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Elis Monteiro
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Telefonia Etc.

GSM, LTE, 3G, 4G, WiMax, HSPA... O mundo das telecomunicações

Mundo móvel em transformação

Postado as 15:28 - 17/11/2008 - Por Elis Monteiro. Categorias: Smartphones.

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Na coluna da semana passada deixei um “link” no final. Comentamos que o mercado de portáteis caminha para um momento em que os aparelhos (high end) terão todos as mesmas configurações, passando a se diferenciar pelo sistema operacional e, talvez, pelo design, o “empacotamento” – o iPhone não seria o mesmo sem um pacote que salte às vistas, por exemplo. Mas o que antes era diferencial agora é obrigação. Assim, todos os telefones terão GPS, Bluetooth, pacote de aplicativos Google, Windows Live (em modelos que rodam Windows Mobile), widgets, RSS Feeder, Rádio FM, pacote Office, browser para acesso à internet, MMS, SMS, etc etc etc.

E aqui entra mais um componente importante que apenas citei na última coluna: a indústria já se deu conta que os clientes querem ter mais domínio sobre os aparelhos que compram. E não falo da possibilidade de abrir o aparelho, tirar a bateria, desbloqueá-lo: falo de personalização e da inclusão de aplicativos que farão a diferença no dia-a-dia de cada um. E é aqui (e só aqui) que cito o iPhone como caso de sucesso. Mesmo sendo plataforma fechada (e muito fechada), o aparelho criado pela Apple demonstra a avidez com a qual os usuários buscam aplicativos diferentes para expandir as (poucas) funções que vêm de fábrica.

Diante dessa certeza, muito veio a calhar o estudo “Go Mobile, Grow”, realizado pelo Institute for Business Value (IBV) da IBM, que apontou que 80% dos clientes preferem que os provedores de serviços (e falamos aqui de operadoras de telecomunicações e empresas de software para portáteis) possibilitem mais poder de escolha dos aplicativos e serviços oferecidos nos dispositivos móveis.

A IBM entrevistou quase 700 clientes ao redor do mundo sobre suas preferências em relação ao uso, por exemplo, da internet móvel. Nada menos que 69% dos entrevistados querem dispositivos abertos à personalização e à configuração de aplicativos. Ou seja, o estudo aponta um rumo para os fabricantes. E todas as setas indicam o caminho da plataforma aberta.

Em relação aos serviços, a pesquisa constatou que os usuários buscam aqueles que são utilitários e transitórios – como os bancários, citados por 60% dos entrevistados como um ponto a ser melhor explorado pelos prestadores de serviços. O interesse também está latente em aplicações que já fazem sucesso no mundo móvel, como o email, as mensagens instantâneas e o acesso a notícias. Outro serviço que pode dar o que falar é o comércio de ações, principalmente para uma fatia de público que precisa de conectividade e mobilidade para suas transações financeiras.

Um dado interessante é que os aplicativos de entretenimento estão ganhando mais popularidade – 53% dos clientes das operadoras espalhadas pelo mundo estão interessados em IPTV e 45% querem comprar músicas usando dispositivos móveis. Talvez essa realidade não se reflita no mercado brasileiro num primeiro momento, mas estamos falando em tendências de mercado e de futuro.

Os dispositivos móveis estão com a faca e o queijo na mão. O mercado de serviços desenvolvidos para eles atingirá a incrível marca de US$ 80 bilhões até o ano de 2011. No mesmo período, projeções indicam que o número de usuários da internet no mundo será de 1 bilhão, um aumento de nada menos que 191% em relação ao ano de 2006 e uma taxa anual de crescimento de 24%. Em 2011, espera-se que muitos desses acessos à internet sejam feitos via celular e, de preferência, em banda larga móvel.

O “Grow Mobile” mostrou um dado que nos fará refletir: quando o assunto é internet móvel, 60% dos entrevistados disseram não ter preferência quanto a marca – de dispositivos e de prestadores de serviços – contanto que o acesso se concretize e seja de qualidade.

Tem mais: a adoção da internet móvel será feita de modo diferente pelos países. Um exemplinho básico: nas nações mais desenvolvidas, o acesso à internet via telefone celular será apenas um complemento do acesso feito via PC de casa ou notebook; já em mercados emergentes, como Índia e China, os clientes simplesmente dispensarão a compra do primeiro computador pessoale usarão plataformas móveis que forneçam os mesmos serviços.

Nas conclusões sobre a pesquisa, a IBM liberou algumas recomendações para os fabricantes. Durante a Futurecom, no final de outubro, conversei sobre o assunto com Manzar Feres, executiva da área de Telecomunicações da IBM para a América Latina. Ela foi taxativa: ou as empresas aderem à plataforma aberta ou perderão o bonde da história. Sendo assim, o design dos aparelhos e os modelos de negócios das fabricantes de terminais precisam se adequar a esse novo modelo de relacionamento.

Manzar fala no surgimento de um tal “ecossistema aberto”, um novo paradigma de mercado no qual a inovação das empresas será medida pela liberdade que cada uma possibilitará para o seu cliente. No caso dos telefones celulares, a idéia é permitir a instalação à vontade de aplicativos que estendam as funções e deixem os aparelhos mais com a cara daqueles que pagam por eles.

Aqui entra o fenômeno Android – plataforma aberta desenvolvida por meio de uma parceria entre o Google e os participantes da Open Handset Alliance (OHA) – criado exatamente com o intuito de oferecer um ambiente aberto para que 1) desenvolvedores criem aplicativos e usem a plataforma como canal direto com o consumidor; 2) os clientes possam decidir o que entra e o que não entra em seu aparelho. Voltando ao início do artigo, o cliente é que deverá ter o poder daqui para a frente.

A melhor notícia, nessa história toda, é que o Android está abrindo caminho para uma mudança de atitude de todos os outros fabricantes. Assim, aqueles que ainda não usam plataforma aberta já começam a estudar a possibilidade de usar. Já aqueles que a adotaram correm atrás de um número cada vez maior de possibilidades, de aplicativos que possam oferecer aos seus clientes. Seja através de novos portais na internet “convencional” (a do computador), como é o caso do OVI, da Nokia, seja através das telas dos próprios aparelhinhos, como é o caso do iPhone. De uma forma ou de outra, nossos telefones nunca mais serão os mesmos. Alguém tinha alguma dúvida disso?

Comentários (7)   

Gagá

Ótimo artigo Elis.
Vale ressaltar que mais uma vez o Google está na vanguarda do que os usuários querem.
Creio que o modo de pensar do Google seja: Ok, o usuário final quer "isso". Como vamos fazer agora o "isso" dar dinheiro. Ao contrário das outras empresas: "O que vamos criar agora para que o usuário final compre"
Duas visões bem diferentes e com resultados mais distintos ainda.
Abs.

Gagá - Brazuca - 17/11/2008 - 17:39 - Responder no fórum

Overlord

Parabéns pelo artigo, Elis.
Gagá, a Google está mais que na vanguarda.
Hoje, acabaram de lançar o Google Mobile App para iPhone com suporte a pesquisas via voz.
Instalei o aplicativo, fiz pesquisas falando expressões no microfone do iPhone e é sensacional! Super útil.
Nem o G1, da própria Google em parceria com a T-Mobile, tem este recurso... por enquanto.

Overlord - PoA (Porto Alegre) / RS - 18/11/2008 - 11:16 - Responder no fórum

danborken

Bom, tem que esclarecer as diferenças entre plataforma aberta e plataforma de código aberto. Porque o Android (baseado no Linux) e o Symbian (recentemente teve seu código aberto) são de código aberto. Agora o OSX, utilizado no iPhone é código fechado e cheio de restrições, pois lembro do episódio em que a Apple obrigava aos desenvolvedores a aceitar um contrato em que se mantinha o sigilo sobre as aplicações desenvolvidas, proibindo inclusive, troca de idéias entre os mesmos, para correções de bugs e outros. No iPhone, para se desenvolver, tem que aceitar inúmeras restrições, enquanto desenvolver para o Android (já que segue a GPL) a pessoa conta com total liberdade, podendo mexer até no código do próprio Sistema Operacional. Então, ao meu entender, a plataforma aberta seria somente a possibilidade do usuário final poder instalar o que quiser no seu dispositivo, como fazemos no computador pessoal.

danborken - 18/11/2008 - 19:02 - Responder no fórum

mxpdogaum

Elis,
Concordo 100% quando você diz que os celulares tendem a se tornar um hardware bem parecido, diferenciando-se por "detalhes" como design e OS.
É o mesmo fenômeno que ocorreu com os notebooks. A plataforma Santa Rosa é usada em tudo quanto é notebook, seja ele Dell, HP, Sony ou mesmo Apple. Quando passou a usar o hardware padrão a Apple viu suas fatias de mercado crescerem como nunca, pois seu design é muito melhor que os demais (não somente na beleza, mas também na usabilidade) e seu OS é imune a vírus e muito fácil de usar.
Mas quanto aos sistemas serem no futuro abertos eu discordo. Acredito que a vitória dos sistemas abertos, coisa obvia hoje, é fruto não de sua liberdade e sim da incompetência da Microsoft.
No entanto, creio que a MS tem muito poder para pensar e lançar um bom OS - e o fará. Claro que o Android e o Symbian tem bons parceiros, mas também é muito forte o trabalho da MS com parceiros e certamente seu próximo OS será dotado de bons produtos, fora o casamento óbvio com os produtos MS Office, que 110% dos executivos do mundo usam.
Sei que a coluna não teve intenção de dizer que os sistemas de código aberto(...)

mxpdogaum - 19/11/2008 - 00:06 - Responder no fórum

CCRider

Não... não é "imune a vírus", meu amigo.
Security through minority, tão somente.

CCRider - São Leopoldo/RS - 19/11/2008 - 09:15 - Responder no fórum

Karlott2

Não é nem o caso de codigo aberto, ou sistemas abertos, ou fechados.
O que faz falta é poder customizar seu telefone.
Eu quero tirar o icone que vai para o "mundo Oi" e colocar outra coisa no lugar, mas, nao tem como.
Quero que a tecla que tem um mundo desenhado ative a função X e não que conecte-se a internet.
Queria por senha para sair da protecao de tela.
Enfim, varias coisas que nao tem como fazer no meu K800i.
Os recursos realmente serao "padrao", mas a qualidade, usabilidade, design e customizacao é que irão fazer a diferença;

Karlott2 - Belo Horizonte - M.G. - Br - 19/11/2008 - 10:50 - Responder no fórum

mxpdogaum

Não... não é "imune a vírus", meu amigo.

Security through minority, tão somente.
16% de marcado de notebooks, isso é minoria?
Sistema Unix, amigo. Isso é segurança.

mxpdogaum - 19/11/2008 - 13:55 - Responder no fórum

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