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Elis Monteiro
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GSM, LTE, 3G, 4G, WiMax, HSPA... O mundo das telecomunicações

A morte da Web: choque de realidade

Postado as 21:30 - 31/08/2010 - Por Elis Monteiro. Categorias: Aplicativos, Comportamento, Redes Sociais, Sistemas Operacionais.

-1votos  

Retomando a conversa da coluna anterior e já chegando aos “finalmente”, preciso declarar o quão honrada fiquei ao 1) ter tido a mesma ideia de coluna que o meu amado mestre B. Piropo, o que significa que não ando tão burra assim; 2) por ter conseguido expor os meus argumentos (que se basearam nos de Chris Anderson, editor da Wired, mas se não me identificasse com a tese não teria feito dela motivo de análise); 3) ter um pouquito que seja de responsabilidade na retomada de Benito Piropo ao mundo dos twitteiros de plantão. Querem honras maiores? Não há, certamente!

Pois estes são motivos suficientes para eu estar aqui novamente tentando me fazer entender e dando continuidade à conversa da semana passada, conforme combinado, diga-se de passagem. Estará a Web moribunda, à espera da dose letal que lhe aliviará do suplício à qual tem sido exposta? Será Chris Anderson, o autor de “Calda Longa” o arauto de uma nova revolução? Será mesmo que, como bem disse mestre B. Piropo, a Wired é uma revista “bem metida à besta”? Vamos por partes…

Mestre está certo (ok, os mestres sempre estão certos, essa foi uma piadinha infame e neste momento estou segurando uma placa enorme com os dizeres “esta foi uma piada”): a Wired é uma revistinha bem metida à besta. Primeiro que é escrita para uma galera que pode consumir aqueles gadgets com os quais passamos anos sonhando e, em visita ao Saara, talvez um dia encontremos em formato de brinquedo (como é meu caso com o iPad). Além disso, a Wired é escrita para um usuário altamente avançado, que não só já aderiu a todas às novas tecnologias e serviços digitais como já teve tempo de enjoar delas e se livrar das dias cujas. Mas…mesmo assim a Wired continua sendo um expoente ao anunciar o que vem por aí. Mesmo que seja daqui a 5, 10 anos.

O problema, Mestre, e todos os demais mortais, é que vivemos anos-luz atrás de uma humanidade que já recebeu tecnologias altamente avançadas e já teve tempo até de descartá-las. E estamos nós nos contentando em discutir o que pra eles, usuários frequentes de iPads, já é fato: eles não precisam da Web. Mesmo porque a Web roda muito mal no iPhone e deve rodar pior ainda no iPad. Por isso, a Wired só está pulando uns aninhos à frente dos frequentadores do Fórum e dos usuários em geral de internet no Brasil.

O fato de ainda termos um número abissal de pessoas excluídas digitalmente não desqualifica a matéria da Wired. Porque toda revista, todo site, todo jornal discute o problema da falta de acesso à internet. Mas alguém precisa adiantar o futuro, ora bolas, ou viveremos para sempre presos à mediocridade de criticarmos aquilo que não conhecemos?

O Brasil ainda convive com uma banda larga de péssima qualidade – a maioria dos internautas ainda usa bandas de no máximo 1 megabit/segundo. Vocês conseguem imaginar o quão ridículo é isso para um país desenvolvido cujas velocidades mínimas são de 100Mbps? Pois é: essa é a diferença entre o público da Wired e nós, pobres mortais do terceiro mundo que sonham com as tecnologias do primeiro. Eles usam o iPad para navegar na internet; a gente se contenta com 1 mega de velocidade. Por isso, a Wired nos soa tão estapafúrdia. Mas afinal, em que planeta esse tal de Chris Anderson vive? Pois ele está estacionado num planeta chamado primeiro mundo.

Planeta este no qual os impostos incidentes sobre produtos de informática não são de 44%; onde os governos incentivam o uso da internet como direito humano (na Finlândia é assim); onde as operadoras de serviços de telecomunicações respeitam a lei. O problema é que estamos tão chafurdados na porcaria que nossa visão de longo prazo se comprometeu.

Mas eu, com meus mentirosos 10mbps da NET (na verdade, a conexão nunca passa de 1Mbps), estou com Chris Anderson e não abro: será que sou um ponto fora da curva ou a maioria não está querendo enxergar? Ou, como disse o mestre B.Piropo, a leitura dinâmica impede que se pesque pequenos trechos de pensamento que no final das contas fazem a maior diferença para a compreensão absoluta?

O Chris Anderson (e eu, a reboque) disse que a Web está morrendo, que daqui para a frente os aplicativos começarão a imperar, que o “CERUMANO” (de novo parafraseando o mestre) quer buscar facilidades. Ele não jogou uma pá de cal nos websites, pobrezinhos. Mas, como sempre, a Wired paga o preço por falar para um público privilegiado que já está vivendo aquela revolução avaliada e que se anuncia para as demais realidades. Mas como nós, aqui no terceiro mundo, sempre recebemos as tendências alguns anos depois, vamos nos acostumando à ideia de que a Web vai morrer um dia (assim como nós, a Wired e o Chris Anderson) e começando a reavaliar nosso relacionamento com esta. Se sentiremos falta? Eu não…

Comentários (18)   

B.Piropo

Pois é... já que eu ia mesmo escrever uma coluna e não escrevi porque você escreveu primeiro , vou castigá-la postando um comentário quase do tamanho de sua coluna.

Primeiro, obrigado. Estou honrado e feliz com seus comentários no início da coluna. Honrado porque são elogios demais para meu minguado merecimento. E feliz por ver que aquela menina que vi começar batendo cabeça na redação do Globo tornou-se uma senhora colunista (no sentido lato e no estrito, afinal é mão de família) sem deixar de ser gentil e modesta e sem perder a ternura jamais. Obrigado.

Agora, ao tema. Primeiro, esta sua coluna está ainda melhor do que a que a antecedeu. Talvez ajudada pelos disparates contidos em alguns comentários à primeira que demonstram a visão estreita de quem os fez, para os quais o mundo se resume nos poucos metros em torno do próprio umbigo e naquilo que gravita em torno dele, inclusive suas próprias formas de usar a Internet. Como eles usam a web diariamente e sempre apelando para o programa navegador, isso lhes basta como garantia que ela jamais ousará contrariar seus hábitos e cometer a indelicadeza de morrer. E como você sabe que não é assim que o mundo(...)

B.Piropo - Rio de Janeiro - 01/09/2010 - 11:05 - Responder no fórum

Katiapeixoto

Elis, mas esses aplicativos não são tb seus próprios browsers? Isso não invalidaria a teoria do Chris Anderson? Perdoe minha ignorância, mas os próprios aplicativos não precisam ter tb um endereço para acessar a plataforma da internet? Talvez esse endereço só não esteja visível para o usuário, mas isso quer dizer que ele realmente não existe? E os dados que esse aplicativo vai buscar tb não precisam estar em algum endereço na internet? Estou confusa.

Katiapeixoto - 01/09/2010 - 14:59 - Responder no fórum

DexterAMD

Continuo com a mesma opiniao sobre a morte da web.

Ela não morrerá, nem irá diminuir.

As empresas cada vez mais usam a web, hoje em dia você consegue acesso a grande parte dos serviços de uma empresa via web.

Orkut, facebook, twitter, P2P não podem ser usados no ambiente de trabalho na maioria das empresas.

Os navegadores estao sendo um "pouco menos" usados, porque um grande numero de pessoas não sabe usa-los e nem tem interesse nisso. No circulo de pessoas que eu conheço a grande maioria usa a net para 4 coisas:
- Messenger
- Orkut
- P2P ( e-mule e outros ) para baixar musicas e filmes.
- Youtube

Esse usuarios usam os navegadores apenas para ler os emails, entrar no orkut e ver um video no youtube, para se ter uma ideia esses mesmos usuarios não sabem nem adicionar o site nos favoritos.

Então não acho que a web esteja morrendo, acho sim que a web esta sendo "desaprendida" de ser usada.

DexterAMD - Belo Horizonte/MG - 02/09/2010 - 09:45 - Responder no fórum

enoklinger2

Entendi: como ninguém foi capaz de prever o surgimento da web, estão querendo, ao menos, prever o seu fim...

enoklinger2 - 02/09/2010 - 10:39 - Responder no fórum

xocoronovi

@enoklinger2

A bíblia sagrada já previa!! vide 666 (vvv ou www em hebraico).

xocoronovi - 02/09/2010 - 16:42 - Responder no fórum

Darth_Kenobi

No fundo estão a querer dizer que o futuro é deixar de usar a web, onde navegamos livremente e escolhemos o nosso próprio conteúdo e fazemos tantas coisas num só programa - browser - ao mesmo tempo, para passar a ter um aplicativo para cada coisa que se fazia, onde o conteúdo que lhe chega é previamente selecionado por pessoas ou máquinas programadas por pessoas...

Neste momento no meu browser Opera, estou a ver coisas diferentes em cada aba, a ver o mail, a ver vários sites de notícias, a partilhar ficheiros, a trocar mensagens instantâneas, a escrever aqui no forumpcs, a ver o 9gag, ouvir música no youtube, a conversar noutros fóruns sobre a mais variadas coisas, a pesquisar uma coisa, a traduzir outra, etc.

E estão a dizer que acham que o futuro é ter um aplicativo no desktop para substituir o que estou a fazer em cada aba...

Ainda se fosse ao contrário, ou seja, se eu estivesse a usar uma "catrefada" de aplicativos e me dissessem que no futuro vai haver um milagre chamado browser, um único aplicativo onde posso fazer tudo isso de forma organizada e completamente livre, aí talvez eu estivesse a achar interessante e provável... LOL

Agora mais a(...)

Darth_Kenobi - 02/09/2010 - 20:18 - Responder no fórum

valknut

Acho muito confuso no que tange as "profecias" de uma determinada tecnologia, da mesma forma que falam: "algo vai extinguir-se", aparece alguém reinventando qualquer coisa, suprindo a necessidade de um meio/produto que perdeu valor. Realmente, nossas "relações humanas" andam em mundos de blogs, twitters e mp3-players ao barulho de uma civilização muitas vezes medíocre e caótica. Medíocre pelo fato de "precisar" de um meio/produto para manter um sistema (aqui, nosso consumo). E caótica por achar que um dia vai acabar. Hora! Nascemos pelados e sem cabelo, logo, o que poderia ser pior!? Sinceramente!? Acho que seu fim muitas vezes é esquecido. E é usada simplesmente como uma ferramenta de venda de imagens (aqui, pessoal), supérfluos e central de fofocas e relacionamentos. Então, se vemos novamente "obrigados" a extinguir um meio, para "lançarmos" outro, quando se podia repensar sobre seu uso. Não se esqueçam, acima de tudo ela é uma programação de conhecimento e liberdade de expressão antes de mesmo de ser seu mundinho virtual.

valknut - 02/09/2010 - 21:14 - Responder no fórum

antrrax

E quem está preocupado com isso?

Título sensacionalista ninguém merece. Nada é estático, tudo muda, tudo se ajeita.

E não se fala mais nisso!

antrrax - 02/09/2010 - 23:47 - Responder no fórum

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