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Elis Monteiro
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GSM, LTE, 3G, 4G, WiMax, HSPA... O mundo das telecomunicações

Android, um sistema amigável

Postado as 10:31 - 18/12/2008 - Por Elis Monteiro. Categorias: Sistemas Operacionais, Smartphones.

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Estou há uma semana com o G1, o celular criado pelo trio Google/HTC/T-Mobile que já chegou ao Brasil via distribuidoras. O que está comigo foi emprestado pela Plug Informática , que o está vendendo desbloqueado por R$ 1.989. Muito se tem comentado na internet, em fóruns dedicados ao sistema operacional Android, sobre as qualidades e alguns poucos defeitos do modelo, que pode chegar também via operadoras no ano que vem no mercado brasileiro. Os reviews têm sido generosos principalmente porque percebeu-se a intenção de usar o aparelho como vitrine para o Android, que passa, assim, por sua primeira prova de fogo.

A HTC brasileira, assim como as operadoras, não está falando sobre o G1 simplesmente porque o modelo ainda é importado, e as primeiras peças saem de fábrica configuradas para a T-Mobile, o que pode dificultar um pouco a vida de quem desejar comprar o aparelho antes da chegada aqui através das operadoras. Mas nos primeiros momentos da configuração pude contar com a ajuda da subsidiária brasileira da HTC, que acabou de receber um único modelo para testes.

Pois bem. Falando um pouco do aparelho, trata-se de um modelo bastante simples – pesa 158 gramas, tem câmera razoável (3.2 megapixels), embora as funções de controle de foto e de vídeo sejam bastante limitadas. O dispositivo, no entanto, funciona bem tanto como vitrine do Android como ferramenta de comunicação e acesso a uma série de aplicativos da família Google.

Antes de mais nada, é preciso lembrar que para ter acesso a essas funções, o usuário vai precisar de uma conta Gmail habilitada, que pode ser a já usada na internet para acesso ao Gmail, Orkut ou qualquer outro produto Google. Muitos especialistas têm criticado a exigência da conta Google, assim como a existência, dentro do menu, de dois aplicativos diferentes para conexão a contas de email — um exclusivo para o Gmail, outro que aceita o cadastro de outras contas POP3 e Imap.

Eu particularmente não vi problema algum em usar uma conta Google (haja vista que todo mundo tem uma), mas confesso que, por conta de uma conta Google (explico abaixo) tive sérios problemas para acessar a função Market, a “loja” de download de aplicativos, todos gratuitos, uma vez que o sistema é de código fonte aberto e aceita contribuições de desenvolvedores espalhados pelo planeta.

E o motivo é muito simples: o aparelho já veio com uma conta Google configurada, da qual eu não tenho a senha (nem tenho como conseguir). E aqui entra um defeito super chatinho, que nem a HTC foi capaz de resolver, através de pedido direto meu: não há, em todo o menu, uma função que permita ao usuário trocar a conta cadastrada no primeiro acesso ao aparelho.

Fucei todos os aplicativos, passei horas destrinchando cada função, acessei dezenas de vezes o aplicativo de Configurações (Settings) e cheguei à conclusão que só um reset puro e simples permitiria começar a conta Google do zero, ou seja, eu perderia todas as configurações já feitas no aparelho, músicas e imagens baixadas via computador, senhas que mandei salvar automaticamente, assim como as configurações de operadora (para acesso à internet), redes Wi-Fi e ferramentas de personalização de widgets, proteção de tela e por aí vai.

Este foi, no entanto, apenas um obstáculo. O sistema ajuda um bocado na hora da configuração. E aqui destaco logo os pontos altos do modelo e, conseqüentemente, do Android: em primeiro lugar, ele permite o uso, por exemplo, de qualquer conta de mensagem instantânea. Configurei de forma muito simples o Windows Live Messenger e o Yahoo! Messenger, e poderia ter feito o mesmo com o AIM da AOL. Cheguei a usar o Messenger da Microsoft, que se comportou de forma estável e rápida, assim como todas as outras funções. Não diria que o Messenger fica com a cara que tem no desktop, mas não deixa a dever a aplicativos do tipo instalados em qualquer outro dispositivo de outras marcas.

Em relação às contas de email, consegui configurar também de forma muito simples o Gmail, com opção de aviso de mensagem recebida (o que acaba consumindo mais tráfego da operadora, e já fico preocupada com a conta do acesso à internet, portanto). Já em relação ao acesso à internet, configurei uma APN da Oi com uma certa dificuldade. E aqui entra uma outra questão que o usuário deve levar em consideração: o aparelho ainda não está listado no portfólio de nenhuma das operadoras em atuação no Brasil. Cheguei a pedir a ajuda da Oi, minha operadora, que acabou me passando os endereços de rede usados em aparelhos HTC (no meu caso, do modelo Kaiser).

Mas o caminho fornecido pela Oi acabou não abrindo as portas para a conexão, uma vez que o G1 não suporta WAP — o endereço que a Oi me passou é wapgprs.oi.com.br. A solução para o problema, que veio de um diretor da HTC, foi retirar o WAP do nome e manter apenas gprs.oi.com.br. Aí sim o acesso à internet via rede da operadora foi viável.

Como a rede 2100MHz da Oi ainda não está funcionando a plenos vapores, acabei recebendo um downgrade para a rede EDGE, o que diminuiu consideravelmente a velocidade do acesso. Acabei dando preferência ao uso da rede Wi-Fi que tenho em casa. Aí sim pude brincar com o acesso ao YouTube, por exemplo, que dentro do G1 ganha ícone dedicado, assim como o Google Calendar e o Google Maps.

Este, diga-se de passagem, roda “redondo”. Pude localizar minha posição em menos de um minuto e montar pequenas rotas saindo de uma direção X e indo para outra Y. Vale lembrar que o Google aposta muito no Android como difusor da função, que tem merecido destaque em todos os aparelhos high end lançados nos últimos anos. Quem está acostumado com o Google Maps vai gostar muito de brincar com o aplicativo. Uma coisa muito legal é pesquisar prédios, restaurantes, pontos específicos, e receber, muito rapidamente, o mapa e a direção. No Centro da Cidade, busquei o prédio da Prefeitura do Rio e recebi, em menos de 30 segundos, a localização perfeita, com endereço completo e direções. Ponto para o Android e, claro, para o Google.

O sistema também é muito agradável de personalizar. Ele traz, na página inicial, a chance de escolher os ícones que aparecerão na área de trabalho e o usuário pode puxar uma espécie de “gavetinha”, uma abinha que descortina todas as outras funções. Os ícones também podem ser movidos de um ponto a outro da tela de forma muito simples: basta apertá-los, mantendo-os pressionados, e “carregá-los”. Bonitinho. Lembrando que o modelo Omnia, da Samsung, também permite o arrastar-e-soltar dos ícones, usando a filosofia dos Widgets.

Uma opção que vai ficar devendo para quem se aventurar na compra de um G1 desbloqueado é a “Amazon MP3″, loja de downloads de arquivos da gigante Amazon que lista os conteúdos por álbuns, top 100 (de músicas), gênero, além da possibilidade de busca interna dentro do catálogo.

Dentro do browser (Opera Mini), o usuário pode abrir várias janelas ao mesmo tempo e alternar entre elas através da função “Window”. Cheguei a abrir cinco janelas ao mesmo tempo e o equipamento não travou nem perdeu performance. E aqui entra um ponto fundamental do Android: dentro de cada função, apertando a tecla “Menu”, que fica no centro do “tecladinho frontal” (físico) do aparelho, o usuário tem acesso a um número maior de opções. Por exemplo: dentro do ícone Browser, encontramos “Go to URL”, “Search”, “Bookmarks”, “Window”, “Refresh” e “More”, que, por sua vez, abre as funções “Close”, “History”, “Downloads”, “Share Page”, “Zoom” e a função de configurações (Settings), que permite uma configuração mais elaborada do modo de visualização das janelas.

Em relação ao hardware, o aparelho aceita expansão de memória via cartão MicroSD e a bateria até que dura bastante, mesmo usando todas as funções descritas acima. Assim como o X1 Xperia, da Sony Ericsson (considerado o principal rival) e o Nokia N97, o G1 tem teclado QWERTY completo, que é descortinado quando se desliza a parte frontal do aparelho. Dos que tenho testado ultimamente, o teclado dele é dos mais simples e eficiente.

Infelizmente, o Bluetooth não vale para conexão com outros aparelhos, apenas com acessórios. Já em relação à ligação com o PC para download de arquivos, ela é feita via USB e o equipamento tem a vantagem de virar driver, ou seja, dispensa o uso de softwares, o que hoje é praticamente padrão. Ah sim: um pecado foi a não inserção de uma entrada para fones de ouvido padrão de áudio de 3,5mm ou 2,5mm. A solução é usar um fone adaptado a um cabo Mini USB. Sim, é isso mesmo.

É claro que o mundo Android vai muito além das funções incorporadas no modelo, uma vez que a comunidade cresce a cada dia e o aplicativo Market ganha novos elementos o tempo todo — o SDK está à disposição na internet para quem quiser brincar com ele e, claro, criar aplicativos para este e outros aparelhos com Android que vierem em seguida. Mas é tanta coisa que levaríamos mais umas boas colunas indicando os melhores (e piores) aplicativos. Mas nada nos impede de voltar ao assunto.

Comentários (15)   

T-Rodman

Fiquei interessado em celulares com Android, e esse aqui, o Kogan Agora parece ser o segundo 'trial' que vão lançar ao mercado:
http://www.forumpcs.com.br/viewtopic.ph ... 90&start=0
- de tão interessado, acabei encomendando o Kogan. Basta agora esperar por 2 meses, até o produto chegar em mãos, rs.

T-Rodman - Jau/SP - 18/12/2008 - 11:45 - Responder no fórum

z3cU3c4

Eu estou botando fé no android, não por ser uma sistema aberto pra celulares, outras empresas ja tinham tentado fazer o mesmo. Com o google por trás tudo fica mais fácil, seja em marketing, dinheiro pra investir, aceitação pelo povo, isso tudo influencia na adoção das grandes empresas.
Parabens pela coluna Elis.

z3cU3c4 - 18/12/2008 - 13:06 - Responder no fórum

Bart

Por mais que os celulares com o Linux Android estejam avançando, ainda vejo uma enorme distância entre o Linux Android ou outras distribuições e o Symbian. O N97 é um sonho!

Bart - Brasil - DF - 18/12/2008 - 13:18 - Responder no fórum

pprado

Elis,
Ótima matéria como sempre!!!
Existe como utilizar a função GPS, sem estar conectado a internet ou ao Google Maps?
Sabe dizer se o G1 tem processador gráfico dedicado? Qual foram as suas impressões ao assistir um vídeo nele?
Parabéns novamente pela coluna.
pprado

pprado - Rio de Janeiro - 18/12/2008 - 14:30 - Responder no fórum

paulohcm

Eu coloco muita fé nesse SO, mas o aparelho com certeza deixou a desejar..... Câme ra a dever, design horrível, falta de saída p2... Acho que para ser uma vitrine do android, eles deveriam ter caprichado mais... no entanto, creio que quando a sony começar a mexer nesse mercado pra valer a coisa melhore um pouco...

Por enquanto vou curtindo meu N95 e babando pelo N97, hehehe

paulohcm - 18/12/2008 - 15:03 - Responder no fórum

Trovalds

Já acho diferente. O celular pode não ter um design "primoroso", câmera absurda, etc justamente porque tem foco em mercado corporativo, que é o que realmente move a indústria e as operadoras. Outra coisa, se fosse apostar em design, os primeiros Blackberry não teriam vendido absolutamente nada, mas se tornaram sinônimo de smartphone nos EUA e Canadá.
Se o consórcio que move o Android saísse logo de cara com um celular com recursos "de ponta", pra onde iria o valor do aparelho? A idéia é justamente uma alternativa barata para poder ter penetração no mercado, já que temos a RIM (Blackberry), Apple (iPhone), para não citar outras.

Trovalds - Cuiabá/MT - 18/12/2008 - 15:55 - Responder no fórum

Jankruger

A ideia do G1 nao era ser um telefone espetacular peloq ue entendi.
E de fato uma vitrine, nao pro usuario, mas pras empresas.
A Google precisava ter um tel no mercado e funcionando pras outras empresas verem oque ele e capaz. Agora e uma questao de tempo e ja ja vai ter muitos modelos rodando android pra todos os gostos

Jankruger - Rio de Janeiro - 18/12/2008 - 16:03 - Responder no fórum

Spydax

Já utilizo Symbian há alguns anos. Acho que é um sistema bom. Mas na minha humilde opinião, o N97 só tem um defeito: O SYMBIAN. Acho que essa plataforma não está acompanhando o hardware da Nokia. Os celulares da Nokia são excelentes, mas acho o OS Symbian lento e nada inovador. Espero que mude no N97, mas não foi isso que vi nos vídeos espalhados pela WEB.

Spydax - Brasília-DF - 18/12/2008 - 16:17 - Responder no fórum

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