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O mundo, as pessoas e a tecnologia

A admirável sociedade tecnológica

Impressão a LED: Laser já era

Postado as 08:54 - 05/12/2011 - Por Carlos Alberto Teixeira. Categorias: Impressoras.

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Minha primeira impressora laser durou 11 anos. Foi uma HP LaserJet 1100, que comprei em 2000. Não sou lá de imprimir muita coisa, portanto talvez seja esse o motivo da longevidade da dita cuja. Só gastei quatro toners nesse período. Minha segunda e atual impressora é uma multifuncional HP LaserJet M1217 nfw e estamos nos dando muito bem.

Contudo, durante minha pesquisa para saber qual impressora compraria, travei contato mais próximo com uma tecnologia de que apenas superficialmente tinha ouvido falar: Hi-Q LED, da HP Xerox. E não é uma tecnologia nova, mas só se tornou viável há pouco tempo.

Cerca de 25 anos atrás, Casio e Panasonic inventaram uma técnica de impressão usando LED (Light Emitting Diode = Diodo Emissor de Luz), que foi aprimorada e explorada por outros fabricantes. Essa tecnologia prometia impressoras menores, mais silenciosas, mas confiáveis e mais baratas do que as impressoras a laser tão conhecidas por nós.

A tecnologia a LED usa o mesmo método eletrostático das impressoras a laser para aplicar toner num papel. A diferença é que, em vez do sistema de varredura, da complexa montagem de lentes, e dos espelhos rotativos utilizados por uma laser, a impressora a LED trabalha com uma matriz de diodos luminosos, implicando em um número menor de partes móveis dentro da impressora. Quando são acionados e começam a emitir, esses diodos criam uma imagem latente em um tambor cilíndrico fotorreceptor por meio de um padrão de pontos, graças a um padrão de pontos de luz.

A imagem é transferida via toner para uma correia intermediária ou diretamente para o papel, de modo a produzir a página impressa. O método LED é mecanicamente mais simples e menos oneroso de produzir, além de exigir uma parafernália eletro-óptico-mecânica menos volumosa do que uma laser.

O sistema das impressoras a laser convencionais é muito mais intrincado e cheio de peças móveis, o que aumenta o tamanho da impressora e eleva seu preço

O sistema das impressoras a laser convencionais é muito mais intrincado e cheio de peças móveis, o que aumenta o tamanho da impressora e eleva seu preço

Mas nem tudo eram flores na aurora dessa tecnologia, mesmo porque, se assim tivesse sido, teríamos hoje o mercado apinhado de impressoras a LED e neca de laser. O problema é que a simplicidade da técnica de impressão a LED significou também a sua ruína, pelo menos logo que apareceu a tecnologia. Três obstáculos atrapalharam a primeira onda LED na impressão: a necessidade de fixar a posição horizontal da imagem, a resolução máxima de 600 dpi que os LEDs permitiam e as variações na intensidade da luz emitida por eles.

Esses três fatores geravam resultados finais decepcionantes em comparação aos produzidos pelas impressoras a laser. As páginas ficavam meio borradas, difusas e desfocadas. As beiradas das imagens eram entrecortadas, linhas inclinadas apresentavam “jag” (aquele efeito de escadinha), os meios-tons eram incertos e a impressão colorida apresentava cores meio emboladas.

Comparando a tecnologia convencional (acima) com a nova (abaixo) percebe-se que linhas inclinadas apresentam o chamado Jag, enquanto na técnica de 2.400 dpi as linhas inclinadas são mais suaves

Comparando a tecnologia convencional (acima) com a nova (abaixo) percebe-se que linhas inclinadas apresentam o chamado Jag, enquanto na técnica de 2.400 dpi as linhas inclinadas são mais suaves

A demora de mais de duas décadas entre a invenção da tecnologia LED e a sua viabilização é mais um exemplo desse tipo de defasagem tão comum na indústria. Uma coisa é inventar um conceito ou um método. Outra coisa é permitir que ele se torne factível, gerando produtos que tenham um preço aceitável de modo a partir para o mercado.

Em meados da década de 1990, a impressão a LED encheu os olhos dos pesquisadores e tinha tudo para arrebentar no mercado. Mas na hora do “vamuvê” a coisa complicou. A Okidata, por exemplo, logo de cara percebeu que o buraco era mais embaixo e se meteu a introduzir melhoramentos na técnica. Em seguida, Xerox e Lexmark incorporaram esses aprimoramentos em seus produtos.

Mas mesmo assim, ainda não era o momento da impressão a LED e o resultado da primeira batalha nessa disputa nós já conhecemos e, no meu caso, tive um exemplo do método vitorioso em minha bancada durante uma década — a impressão a laser ganhou o mercado e o povão nunca tinha sequer ouvido falar em impressoras a LED até bem pouco tempo atrás.

A virada no jogo se deu quando as empresas de impressão começaram a quebrar a cabeça para inventar maneiras de viabilizar a tecnologia LED. Uma parceria que deu bem certo foi a celebrada entre a Fuji Xerox e a Nippon Electric Glass, tendo como resultado uma nova cabeça de impressão controlada por uma avançada tecnologia de calibração em alta resolução, comandada por um chip ASIC (Application Specific Integrated Circuit) especial, empregando um algoritmo recentemente criado, de nome DELCIS (Digitally-Enhanced Lighting Control Imaging System). A nova cabeça de impressão se chamou Hi-Q LED e é capaz de resolver os problemas enfrentados pelas primeiras tentativas de impressão a LED, acertando a questão do posicionamento dos diodos e as indesejáveis variações de intensidade e de precisão temporal de acionamento da luz emitida.

O chip ASIC é o que comanda e controla as operações de impressão

O chip ASIC é o que comanda e controla as operações de impressão

A cabeça de impressão Hi-Q contém uma matriz de 14.592 LEDs. Cada LED tem junto a si um circuito miniaturizado autoverificado de controle que se liga a um circuito de controle central que fica dentro do chip ASIC, localizado na barra de LEDs. A Fuji Xerox chamou esses diodos luminosos especiais de S-LED (Self-scanning LED).

Cada cabeça é equipada com uma matriz de lentes autofocantes composta de grupos de lentes com características ópticas uniformes. Esses grupos sistematicamente se sobrepõem em parte uns aos outros de modo a gerar imagens de alta resolução. Os LEDs pulsam e a luz passa pelas lentes, formando imagens no tambor fotorreceptivo. No caso de uma impressora a LED em cores, são quatro as cabeças de impressão. Cada matriz de LEDs agrupa 1.200 diodos por polegada, sendo a distância entre dois LEDs de 21 micra..

O cérebro por trás do processamento dessas cabeças de impressão é o tal famigerado chip ASIC, que ajusta continuamente a intensidade e o tempo de acionamento de cada um dos milhares de LEDs. Se fossem usados simplesmente LEDs “descontrolados”, haveria imperfeições na impressão em função de entortamento e envergamento da barra de LEDs, além de minúsculas diferenças no posicionamento dos diodos na matriz, o que exigiria intervenção mecânica para ajustar. O desalinhamento em geral é ínfimo — da ordem de alguns poucos micra — mas suficiente para embolar o meio de campo. E pior: a instabilidade mecânica das barras de LEDs é algo de que não há como escapar, fisicamente falando. É justamente aí que o chip mágico salva a parada, ajustando digitalmente as incorreções.

Á esquerda uma impressão a laser, à direita, a LED. Notar a lacuna branca no círculo vermelho com a letra G dentro. Observar também as linhas brancas no contorno da letra M dentro do círculo verde mais abaixo

Á esquerda uma impressão a laser, à direita, a LED. Notar a lacuna branca no círculo vermelho com a letra G dentro. Observar também as linhas brancas no contorno da letra M dentro do círculo verde mais abaixo

A nova técnica de impressão a LED obtém resultados com precisão de 2.400 dpi graças ao método chamado IReCT (Image Registration Control Technology), que orienta e apura o posicionamento dos componentes ciano, magenta, amarelo e preto da imagem — daí quatro cabeças de impressão. Com a IreCT, registros errôneos de cor são lidos por sensores ópticos e processados em alta velocidade, corrigindo os dados da imagem para cada cor.

O toner usando na impressão a LED também tem seus segredinhos. A fusão do toner numa impressora é responsável por entre 50% e 80% da eletricidade total consumida pelo aparelho, já que fundir instantaneamente uma substância com alta temperatura é algo que gasta um bocado de energia. A saída foi desenvolver um toner especial — o EA-Eco toner — que se funde a uma temperatura 20°C menor que a comum. O pulo do gato desse toner é a sua curva de viscosidade em função da temperatura, aliada ao uso de esferas de poliéster de dois tipos na emulsão: esferas de fusão rápida e de fusão lenta. Junte-se a isso o fato do toner ser completamente não oleoso, contendo uma cera especial que dá um tom “glossy” à impressão. Essa nova abordagem reduz em até 30% o uso de toner, cortando também a emissão de gás carbônico em até 35%.

Um bom vídeo, em inglês, explicando a tecnologia pode ser visto aqui.

Mas, e o mercado, como está recebendo essa onda de Hi-Q LED? Ainda é cedo para contabilizar. Uma impressora monocromática usando essa tecnologia, como a HP Xerox Phaser 3040/B está saindo por R$ 269,99. Já uma colorida, como a Phaser 6010, por R$ 759,99. Resta só ver se a Xerox vai continuar com a “inteligentíssima” política de baratear a impressora e cobrar os olhos da cara pelo toner. O consumidor incauto pode ser pego nessa armadilha uma primeira vez. Mas na segunda ele não cai.

Comecei esta coluna contando que mudei de impressora e, depois de falar tantas maravilhas dessa nova (velha) tecnologia de impressão a LED, fica a pergunta: afinal de contas, porque não comprei logo uma dessas novidades em vez de uma laser? A resposta é que nunca fui um adotante de tecnologias fresquinhas no mercado. Prefiro esperar alguns anos para ver se os pioneiros são bem atendidos ou se quebram a cara.

Comentários (12)   

Viper

Caramba, nunca ouvi falar dessa tecnologia.
Parabéns pela matéria, muito bem explicado, colocou o preço da impressora, faltou o preço do toner.
Achei a qualidade bem superior.

Viper - Bauru - 06/12/2011 - 18:42 - Responder no fórum

Wagner Felix

O que me impede de imprimir mais (minha impressora atual é a jato de tinta) é o custo de impressão.
Minha impressora é baratinha, se compra com dinheiro do bolso da frente, mas os cartuchos de tinta...

Lendo esse texto, não dá pra não ficar animado... Mas aí, pensando bem na parte do "toner especial", "menor temperatura de fusão", "efeito glossy", é de se esperar que o toner seja uma facada. Não que os 800 reais da impressora LED colorida seja barato(não é de jeito nenhum), mas eu compraria, se tivesse certeza que o meu custo por página diminuiria bastante, e a "peculiaridade" do toner me faz crer que não.

Wagner Felix - Cesiumland Hazzard - 08/12/2011 - 08:58 - Responder no fórum

Zerstörer

S!
Mas afinal é HP ou Xerox?!?!?

Zerstörer - Santos/Caxias do Sul - 08/12/2011 - 13:07 - Responder no fórum

DonKix

No site da Xerox: http://lojavirtual.xerox.com.br/sessoes ... egoria=336
Custa R$189,00 o toner preto para 1000 impressões.
Para toner colorido, cada, custa valor similar.
Abs,
Kix.

DonKix - 10/12/2011 - 08:44 - Responder no fórum

Eduzs

Muito interessante. Consumindo cerca de 350W parece ser bem menos que as lasers tradicionais que são um problema para ambiente doméstico onde as instalações elétricas arcaicas fazem a impressora laser gerar alterações elétricas como luzes diminuindo d intensidade etc, isso que me fez desafazer da única laser que comprei uma vez.
Agora com essa tecnologia posso começar a pensar novamente em ter uma lser.
Mas é uma tecnologia muito nova, poucos fabricantes e custo bem elevado do toner.
Quem sabe quando se popularizar mais.

Eduzs - Niterói - RJ - 10/12/2011 - 10:54 - Responder no fórum

Wagner Felix

19 centavos por pagina, fora papel e eletricidade, não da pra considerar barato.

Wagner Felix - Cesiumland Hazzard - 10/12/2011 - 11:37 - Responder no fórum

Francisco_neto

Quando é que vão diminuir os preços de cartuchos e toners?
Esse oligopólio me dá nojo!
Por mim, poderiam começar diminuindo a resolução de impressão(se necessário for para diminuir o custo dos cartuchos e toners) e aumentando o tamanho desses ridículos cartuchos de 4 míseros ml! O usuário comum está interessado em mais (muito mais) páginas por cartucho e não em super-hiper-ultra qualidade de impressão a preços exorbitantes.
Como o colega disse acima, ainda está longe de ser barato.

Francisco_neto - Cabedelo/PB - 10/12/2011 - 19:08 - Responder no fórum

Marcelo Ferreira da Costa

C@T, a tecnologia HIQLed pertence a Xerox! A HP não possui nenhum produto LED no portfolio de impressoras e multifuncionais!

Marcelo Ferreira da Costa - Rio de Janeiro / RJ - 11/12/2011 - 19:57 - Responder no fórum

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