Lifesaver foi usada pela ONG Operation Blessing, a mesma que começa a trabalhar ao lado da Ecotrends no Brasil para levar o produto – e suas benesses – aos necessitados do Nordeste.
Agora, as duas entidades, em parceria com governos locais, começam a traçar estratégias em conjunto para atuação em caso de enchentes e outras intempéries, além de traçar metas para levar o produto às comunidades que, mesmo localizadas no entorno de grandes cidades, continuam à mercê de água proveniente de poços, lagos, açudes, córregos e até mesmo lama. Tudo para não morrerem de sede. Infelizmente, em muitos casos a sede não mata, mas as doenças que chegam através do líquido precioso, sim.
“De acordo com a Agência Nacional de Águas, 17 milhões de brasileiros ainda não têm acesso a água potável. Segundo a UNICEF, na América Latina e no Caribe cerca de 20 mil crianças morrem antes de completarem cinco anos de idade devido a diarreias agudas, o que poderia ser evitado mediante o acesso a condições de higiene adequadas, infraestrutura de saneamento e água potável”, completa Eloi.
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Comentários (12)
Sam4C
Olá, Elis!
Sempre fico bastante feliz com soluções tecnológicas simples e de impacto para melhorar a vida das pessoas. É de se tirar o chapéu para o colega inventor.
Quisera eu que mais pessoas capazes como ele prestassem atenção neste tipo de necessidades, tendo resultados tão poderosos como este com suas pequenas grandes ideias. Acho que não dá para calcular o número de vidas que este Lifesaver pode e irá salvar, sobretudo de crianças em países subdesenvolvidos e vítimas de desastres naturais.
Só um porém: apesar do meu racional dizer "tudo ok, vai fundo!", meu emocional resistiria um bocado em beber água cuja procedência viesse de "dejetos humanos e de animais".
Uma pergunta para terminar: como saber que o filtro estaria completamente perfeito, com todos os poros de 15nm, sem furinhos ou rasgos de uns nanômetros a mais?
{}s
Sam.
PS: O tema é mais C@t que Elis, mas ficou muito bom! Será que o C@t não escreveria algo sobre mobiles também para a gente ver? hehehe
Sam4C - Fortaleza-CE - 26/10/2010 - 16:36 - Responder no fórum
Saeger
R$50 para quem pegar a agua do tietê, filtrar por isso aí e beber
Saeger - Salvador - Brasil - 26/10/2010 - 16:46 - Responder no fórum
darkduck
Oi Elis, artigo bem interessante! Parabéns! Eu não achei nada sobre filtragem de água contaminada por metais pesados. Acho que esta garrafa serve apenas para eliminar micro-organismos da água.
Só faltou uma foto da garrafa e o link pro site do fabricante:
http://www.lifesaversystems.com/
darkduck - Campinas - 26/10/2010 - 17:21 - Responder no fórum
ags10ags
O produto foi desenvolvido para retirar praticamente 100% de microorganismos biológicos que causam doenças, o maior problema é esse. Há um filtro de carbono ativado para reduzir contaminação por metais pesados, pesticidas etc. Caso alguém deseje tomar sua própria urina por exemplo, seu uso não é aconselhável, já que ele não filtrará os sais presentes em nossa urina, o fabricante recomenda no MÁXIMO filtrar a mesma urina por 4 vezes antes que a água proveniente do produto se torne perigosa para o organismo. A explicação é simples, sais são formados por moléculas e estas são bem menores do que os poros do produto desenvolvido.
ags10ags - joinville - SC - 28/10/2010 - 12:44 - Responder no fórum
gmourao
Elis!!
Como pode ser um produto para pobres, para salvar vidas, se custa 150 DÓLARES a garrafa mais barata, fora as despesas de longo prazo como a troca de filtros e etc???? Pelo valor pago por 1 garrafa para cada habitante do Brasil, provavelmente poderíamos acabar com a falta de água no MUNDO.
gmourao - BH-MG - 28/10/2010 - 18:13 - Responder no fórum
Viper
Invenção incrível, só não acredito que ele tenha criado este produto com pena dos pobres coitados que estavam morrendo por causa de água contaminada, ainda mais o produto custando R$ 599,00 aqui no Brasil
http://www.swu.com.br/pt/blog-swu/%E2%8 ... uer-lugar/
Aqui um link de video:
http://www.youtube.com/watch?v=pzdBCxZhKpQ
Viper - Bauru - 29/10/2010 - 15:33 - Responder no fórum
Karlott2
É interessante, porem, discordo que deve levar anos, esse filtro dela deve entupir rapidamente.
Voce tem um virus que é maior que o buraquinho que a garrafa tem. Uma vela de filtro, desses de barro, deve ser trocada rapidamente, tipo menos de 1 ano, essa garrafinha ai deve ter de trocar todo mes se for usar agua só dela.
Karlott2 - Belo Horizonte - M.G. - Br - 29/10/2010 - 18:20 - Responder no fórum
ags10ags
O filtro tem capacidade para 4000 litros, fazendo os cálculos rapidamente um ser humano utilizando todos os dias (lembrando que devemos beber pelo menos 3 litros de agua por dia) levará 3 anos e meio para trocar.
ags10ags - joinville - SC - 30/10/2010 - 13:53 - Responder no fórum
