A empresa de pesquisas Gartner divulgou sua lista anual das tecnologias estratégicas que brilharão no ano seguinte. Mas afinal, o que é uma tecnologia estratégica, pelo menos aos olhos da Gartner?
— Uma tecnologia estratégica é aquela que possui um potencial de exercer impacto significativo nas empresas pelos próximos três anos — diz um representante da Gartner. — Além disso, identificamos fatores que possam contribuir para desencadear uma ruptura de padrões em TI ou nos negócios, ou para determinar a necessidade de altos investimentos ou mesmo para fazer eclodir um alto risco competitivo caso haja atrasos em adotar essa tecnologia.
Resumindo, a Gartner considera uma tecnologia como sendo estratégica, independentemente de ser uma tecnologia emergente ou já em evolução, se ela disparar o surgimento de oportunidades altamente escaláveis e capazes de virar o jogo no setor, pelo menos nos próximos cinco anos.
Cinco dessas tecnologias apresentam o potencial mais forte de aplicação no campo comercial e têm sido mais intensamente discutidas. A primeira delas, imbatível como a mais importante para o ano que vem, é dos tablets de mídia, envolvendo as várias nuances da computação móvel.
Não há previsão de que esta ou aquela plataforma prevalecerá no curto prazo nessa batalha, pois a luta continua renhida. As empresas que resolverem se jogar de cabeça no uso dos tablets devem se preparar para projetar um uso diversificado, dependendo da escolha de seus funcionários, clientes e fornecedores quanto ao sistema operacional — iOS ou Android — e quanto ao próprio fabricante dos aparelhos.
Além disso, as companhias devem se antecipar, estabelecendo planos para as estratégias B2E (Business to Employees, “empresas para funcionários, na tradução), B2C (Business to Consumer, “consumidor”) e B2B (Business to Business). Analistas vêm observando que a necessidade de uma estratégia B2E vem sendo relegada a um segundo plano pela grande maioria das empresas. Ou seja, as companhias não estão dando lá muita bola para qual será a política interna a ser seguida por seus funcionários com relação ao uso de tablets para questões de serviço. Na corrida desenfreada em busca do lucro maior e mais imediato, essas empresas desatentas estão perdendo uma oportunidade de ouro de recrutar e preparar melhor seus empregados mais produtivos, talentosos e exigentes que gostam de usar tablets e se sentem confortáveis com eles, desperdiçando uma chance de avançar bastante na cultura inerente à mobilidade dentro de seus quadros.
Fora isso, especialistas em recursos humanos vêm apontando que a maestria com que uma empresa lida internamente com a tecnologia de computação móvel e, mais especificamente, utilizando tablets, tem feito a diferença nas expectativas de um funcionário capaz e proativo, num momento em que ele precisar escolher entre este ou aquele empregador, melhor dizendo, entre uma empresa e uma de suas concorrentes.
A segunda tecnologia para se ficar de olhos bem abertos é a que tem a ver com a experiência social e contextual do usuário. As interações e experiências dos usuários com uma determinada marca ou uma certa companhia, envolvendo todas as manifestações de entrada de dados (teclado, smartphone, tablet etc.), e nos âmbitos comercial e social, continuarão a ser cada vez mais norteadas pelo contexto, ou seja, pelas conexões, atividades, ambiente e preferências em que a interação estiver imersa. Pelos próximos dois anos, notaremos o surgimento de vários aplicativos em áreas afins, tais como serviços baseados em localização e realidade aumentada em dispositivos móveis, principalmente com ênfase em “m-commerce”, apelido pomposo para comércio móvel. Haverá uma profusão cada vez maior de aplicativos que refinarão os resultados de buscas, inserindo recomendações de produtos e serviços, coexistindo com outros funcionalmente semelhantes, podendo até haver uma cooperação ou uma integração entre esses diferentes apps.
A chamada “internet das coisas”, muito embora caminhando a passo de tartaruga, já vem sendo falada há um bom tempo, e é terceira entre as tecnologias emergentes apontadas pelo Gartner. Ela vem sendo discutida com (talvez exagerado) otimismo, mas há quem acredite que, de 2012 em diante, ela irá se tornar mais viável. Objetos conectados serão mais factíveis graças a três melhoramentos tecnológicos em franca evolução: facilitação de pagamentos por tecnologia NFC (Near Field Communication) em telefones e tablets, para aumentar a velocidade de serviços e apurar a compreensão das preferências e comportamentos dos clientes; tecnologias de reconhecimento de imagens, que permitirão identificar pessoas, objetos, prédios, logomarcas e qualquer outro sinal significativo; e sensores embutidos em dispositivos, locais e objetos, de modo a detectar e comunicar alterações em vários parâmetros.
Outra tecnologia de grande importância para o ano vindouro — a de número quatro — é a de aplicações e interfaces centradas em mobilidade. Com a base de usuários e o ecossistema de computação móvel aumentando sem parar, surgem implicações imediatas para as empresas. É essencial que elas se planejem para interfaces cada vez mais calcadas em voz, toque e gestos, identificando ferramentas para cada plataforma de modo a facilitar a construção de aplicativos para uma base cada vez mais fragmentada de dispositivos. Remando nessa voga, o HTML5 é a opção mais sábia a considerar, diante da questão de endereçar o maior leque possível de plataformas diversas sem ter necessidade de reprojeto ou reprogramação.
A previsão dos especialistas no setor dá conta de que, com o crescente desenvolvimento de tecnologias e soluções móveis para web móvel (apesar do já previsível gargalo das redes sem fio — vide minha coluna anterior, em que no título consta “entupiu”), a tendência é que mais aplicativos sejam escritos e divulgados para rodar na web, superando os aplicativos nativos (os que rodam em uma única plataforma específica), pelo menos nos próximos três anos.
E a quinta tecnologia de destaque entre as mais cotadas para o ano que vem é a das ferramentas analíticas de dados. Essas ferramentas continuarão evoluindo e realizando uma suave transição do mundo offline para o âmbito online “embutido” dos sistemas em tempo real. Ademais, o foco dessas ferramentas está deixando de ser o histórico, para se tornar mais preditivo de performance futura. Com as crescentes complexidade e volume da massa de dados em que estamos literalmente afogados, as ferramentas de análise deixarão de engolir simplesmente conjuntos estruturados de dados analisados por humanos, tornando-se devoradoras de acervos oriundos de várias fontes e de diversos tipos (fotos, vídeos, áudios, textos etc.). E mais: essas análises serão realizadas por vários sistemas interligados, absorvendo dados de diversas procedências e configurando um processo analítico-decisório colaborativo. Nesse contexto, a análise de dados precisará incluir, ao seu final, algumas decisões nas áreas de simulação, otimização, colaboração e predição, deixando de ser apenas uma caixa preta que digere informações, tornando-se algo mais robótico em termos de atuação no mundo real, em reação aos resultados das análises.
Talvez não em 2012 ou 2013, mas a tendência é que, em breve, as ferramentas de análise de dados poderão ser usadas para responder perguntas corporativas bem abrangentes, tais como: “Como posso conduzir meu negócio de forma diferente para que consiga servir melhor minha base de clientes e nosso futuro coletivo?” Bem, com relação à segunda parte dessa perguntinha simples mas que desemboca em altíssima complexidade decisória, confesso que viajei um pouco na maionese. Até parece que as leis da concorrência e da busca egoísta por lucro irão um dia afrouxar a ponto de um grande empresário dotado de tal capacidade automatizada de análise se preocupar com o futuro coletivo. É, seu c.a.t., vai sonhando.
E para você não ficar se rasgando de curiosidade sobre quais são as outras cinco tecnologias indicadas pela Gartner como importantes para o próximo ano, indico-lhe o link original aqui, e cito quais são elas: mercados e lojas virtuais de aplicativos; grandes acervos de dados, conhecidos como “Big Data”; computação em memória; servidores de baixa energia; e computação em nuvem.
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Comentário (1)
Lantis
Tablet sem dúvida chegou pra ficar, mas é preciso evitar o auê criado e analisar bem suas limitações. A vantagem é o boot rápido e o acesso direto, em comparação com laptop q usa OS mais complexo e precisa ser aberto e fechado. Mas o uso deve ser voltado pra leitura ou pra aplicações q funcionem sem necessidade de digitação, pq até num celular dá pra digitar mais rápido q neles.
Naum vejo essa interação social como determinante e muito menos como recente. Marcketing viral já caducou e ninguém gosta de anúncios inseridos no meio de conversas, o máximo q pode ter é empresa pagar famoso pra colocar anuncio no meio de posts. Claro q foruns é uma grande oportunidade pra ver oq o consumidor pensa da empresa e pra aproximar o atendimendo de onde o consumidor fica naturalmente, mas é raro as empresas q valorizam o consumidor e investem em pós venda...
Essa tal de “internet das coisas” eu nunca vi falar e nem entendi a explicação :p
Interface de qualidade, com Usability e Acessibility, e Semantic Web vem sendo exigida há tempos, mas os web designers insistem em snobar e empresas evitam investir. Indeed, com mobilidade crescendo vai chegar uma hora q o(...)
Lantis - MG - 14/12/2011 - 11:06 - Responder no fórum





